notícias atuais sobre saúde, violência,justiça,cidadania,educação, cultura,direitos humanos,ecologia, variedades,comportamento
21.6.09
Segundo a Polícia Militar (PM), o menor F.I.S.L., de 16 anos, foi flagrado na noite de sábado (20), na prática de atentado violento ao pudor contra uma menor de 06 anos. O fato foi registrado na Rua Jardim do Carmo, no Centro do município.
O conselheiro tutelar João Paulo Alves foi comunicado da ocorrência e informou que a promotora Maria Aparecida Carnaúba, que responde pelo MP em Marechal Deodoro será informada da situação.



Gazetaweb, Adelaide Nogueira
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15.6.09
Fortaleza – Um homem foi preso, na tarde desta segunda-feira (15), no bairro Jardim Iracema, acusado de atentado violento ao pudor. J. N. I., de 32 anos, prometia às crianças roupas de quadrilhas juninas em troca de carícias sexuais.
Durante o flagrante, J. estava saindo de casa com dois meninos, um de 9 anos e outro de 13 anos. A polícia também encontrou na casa dele material pornográfico.
O acusado foi levado à Delegacia de Combate a Exploração Contra a Criança e o Adolescente para prestar esclarecimentos. Apesar de ter negados as acusações, ele será encaminhado à Delegacia de Capturas.
As duas crianças encontradas na companhia de J.confirmaram à psicóloga da Dececa que foram aliciadas sexualmente.



Tv Verdes Mares
link do postPor anjoseguerreiros, às 21:17  comentar

Fortaleza – Um homem foi preso, na tarde desta segunda-feira (15), no bairro Jardim Iracema, acusado de atentado violento ao pudor. J. N. I., de 32 anos, prometia às crianças roupas de quadrilhas juninas em troca de carícias sexuais.
Durante o flagrante, J. estava saindo de casa com dois meninos, um de 9 anos e outro de 13 anos. A polícia também encontrou na casa dele material pornográfico.
O acusado foi levado à Delegacia de Combate a Exploração Contra a Criança e o Adolescente para prestar esclarecimentos. Apesar de ter negados as acusações, ele será encaminhado à Delegacia de Capturas.
As duas crianças encontradas na companhia de J.confirmaram à psicóloga da Dececa que foram aliciadas sexualmente.



Tv Verdes Mares
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Fortaleza – Um homem foi preso, na tarde desta segunda-feira (15), no bairro Jardim Iracema, acusado de atentado violento ao pudor. J. N. I., de 32 anos, prometia às crianças roupas de quadrilhas juninas em troca de carícias sexuais.
Durante o flagrante, J. estava saindo de casa com dois meninos, um de 9 anos e outro de 13 anos. A polícia também encontrou na casa dele material pornográfico.
O acusado foi levado à Delegacia de Combate a Exploração Contra a Criança e o Adolescente para prestar esclarecimentos. Apesar de ter negados as acusações, ele será encaminhado à Delegacia de Capturas.
As duas crianças encontradas na companhia de J.confirmaram à psicóloga da Dececa que foram aliciadas sexualmente.



Tv Verdes Mares
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Corumbá – Os registros de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes aumentaram nesses primeiros cinco meses de 2009. Foram 17 registros que estão sendo investigados pela Delegacia de Atendimento à Infância e Juventude (Daiji). Todas as crianças são ouvidas pela psicóloga Nadja Chauvet, de 45 anos, que também presta serviços à Delegacia da Mulher. Ela ainda é requisitada pelos delegados do 1º Distrito Policial para acompanhar o depoimento de crianças e adolescentes acusados por crimes e atende casos de violência contra a mulher.
“Pais e crianças estão confiando mais no trabalho da polícia e nos procurando para relatar casos de estupro ou tentativas de agressão sexual em família, porque quando as vítimas são crianças o agressor na maioria das vezes está bem próximo, é um padrasto, um tio, um enteado”, afirmou a psicóloga ao Diário.
“Ainda vivemos resquícios da ditadura, quando vigorou a censura de informação e liberdade de expressão, e hoje tentamos estabelecer a cultura da paz, da educação e conscientização, para que os direitos de todos sejam respeitados. As pessoas estão perdendo o medo de falar a verdade, expor seus problemas, de denunciar. A própria criança agora está construindo outra ideia de família. Antes, era educada a não falar com estranhos, que eram indicados como perigosos. Hoje sabe que alguém da família também pode ser perigoso. As escolas têm sido ótimas parceiras da polícia. A internet ajudou a construir uma nova mentalidade, é uma coisa boa, mas também pode excitar, estimular maus costumes. Então estamos a procura do meio termo, do equilíbrio”, acrescentou. Veja os principais pontos da sua entrevista.
Impacto na saúde
“A desestrutura familiar é um dos fatores da violência. Mas existem fatores financeiros. A violência só existe porque temos de sobreviver, temos de resistir a todas as situações que a sociedade impõe. E essas pessoas que se envolvem com a violência são normalmente fragilizadas, não têm condição de vida saudável, às vezes enfrentam a desnutrição, e isso vai construindo uma situação violenta em torno da pessoa. No livro ‘O impacto da violência na Saúde’ há uma constatação de que a violência não é apenas um problema de Justiça, mas também de saúde, porque gera muita morte, muitos acidentes, lesões, provoca impactos violentos e prejuízos ao poder público. A violência é o terceiro indicador de morte no País. É assustador, porque além de provocar mortes, está matando muitos jovens.”

Jovem foi esquecido
“A bebida, a droga, a questão da lei infringida por eles, estamos em busca de uma solução para resolver isso. Como medida inicial sou favorável à redução da idade penal, até que sejam implantadas outras medidas fortalecedoras. O País custou a descobrir que o jovem é que estava sofrendo mais. Tínhamos políticas para crianças e para adultos, e durante muitos anos o adolescente e o jovem ficaram esquecidos. Um exemplo está na área de saúde, onde temos médicos para crianças e adultos, mas não temos médicos para adolescentes, para atender toda essa transição, essas mudanças. O adolescente passou a ser responsabilidade unicamente da família. E para quem não tem família…De quem é a responsabilidade? Passou a ser do Estado. Mas o Estado não está sabendo digerir isso.”

Gravidez de menores
“Os jovens hoje os mais agredidos, sofrem mais violência, porque não há uma diretriz para eles. Devemos encarar os jovens não como um problema, mas como uma solução para o País. Escolas em período integral podem fornecer limites e diretrizes que eles não encontram em casa. Os jovens se perdem porque a criminalidade gera dinheiro, liberdade, sexo à vontade, tudo parece ser mais vantajoso. Além de tudo, eles são manipulados. Todo mundo é educado para o bem ou para o mal. Eles podem ser educados para o mal, para o tráfico de drogas, para a bebida. Percebemos muito esse aspecto quando ocorre gestação entre menores. Elas se sentem com poder quando se relacionam com um traficante. Ocorre o fato de várias meninas engravidarem do mesmo homem. Elas entendem que assim têm o poder. Não tem família, não tem um lar, não tem dinheiro, não tem emprego, não tem escola, mas tem um filho. É uma questão de posse.”

Turismo e comércio sexual
“Trabalhamos com desencadeadores de problemas. Por que a prostituição e o índice de violência estão aumentando em Corumbá? O fator social é muito grave. Para muitas meninas é mais fácil se prostituir do que trabalhar. Quando fiz uma pesquisa de prostituição em Corumbá existia o fantasma do turismo. Todo mundo dizia que aqui a prostituição era grande por causa do turismo. Mas essa tese caiu por terra. O turismo não aumenta a prostituição. O turista procura as boates, casas fechadas. A prostituição ocorre o ano inteiro, é formada por meninas daqui mesmo, elas não vêm de fora. A prostituição em Corumbá é muito grande, não só de solteiras, como de casadas. Elas não têm mais referência em casa, não querem estudar. Por isso é ótima a proposta de escola integral.”

Responsabilidade familiar
“Acredito que as pessoas menos favorecidas não recebem influência de internet e televisão. Na verdade, o que ocorre é a ociosidade mesmo, falta do que fazer. A maioria dos meninos está sem estudar, sem o primeiro grau completo. O maior exemplo foi o crime cometido por um menino de 16 anos (homicídio qualificado, domingo, 7 de junho, em Corumbá). Ele já tinha passagem pela polícia no interior, por causa de roubo de carro. Tem a quinta série incompleta. Nesse caso, a família não tinha nenhuma responsabilidade sobre ele. Penso que uma família nessa situação, que não deu condições para a criança crescer com integridade, não deve ter nenhum benefício social. Posso ser radical demais, mas quem deveria ter benefícios do governo seriam só famílias que produzem crianças de bem, com cultura para o País.”

Estuprador próximo
“De acordo com nossos indicadores, nos casos de estupro geralmente os causadores são pessoas próximas das crianças. Não é um estranho. Até bem pouco tempo, a criança era educada a ter medo do estranho, do bêbado, do mal vestido. Esqueceram de alertar que o próximo também podia agredir. A criança confiava cegamente nas pessoas próximas, no padrasto, enteado, primo, tio. Além disso, quem estupra gera medo, ameaça tirar o que a criança mais ama – teve um que ameaçava cortar a cabeça da avó da vítima. No caso de vítimas adultos, ocorre pela facilitação e o estupro quase sempre é ocasionado por estranhos. Na verdade, o estupro é quase sempre presumido. Antes dos 14 anos qualquer pessoa que passou por ato sexual é presumidamente vítima de estupro, mas às vezes nem se trata mesmo de estupro. A vítima e o autor não consideram estupro, às vezes são namorados, a família permite. Mas a lei entende que é estupro e por isso têm de ser indiciados.”

Bebê por droga
“Já recebi uma oferta de uma presidiária, traficante, usuária de crack, que me deixou chocada. Ela queria me dar sua filha, um bebê de nove meses, em troca de duas pedras de crack. Foi uma paciente que atendi dentro do presídio feminino. Ela não tinha mais nada para me oferecer e me ofereceu o bebê dela. Depois, quando a menina estava com um ano e pouco, já não convivia mais com ela no presídio, a mãe dela descobriu que ela tentava de novo trocar a criança por droga. Perdeu a noção completamente, perdeu o afeto familiar, não tinha mais vínculo com a criança. É questão de consciência. Precisamos trabalhar essa questão de identidade dentro da escola, com meninos e meninas, para que casos como esses não ocorram, para tentar construir um País melhor.”

Nelson Urt


Midiamax News
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Corumbá – Os registros de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes aumentaram nesses primeiros cinco meses de 2009. Foram 17 registros que estão sendo investigados pela Delegacia de Atendimento à Infância e Juventude (Daiji). Todas as crianças são ouvidas pela psicóloga Nadja Chauvet, de 45 anos, que também presta serviços à Delegacia da Mulher. Ela ainda é requisitada pelos delegados do 1º Distrito Policial para acompanhar o depoimento de crianças e adolescentes acusados por crimes e atende casos de violência contra a mulher.
“Pais e crianças estão confiando mais no trabalho da polícia e nos procurando para relatar casos de estupro ou tentativas de agressão sexual em família, porque quando as vítimas são crianças o agressor na maioria das vezes está bem próximo, é um padrasto, um tio, um enteado”, afirmou a psicóloga ao Diário.
“Ainda vivemos resquícios da ditadura, quando vigorou a censura de informação e liberdade de expressão, e hoje tentamos estabelecer a cultura da paz, da educação e conscientização, para que os direitos de todos sejam respeitados. As pessoas estão perdendo o medo de falar a verdade, expor seus problemas, de denunciar. A própria criança agora está construindo outra ideia de família. Antes, era educada a não falar com estranhos, que eram indicados como perigosos. Hoje sabe que alguém da família também pode ser perigoso. As escolas têm sido ótimas parceiras da polícia. A internet ajudou a construir uma nova mentalidade, é uma coisa boa, mas também pode excitar, estimular maus costumes. Então estamos a procura do meio termo, do equilíbrio”, acrescentou. Veja os principais pontos da sua entrevista.
Impacto na saúde
“A desestrutura familiar é um dos fatores da violência. Mas existem fatores financeiros. A violência só existe porque temos de sobreviver, temos de resistir a todas as situações que a sociedade impõe. E essas pessoas que se envolvem com a violência são normalmente fragilizadas, não têm condição de vida saudável, às vezes enfrentam a desnutrição, e isso vai construindo uma situação violenta em torno da pessoa. No livro ‘O impacto da violência na Saúde’ há uma constatação de que a violência não é apenas um problema de Justiça, mas também de saúde, porque gera muita morte, muitos acidentes, lesões, provoca impactos violentos e prejuízos ao poder público. A violência é o terceiro indicador de morte no País. É assustador, porque além de provocar mortes, está matando muitos jovens.”

Jovem foi esquecido
“A bebida, a droga, a questão da lei infringida por eles, estamos em busca de uma solução para resolver isso. Como medida inicial sou favorável à redução da idade penal, até que sejam implantadas outras medidas fortalecedoras. O País custou a descobrir que o jovem é que estava sofrendo mais. Tínhamos políticas para crianças e para adultos, e durante muitos anos o adolescente e o jovem ficaram esquecidos. Um exemplo está na área de saúde, onde temos médicos para crianças e adultos, mas não temos médicos para adolescentes, para atender toda essa transição, essas mudanças. O adolescente passou a ser responsabilidade unicamente da família. E para quem não tem família…De quem é a responsabilidade? Passou a ser do Estado. Mas o Estado não está sabendo digerir isso.”

Gravidez de menores
“Os jovens hoje os mais agredidos, sofrem mais violência, porque não há uma diretriz para eles. Devemos encarar os jovens não como um problema, mas como uma solução para o País. Escolas em período integral podem fornecer limites e diretrizes que eles não encontram em casa. Os jovens se perdem porque a criminalidade gera dinheiro, liberdade, sexo à vontade, tudo parece ser mais vantajoso. Além de tudo, eles são manipulados. Todo mundo é educado para o bem ou para o mal. Eles podem ser educados para o mal, para o tráfico de drogas, para a bebida. Percebemos muito esse aspecto quando ocorre gestação entre menores. Elas se sentem com poder quando se relacionam com um traficante. Ocorre o fato de várias meninas engravidarem do mesmo homem. Elas entendem que assim têm o poder. Não tem família, não tem um lar, não tem dinheiro, não tem emprego, não tem escola, mas tem um filho. É uma questão de posse.”

Turismo e comércio sexual
“Trabalhamos com desencadeadores de problemas. Por que a prostituição e o índice de violência estão aumentando em Corumbá? O fator social é muito grave. Para muitas meninas é mais fácil se prostituir do que trabalhar. Quando fiz uma pesquisa de prostituição em Corumbá existia o fantasma do turismo. Todo mundo dizia que aqui a prostituição era grande por causa do turismo. Mas essa tese caiu por terra. O turismo não aumenta a prostituição. O turista procura as boates, casas fechadas. A prostituição ocorre o ano inteiro, é formada por meninas daqui mesmo, elas não vêm de fora. A prostituição em Corumbá é muito grande, não só de solteiras, como de casadas. Elas não têm mais referência em casa, não querem estudar. Por isso é ótima a proposta de escola integral.”

Responsabilidade familiar
“Acredito que as pessoas menos favorecidas não recebem influência de internet e televisão. Na verdade, o que ocorre é a ociosidade mesmo, falta do que fazer. A maioria dos meninos está sem estudar, sem o primeiro grau completo. O maior exemplo foi o crime cometido por um menino de 16 anos (homicídio qualificado, domingo, 7 de junho, em Corumbá). Ele já tinha passagem pela polícia no interior, por causa de roubo de carro. Tem a quinta série incompleta. Nesse caso, a família não tinha nenhuma responsabilidade sobre ele. Penso que uma família nessa situação, que não deu condições para a criança crescer com integridade, não deve ter nenhum benefício social. Posso ser radical demais, mas quem deveria ter benefícios do governo seriam só famílias que produzem crianças de bem, com cultura para o País.”

Estuprador próximo
“De acordo com nossos indicadores, nos casos de estupro geralmente os causadores são pessoas próximas das crianças. Não é um estranho. Até bem pouco tempo, a criança era educada a ter medo do estranho, do bêbado, do mal vestido. Esqueceram de alertar que o próximo também podia agredir. A criança confiava cegamente nas pessoas próximas, no padrasto, enteado, primo, tio. Além disso, quem estupra gera medo, ameaça tirar o que a criança mais ama – teve um que ameaçava cortar a cabeça da avó da vítima. No caso de vítimas adultos, ocorre pela facilitação e o estupro quase sempre é ocasionado por estranhos. Na verdade, o estupro é quase sempre presumido. Antes dos 14 anos qualquer pessoa que passou por ato sexual é presumidamente vítima de estupro, mas às vezes nem se trata mesmo de estupro. A vítima e o autor não consideram estupro, às vezes são namorados, a família permite. Mas a lei entende que é estupro e por isso têm de ser indiciados.”

Bebê por droga
“Já recebi uma oferta de uma presidiária, traficante, usuária de crack, que me deixou chocada. Ela queria me dar sua filha, um bebê de nove meses, em troca de duas pedras de crack. Foi uma paciente que atendi dentro do presídio feminino. Ela não tinha mais nada para me oferecer e me ofereceu o bebê dela. Depois, quando a menina estava com um ano e pouco, já não convivia mais com ela no presídio, a mãe dela descobriu que ela tentava de novo trocar a criança por droga. Perdeu a noção completamente, perdeu o afeto familiar, não tinha mais vínculo com a criança. É questão de consciência. Precisamos trabalhar essa questão de identidade dentro da escola, com meninos e meninas, para que casos como esses não ocorram, para tentar construir um País melhor.”

Nelson Urt


Midiamax News
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Corumbá – Os registros de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes aumentaram nesses primeiros cinco meses de 2009. Foram 17 registros que estão sendo investigados pela Delegacia de Atendimento à Infância e Juventude (Daiji). Todas as crianças são ouvidas pela psicóloga Nadja Chauvet, de 45 anos, que também presta serviços à Delegacia da Mulher. Ela ainda é requisitada pelos delegados do 1º Distrito Policial para acompanhar o depoimento de crianças e adolescentes acusados por crimes e atende casos de violência contra a mulher.
“Pais e crianças estão confiando mais no trabalho da polícia e nos procurando para relatar casos de estupro ou tentativas de agressão sexual em família, porque quando as vítimas são crianças o agressor na maioria das vezes está bem próximo, é um padrasto, um tio, um enteado”, afirmou a psicóloga ao Diário.
“Ainda vivemos resquícios da ditadura, quando vigorou a censura de informação e liberdade de expressão, e hoje tentamos estabelecer a cultura da paz, da educação e conscientização, para que os direitos de todos sejam respeitados. As pessoas estão perdendo o medo de falar a verdade, expor seus problemas, de denunciar. A própria criança agora está construindo outra ideia de família. Antes, era educada a não falar com estranhos, que eram indicados como perigosos. Hoje sabe que alguém da família também pode ser perigoso. As escolas têm sido ótimas parceiras da polícia. A internet ajudou a construir uma nova mentalidade, é uma coisa boa, mas também pode excitar, estimular maus costumes. Então estamos a procura do meio termo, do equilíbrio”, acrescentou. Veja os principais pontos da sua entrevista.
Impacto na saúde
“A desestrutura familiar é um dos fatores da violência. Mas existem fatores financeiros. A violência só existe porque temos de sobreviver, temos de resistir a todas as situações que a sociedade impõe. E essas pessoas que se envolvem com a violência são normalmente fragilizadas, não têm condição de vida saudável, às vezes enfrentam a desnutrição, e isso vai construindo uma situação violenta em torno da pessoa. No livro ‘O impacto da violência na Saúde’ há uma constatação de que a violência não é apenas um problema de Justiça, mas também de saúde, porque gera muita morte, muitos acidentes, lesões, provoca impactos violentos e prejuízos ao poder público. A violência é o terceiro indicador de morte no País. É assustador, porque além de provocar mortes, está matando muitos jovens.”

Jovem foi esquecido
“A bebida, a droga, a questão da lei infringida por eles, estamos em busca de uma solução para resolver isso. Como medida inicial sou favorável à redução da idade penal, até que sejam implantadas outras medidas fortalecedoras. O País custou a descobrir que o jovem é que estava sofrendo mais. Tínhamos políticas para crianças e para adultos, e durante muitos anos o adolescente e o jovem ficaram esquecidos. Um exemplo está na área de saúde, onde temos médicos para crianças e adultos, mas não temos médicos para adolescentes, para atender toda essa transição, essas mudanças. O adolescente passou a ser responsabilidade unicamente da família. E para quem não tem família…De quem é a responsabilidade? Passou a ser do Estado. Mas o Estado não está sabendo digerir isso.”

Gravidez de menores
“Os jovens hoje os mais agredidos, sofrem mais violência, porque não há uma diretriz para eles. Devemos encarar os jovens não como um problema, mas como uma solução para o País. Escolas em período integral podem fornecer limites e diretrizes que eles não encontram em casa. Os jovens se perdem porque a criminalidade gera dinheiro, liberdade, sexo à vontade, tudo parece ser mais vantajoso. Além de tudo, eles são manipulados. Todo mundo é educado para o bem ou para o mal. Eles podem ser educados para o mal, para o tráfico de drogas, para a bebida. Percebemos muito esse aspecto quando ocorre gestação entre menores. Elas se sentem com poder quando se relacionam com um traficante. Ocorre o fato de várias meninas engravidarem do mesmo homem. Elas entendem que assim têm o poder. Não tem família, não tem um lar, não tem dinheiro, não tem emprego, não tem escola, mas tem um filho. É uma questão de posse.”

Turismo e comércio sexual
“Trabalhamos com desencadeadores de problemas. Por que a prostituição e o índice de violência estão aumentando em Corumbá? O fator social é muito grave. Para muitas meninas é mais fácil se prostituir do que trabalhar. Quando fiz uma pesquisa de prostituição em Corumbá existia o fantasma do turismo. Todo mundo dizia que aqui a prostituição era grande por causa do turismo. Mas essa tese caiu por terra. O turismo não aumenta a prostituição. O turista procura as boates, casas fechadas. A prostituição ocorre o ano inteiro, é formada por meninas daqui mesmo, elas não vêm de fora. A prostituição em Corumbá é muito grande, não só de solteiras, como de casadas. Elas não têm mais referência em casa, não querem estudar. Por isso é ótima a proposta de escola integral.”

Responsabilidade familiar
“Acredito que as pessoas menos favorecidas não recebem influência de internet e televisão. Na verdade, o que ocorre é a ociosidade mesmo, falta do que fazer. A maioria dos meninos está sem estudar, sem o primeiro grau completo. O maior exemplo foi o crime cometido por um menino de 16 anos (homicídio qualificado, domingo, 7 de junho, em Corumbá). Ele já tinha passagem pela polícia no interior, por causa de roubo de carro. Tem a quinta série incompleta. Nesse caso, a família não tinha nenhuma responsabilidade sobre ele. Penso que uma família nessa situação, que não deu condições para a criança crescer com integridade, não deve ter nenhum benefício social. Posso ser radical demais, mas quem deveria ter benefícios do governo seriam só famílias que produzem crianças de bem, com cultura para o País.”

Estuprador próximo
“De acordo com nossos indicadores, nos casos de estupro geralmente os causadores são pessoas próximas das crianças. Não é um estranho. Até bem pouco tempo, a criança era educada a ter medo do estranho, do bêbado, do mal vestido. Esqueceram de alertar que o próximo também podia agredir. A criança confiava cegamente nas pessoas próximas, no padrasto, enteado, primo, tio. Além disso, quem estupra gera medo, ameaça tirar o que a criança mais ama – teve um que ameaçava cortar a cabeça da avó da vítima. No caso de vítimas adultos, ocorre pela facilitação e o estupro quase sempre é ocasionado por estranhos. Na verdade, o estupro é quase sempre presumido. Antes dos 14 anos qualquer pessoa que passou por ato sexual é presumidamente vítima de estupro, mas às vezes nem se trata mesmo de estupro. A vítima e o autor não consideram estupro, às vezes são namorados, a família permite. Mas a lei entende que é estupro e por isso têm de ser indiciados.”

Bebê por droga
“Já recebi uma oferta de uma presidiária, traficante, usuária de crack, que me deixou chocada. Ela queria me dar sua filha, um bebê de nove meses, em troca de duas pedras de crack. Foi uma paciente que atendi dentro do presídio feminino. Ela não tinha mais nada para me oferecer e me ofereceu o bebê dela. Depois, quando a menina estava com um ano e pouco, já não convivia mais com ela no presídio, a mãe dela descobriu que ela tentava de novo trocar a criança por droga. Perdeu a noção completamente, perdeu o afeto familiar, não tinha mais vínculo com a criança. É questão de consciência. Precisamos trabalhar essa questão de identidade dentro da escola, com meninos e meninas, para que casos como esses não ocorram, para tentar construir um País melhor.”

Nelson Urt


Midiamax News
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14.6.09

A violência é um fenômeno antigo, portanto, acompanha as civilizações e recebe influências culturais. Fatos que antes podiam ser considerados fenômenos normais ou sofridos em silêncio, entre quatro paredes, hoje, são situações consideradas de violência e causam indignação na sociedade. O estupro marital, o abuso de crianças e o assédio no trabalho são exemplos dessas novas categorias de violência passíveis de punição na atualidade.
Prova dessa influência da cultura no fenômeno da violência, o incesto, que não é visto como crime em algumas sociedades, esclarece a psicóloga Elaine Marinho. Admite que o machismo, herança da sociedade patriarcal, influencia grande parcela de casos de violência ainda hoje. Outro fato importante é compreensão da sexualidade infantil, no século XIX. O fato tirou o sono de pais, médicos e professores que passaram a vigiar os pequenos.
Na atualidade, as crianças são consideradas objetos sexuais e vítimas potenciais até mesmo dos próprios pais e cuidadores mais próximos.
A psicóloga Elaine Marinho, concorda: “Antes, esses casos ficavam entre paredes e não eram divulgados por vergonha ou por ser considerado como algo normal”. Hoje, “esses casos são apresentados, por conta disso a sociedade já está mais ciente de seus direitos e começa a denunciar”.
Elaine Marinho denuncia casos de violência cometidos no Nordeste que possuem raízes no machismo que “autoriza” esse tipo de crime. No entanto, revela: “Isso não quer dizer que não existam casos desse tipo em outras regiões do País”.

”A violência é uma imposição“

Helena Damasceno – Psicóloga

A sutileza e a astúcia do agressor sexual é de tal forma que faz a vítima se sentir culpada. “Mas não temos culpa e nem somos vulneráveis porque queremos. A violência é uma imposição”, desabafa. O sofrimento físico e psíquico por ter sentido na própria pele os horrores do abuso sexual dos cinco aos 20 anos de idade, na própria família, deixou cicatrizes, mas que foram amenizadas. Após um trabalho terapêutico, a arte e a literatura serviram de fio condutor para “resignificar” a sua experiência de vida.
No livro “Pele de Cristal”, que prefere definir como resultado de um processo psicoterápico, conta como conseguiu resignificar a experiência do abuso vivido durante parte de sua vida.
“Hoje, aos 33 anos descobri que não tenho culpa e nem cometi crime algum”. Num tom leve, porém, firme, fala deste processo. O objetivo não é fazer com que pessoas que ainda teimam em esconder o lixo da violência sexual embaixo do tapete, não tenham medo.
“O abuso sexual não pode ser banalizado”, diz, ao mesmo tempo que alerta: este “outro” ou o “monstro” pode ser o tio, padrasto ou pai que coloca a sobrinha, a enteada ou a filha no colo.




Diário do Nordeste
link do postPor anjoseguerreiros, às 13:47  comentar


A violência é um fenômeno antigo, portanto, acompanha as civilizações e recebe influências culturais. Fatos que antes podiam ser considerados fenômenos normais ou sofridos em silêncio, entre quatro paredes, hoje, são situações consideradas de violência e causam indignação na sociedade. O estupro marital, o abuso de crianças e o assédio no trabalho são exemplos dessas novas categorias de violência passíveis de punição na atualidade.
Prova dessa influência da cultura no fenômeno da violência, o incesto, que não é visto como crime em algumas sociedades, esclarece a psicóloga Elaine Marinho. Admite que o machismo, herança da sociedade patriarcal, influencia grande parcela de casos de violência ainda hoje. Outro fato importante é compreensão da sexualidade infantil, no século XIX. O fato tirou o sono de pais, médicos e professores que passaram a vigiar os pequenos.
Na atualidade, as crianças são consideradas objetos sexuais e vítimas potenciais até mesmo dos próprios pais e cuidadores mais próximos.
A psicóloga Elaine Marinho, concorda: “Antes, esses casos ficavam entre paredes e não eram divulgados por vergonha ou por ser considerado como algo normal”. Hoje, “esses casos são apresentados, por conta disso a sociedade já está mais ciente de seus direitos e começa a denunciar”.
Elaine Marinho denuncia casos de violência cometidos no Nordeste que possuem raízes no machismo que “autoriza” esse tipo de crime. No entanto, revela: “Isso não quer dizer que não existam casos desse tipo em outras regiões do País”.

”A violência é uma imposição“

Helena Damasceno – Psicóloga

A sutileza e a astúcia do agressor sexual é de tal forma que faz a vítima se sentir culpada. “Mas não temos culpa e nem somos vulneráveis porque queremos. A violência é uma imposição”, desabafa. O sofrimento físico e psíquico por ter sentido na própria pele os horrores do abuso sexual dos cinco aos 20 anos de idade, na própria família, deixou cicatrizes, mas que foram amenizadas. Após um trabalho terapêutico, a arte e a literatura serviram de fio condutor para “resignificar” a sua experiência de vida.
No livro “Pele de Cristal”, que prefere definir como resultado de um processo psicoterápico, conta como conseguiu resignificar a experiência do abuso vivido durante parte de sua vida.
“Hoje, aos 33 anos descobri que não tenho culpa e nem cometi crime algum”. Num tom leve, porém, firme, fala deste processo. O objetivo não é fazer com que pessoas que ainda teimam em esconder o lixo da violência sexual embaixo do tapete, não tenham medo.
“O abuso sexual não pode ser banalizado”, diz, ao mesmo tempo que alerta: este “outro” ou o “monstro” pode ser o tio, padrasto ou pai que coloca a sobrinha, a enteada ou a filha no colo.




Diário do Nordeste
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A violência é um fenômeno antigo, portanto, acompanha as civilizações e recebe influências culturais. Fatos que antes podiam ser considerados fenômenos normais ou sofridos em silêncio, entre quatro paredes, hoje, são situações consideradas de violência e causam indignação na sociedade. O estupro marital, o abuso de crianças e o assédio no trabalho são exemplos dessas novas categorias de violência passíveis de punição na atualidade.
Prova dessa influência da cultura no fenômeno da violência, o incesto, que não é visto como crime em algumas sociedades, esclarece a psicóloga Elaine Marinho. Admite que o machismo, herança da sociedade patriarcal, influencia grande parcela de casos de violência ainda hoje. Outro fato importante é compreensão da sexualidade infantil, no século XIX. O fato tirou o sono de pais, médicos e professores que passaram a vigiar os pequenos.
Na atualidade, as crianças são consideradas objetos sexuais e vítimas potenciais até mesmo dos próprios pais e cuidadores mais próximos.
A psicóloga Elaine Marinho, concorda: “Antes, esses casos ficavam entre paredes e não eram divulgados por vergonha ou por ser considerado como algo normal”. Hoje, “esses casos são apresentados, por conta disso a sociedade já está mais ciente de seus direitos e começa a denunciar”.
Elaine Marinho denuncia casos de violência cometidos no Nordeste que possuem raízes no machismo que “autoriza” esse tipo de crime. No entanto, revela: “Isso não quer dizer que não existam casos desse tipo em outras regiões do País”.

”A violência é uma imposição“

Helena Damasceno – Psicóloga

A sutileza e a astúcia do agressor sexual é de tal forma que faz a vítima se sentir culpada. “Mas não temos culpa e nem somos vulneráveis porque queremos. A violência é uma imposição”, desabafa. O sofrimento físico e psíquico por ter sentido na própria pele os horrores do abuso sexual dos cinco aos 20 anos de idade, na própria família, deixou cicatrizes, mas que foram amenizadas. Após um trabalho terapêutico, a arte e a literatura serviram de fio condutor para “resignificar” a sua experiência de vida.
No livro “Pele de Cristal”, que prefere definir como resultado de um processo psicoterápico, conta como conseguiu resignificar a experiência do abuso vivido durante parte de sua vida.
“Hoje, aos 33 anos descobri que não tenho culpa e nem cometi crime algum”. Num tom leve, porém, firme, fala deste processo. O objetivo não é fazer com que pessoas que ainda teimam em esconder o lixo da violência sexual embaixo do tapete, não tenham medo.
“O abuso sexual não pode ser banalizado”, diz, ao mesmo tempo que alerta: este “outro” ou o “monstro” pode ser o tio, padrasto ou pai que coloca a sobrinha, a enteada ou a filha no colo.




Diário do Nordeste
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colaboradores: carmen e maria celia

Julho 2009
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