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26.5.09
CAMPO GRANDE e SÃO PAULO - Considerada a capital do Pantanal, Corumbá, no Mato Grosso do Sul, registra desde o início do ano pelo menos 137 focos de incêndio todos os dias. É o equivalente a 80% de todas as queimadas registradas no estado.
Além do estrago ambiental, há outro prejuízo para a natureza: ao fugir do fogo, animais silvestres como tamanduás, onças, jacarés e tatus acabam sendo atropelados no trecho de 240 quilômetros da BR-262 entre Corumbá e Miranda.
A seca, que pode ser a maior nos últimos 36 anos , ajuda a espalhar o fogo, mas é o homem o maior responsável pelo grande número de queimadas no Mato Grosso do Sul. Desde o início do ano os satélites registraram 859 focos de incêndio. Só em maio, foram 285 novos pontos de queimadas. Elas são provocadas por pecuaristas e até mesmo por pescadores.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) não tem números oficiais dos atropelamentos e mortes de bichos. Mas um viajante que percorre esse trecho da BR, encontra até uma dezena de animais feridos ou mortos pelo caminho.
- Temos neste momento três filhotes de tamanduá-bandeira e um de queixada que foram resgatados em rodovias. A hipótese mais provável é que a mãe tenha sido atropelada. No caso dos tamanduás, os animais têm ferimentos nas patas, porque foram obrigados a largar da mãe e acabaram sendo encontrados sozinhos. O filhote de queixada pode ter se perdido do bando - explica a bióloga e veterinária Mariana Mirault Pinto, do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras) de Campo Grande.
Este ano existe uma preocupação adicional. O Pantanal já vive o período mais seco dos últimos 35 anos, e o pico da estiagem ainda nem começou. Na prática isso significa que a seca tende a se intensificar, aumentando o número de focos de incêndio.
- A partir de julho, quando a seca se intensifica na região, recebemos muitos animais queimados, que não conseguiram fugir. Este ano, a chegada dos bichos queimados pode começar mais cedo - diz a bióloga do Cras.
No ano passado, foram tratadas queimaduras em antas, filhotes de onça, tatus e jabutis. Mas são as aves as maiores vítimas no período da estiagem.
- Elas costumam se reproduzir entre agosto e setembro. Com o fogo, há perdas de ninhos, ovos e filhotes - diz Márcio Yule, coordenador do Prevfogo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama).
De acordo com Yule, a fumaça das queimadas neste momento também dificulta a vida dos animais silvestres, que ficam desorientados. Os mais lentos, como os tamanduás, acabam cercados pelo fogo, não conseguem fugir e morrem.
- Mesmo nas queimadas, existem áreas com água que viram refúgio dos animais. Mas quando eles ficam desorientados, não conseguem encontrá-las - diz Yule.
As queimadas e o desmatamento agravam o problema dos atropelamentos, já que os animais acabam sendo empurrados para áreas próximas de cidades maiores em busca de alimento. Na semana passada, um filhote de onça parda se refugiou por 16 horas numa árvore em Corumbá. Provavelmente, o filhote macho de dois anos foi à cidade procurar alimento. O resgate do bicho foi desastroso: ele foi sedado com um dardo e caiu fora da rede de proteção. Ficou atordoado, mas saiu vivo.
O Globo On Line
link do postPor anjoseguerreiros, às 10:36  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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