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17.7.09

O medo de morrer e de perder os únicos bens que possuía – um botijão de gás, uma televisão e um rádio – fizeram uma mãe denunciar a própria filha, viciada em crack, à polícia.
Tudo começou quando traficantes foram, na manhã de quinta-feira (16), até à casa da viúva A. M. S., 49 anos, para que ela pagasse a dívida de R$180 contraída por sua filha, A. L., 21, em uma boca-de-fumo de São Caetano.
Desesperada, a mulher buscou socorro na 4ªDP (São Caetano). “Prefiro entregar ela à polícia do que saber que apareceu morta por aí”, desabafou a mãe.
A. M. mora na Boa Vista de São Caetano, com as duas netas, Y. e V. de 1 e 3 anos – filhas de A. L.. Antes de ir para a delegacia, deixou escondido na casa da vizinha a televisão e o rádio.
O rapaz, que aparentava ter por volta de 30 anos, tinha prometido retornar armado e acompanhado para carregar o “pagamento”. “Conversei com ele, mostrei as contas de luz atrasadas e que não tinha como pagar. Aí ele disse que eu era muito valente”.

Invasão
Poucos minutos depois da denúncia, policiais da delegacia de São Caetano acompanharam a senhora até a rua onde mora. E o que A. M. encontrou foi a porta da casa arrombada, seus pertences revirados, sem o botijão de gás na cozinha. “Como vou esquentar a comida agora, meu Deus do céu?”.
O medo de A. M., agora, é que a dívida seja quitada de uma forma muito mais drástica. Temendo por sua vida e das netas, anotou com esperança o número dos policiais.

Reincidência
Não foi a primeira vez que A. M. foi ameaçada pelos traficantes do bairro. Há cerca de um mês, o mesmo homem esteve na sua casa cobrando o valor devido por sua filha. “Não vou e não posso perder minha vida por causa dela”, lamentou a dona de casa.
A falta de estrutura familiar já denunciava que os cinco filhos de A. M. teriam uma vida conturbada. Quando crianças, os filhos presenciavam o pai – o músico da banda Muzenza A. F. R. S. -, batendo na mãe e levando outras mulheres para dentro de casa.
O grande desequilíbrio do lar, porém, ocorreu em 1997, quando A. morreu. Para a viúva, teria sido este o motivo para A. L. se tornar tão rebelde. “Quando meu marido morreu, ela começou a aprontar”. Desde lá, a garota passou a ficar mais na rua que em casa e a “andar com umas amizades estranhas”, de acordo com relatos da mãe.
“ Eu passei a ir todos os dias no colégio porque ela ficava fazendo sacanagem com os colegas”, lembrou. Há cinco anos, a relação entre as duas piorou e A. L. fugiu de casa sem dar explicações. A filha só voltou para casa quando ficou grávida.
Um pouco depois de nascer J., no entanto, A. L. entregou a filha à mãe e, sem a menor piedade, foi embora. Já o pai da criança morreu logo depois do nascimento em um confronto com a polícia.
As visitas à filha J. só voltaram a ocorrer com mais frequência há um ano, quando a filha rebelde ficou grávida de novo. Nada diferente do primeiro caso, a pequena Y. também vive no acalento da avó. Ambas na esperança de rever a mãe, que se destrói no crack.

Região é disputada por traficantes
Pedidos de ajuda como o de A. M. S. ocorrem mais de uma vez por dia na unidade policial, explica o chefe do setor de investigação da 4ª DP, em São Caetano. “Não posso ficar com uma guarnição na porta da casa dela. Ela está com o telefone da gente. De vez em quando passamos com a viatura próxima”, afirmou Paulo Serra.
Segundo ele, pelo menos dez pequenos distribuidores estão em constantes disputas na região atendida pela delegacia e pulverizam o comércio de crack. “Um traficante foi morto em confronto na segunda-feira no Alto da Boa Vista, e já começaram as disputas pelos pontos de distribuição”.

Atos desesperados
Além do dependente, a família também precisa de acompanhamento para saber lidar com o vício e a violência dentro de casa. Segundo o psicólogo João Sampaio Martins, tentar compreender como age o crack pode evitar a adoção de atitudes como expulsar ou acorrentar os filhos. Martins é coordenador do grupo de trabalho de psicologia e usos de substâncias psicoativas do Conselho Regional de Psicologia.
Como uma mãe ou um pai que encara uma situação deve agir?
A orientação é de que a família procure a polícia, como fez a mãe dessa jovem, e também um serviço especializado para se fortalecer. É importante que os pais conversem com especialistas. Na verdade, os pais devem estar atentos para evitar chegar a este ponto e buscar ajuda logo que perceber o vício.

Onde são ofertados estes serviços aqui em Salvador?
No Caps, em Pernambués; no próprio Cetad ou na Aliança para Redução de Danos (serviço da Faculdade de Medicina da Ufba). Além de atender o usuário, seja em atendimento ambulatorial ou na própria comunidade, o acompanhamento familiar também é oferecido.
Sem saber o que fazer, famílias acabam adotando posturas incorretas, como expulsar o usuário de casa?
No desespero, muitos pais acabam até acorrentando os filhos. A orientação é para que procurem auxílio também na comunidade, na unidade básica de saúde, por exemplo, sobre quais as possibilidades de intervenção. Pode-se tentar atendimento no local de uso.

SERVIÇOS
Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas (CAPS-AD)Rua Tomaz Gonzaga, 23, Pernambués.Tel: (71) 3116-4699/4697
Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas (Cetad)Rua Pedro Lessa, 123, Canela.Tel: (71) 3336-3322
Aliança de Redução de Danos Fátima CavalcantiLargo da Vitória (Centro Social Esmeraldo Natividade).As consultas devem ser agendadas através dos telefones.Tel: (71) 3336-2030/ 6000
(Notícia publicada na edição impressa do dia 17/07/2009 do CORREIO)
Mariana Rios


Correio da Bahia

Denuncie o tráfico de entorpecentes!

“Não deixe um traficante adotar o seu filho!”

Forneça o máximo de informações possíveis: local, ponto de referência, nomes, apelidos, placas de autos, motos, horários, etc.; tudo que julgar útil.
link do postPor anjoseguerreiros, às 12:07  comentar

De Richard a 18 de Março de 2018 às 18:59
Excelente artigo, gostei da abordagem. Visite o meu pequeno site https://goo.gl/3JuZgr

De Richard a 18 de Março de 2018 às 19:09
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colaboradores: carmen e maria celia

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