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10.7.09

Apesar de apontado como uma instituição falida, o casamento ainda é muito valorizado. Com mulheres mais independentes e homens menos poderosos, entretanto, as crises estão mais comuns e a tolerância, menor. Muitas vezes, desiste-se do laço na hora da raiva e logo partese para outra, sem dar o tempo necessário para refletir se há amor e se vale a pena insistir.
Muitas pessoas criticam o casamento, mas depois de se separarem casam-se novamente. São otimistas. Não acreditam que o problema esteja na instituição, mas sim na pessoa escolhida. Aí, não desistem de tentar, achando que vão encontrar a felicidade por intermédio do outro e sempre apostando no parceiro seguinte.
A cada tentativa, fazem festas superproduzidas, com bolos incríveis, vídeos, shows. Alguns insistem porque valorizam o simbolismo da cerimônia, outros, porque querem garantir os direitos legais que provêm do matrimônio.
Sejam quais forem os motivos, o fato é que, apesar dos divórcios e complicações, e de se repetir incansavelmente que o casamento está falido, ele continua forte. Os parceiros é que já não são os mesmos.
Antigamente se casava pensando que era para sempre, e muitas vezes convivia-se com a infelicidade eternamente, mas ninguém pensava em separar-se.
Como diz a comédia, para a mulher era assim: "Não sou feliz, mas tenho marido".
Hoje, com a independência financeira das mulheres, as coisas mudaram. Se ela ganha o próprio dinheiro, tem casa, amigos, hobbies, pode sair com amigas, só precisa se casar se encontrar alguém que a complete afetivamente, por quem tenha atração sexual, que seja carinhoso, cúmplice, leal.
O homem, por sua vez, precisa aprender a lidar com a perda de poder.
Mas, mesmo quando tudo se encaixa, há momentos de crise em um casamento.
Os motivos? Um dos dois se interessa por outra pessoa ou se cansa da rotina, há falta de dinheiro, doença, mentiras, traição. Sem falar na perda de liberdade.

Quando tudo está bom, não se pensa nela, mas se há uma crise volta o desejo de estar só, aparece a vontade de se separar. Alguns entram em depressão.

Por um lado, acham que devem jogar tudo para o ar, querem ficar sós, encontrar outro parceiro.
Por outro, pensam no que vão perder: o amor, se ele existe, a casa organizada (ou não), a família do outro, o convívio com os filhos e por último, mas não menos importante, tem a parte financeira.

Quem se separa (a não ser que seja muito rico), sempre fica mais pobre.

Afinal, o valor das contas dobra.
Então, o que seria um motivo legítimo para uma separação? Bem, em algumas situações, pelo perigo que representam, ela é necessária.
Falo de violência física ou psicológica, de parceiros alcoólicos ou drogados.

Para outras circunstâncias o desfecho depende do limite pessoal dos envolvidos.
Há casais que, juntos, conseguem resolver casos de traição, de falta de dinheiro, de diferenças de opinião, até de desinteresse sexual.
Os dois abrem o coração e encontram o jeito de se reaproximar.
Às vezes, procuram uma terapia de casal.
O que nunca se deve fazer é separar-se no momento da raiva, por impulso ou por vingança.
A decisão deve ser pensada e discutida com um amigo, um terapeuta. Quando estamos tomados pela raiva, pela humilhação, pelo ciúme, devemos esperar a cabeça esfriar e depois nos dar um tempo para refletir sobre as consequências da escolha.
Depois de um ou dois meses teremos condição de saber o que é melhor. Se concluirmos que ainda há amor, que podemos perdoar, ou nos desculpar, então é voltar atrás e reatar sem mágoas, podendo renovar o amor e sabendo que na presença dele dá para sobreviver a qualquer crise.

Leniza Castello Branco, psicóloga e analista junguiana na capital paulista, é membro da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica (SBPA).

E-mail: leniza@castellobranco.com


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