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7.6.09
KIGALI, Ruanda - O quadro de uma Ruanda triste e melancólica, com a população vivendo à sombra de um genocídio, ganha novos tons. Alegres talvez seja a palavra mais apropriada para descrever os habitantes deste país localizado na região dos Grandes Lagos, na África Central. Mais fascinante do que qualquer beleza natural - e são muitas - o sorriso no rosto das crianças é o melhor de todos os cartões-postais. A simpatia do povo inspira o lema de Ruanda, chamado de "o país das mil colinas e dos milhões de sorrisos".
Claro que as marcas do conflito, que há 15 anos deixou 800 mil mortos, ainda estão espalhadas pela população do país. Mas Ruanda é muito mais do que cenário de uma tragédia étnica. O país abriga os gorilas-das-montanhas, espécie ameaçada de extinção. Ruanda e os vizinhos Uganda e República Democrática do Congo, ambos ao Norte, são os únicos países onde o gorila-das-montanhas pode ser encontrado. A população da espécie foi reduzida em até 60% nas últimas décadas, devido à caça e à epidemia do vírus Ebola. Muitos foram mortos na época do genocídio ou durante a guerra civil na RDC, nos anos seguintes. Hoje Ruanda faz campanha pela preservação dos animais. Nos hotéis de Kigali, a capital, cartazes convocam as pessoas para escolher nomes de recém-nascidos bebês gorilas, as principais estrelas do turismo ruandês.
Ruanda tem também o belíssimo Lago Kivu, vulcões adormecidos e belas montanhas que tomam quase todo o seu território. Não à toa, o turismo é uma das fontes de renda que contribuem para reerguer a economia após o fim da violência étnica. E faz mais: ajuda a recuperar a autoestima do povo e a imagem do país no restante do mundo.
O país ainda preserva traços europeus da colonização belga. Cerca de 90% da população vive das plantações de banana, café e chá. Ruanda é um dos menores países do continente - sua área de 26.338km é quase da metade do tamanho do Estado do Rio - e um dos mais populosos, com mais de oito milhões de habitantes. Sua extensão e as boas condições da malha rodoviária são um convite a botar o pé na estrada. É possível ir de um extremo ao outro de suas fronteiras, de carro, em apenas seis horas.

Kigali é a cidade mais populosa e desenvolvida. Bonita, limpa e organizada, fica no centro do território, numa crista entre dois vales. Suas ruas são, em geral, arborizadas e bastante movimentadas, com pedestres disputando espaço com mototáxis, o principal meio de locomoção. Hoje Ruanda é um dos países mais seguros da África. Em Kigali é possível andar despreocupadamente com câmeras e bolsas a tiracolo, mesmo à noite. Não se assuste com os olhares curiosos. As crianças são as mais desinibidas com os forasteiros. Aproximam-se sempre em grupos, e cumprimentam com um "Ça va" ou "Hello" - francês, inglês e o dialeto local quiniaruanda são as três línguas oficiais de Ruanda. O bairro muçulmano é um dos melhores lugares de Kigali para se fazer compras. Há muita variedade de roupas típicas e de objetos de decoração, tudo a preços bem em conta. Na capital, no final da tarde, uma boa pedida é tomar uma cerveja Primus bem gelada nos bares do centro ou comer uma pizza na cantina italiana Sole Luna, assistindo ao pôr do sol atrás das colinas. Kigali tem boa oferta de restaurantes e de hotelaria - vários hotéis são equipados com internet wireless e minibar. Mas um, em especial, ficou conhecido em todo o mundo. É o Hôtel des Mille Collines, famoso por causa do premiado filme "Hotel Ruanda", do irlandês Terry George, lançado no Brasil em 2005.
A entrada, a recepção, os quartos, o jardim, a piscina, tudo que os espectadores do filme "Hotel Ruanda" viram no cinema continua lá, quase do mesmo jeito. O Hôtel des Mille Collines já não ostenta o luxo de antigamente, e perdeu o posto de melhor hotel de Ruanda. Mas desde que foi descoberto por Hollywood, nunca desfrutou de tanto glamour. Se visitá-lo nos leva a nos imaginar por alguns instantes personagem do filme, hospedar-se nele torna a experiência completa.
O charmoso restaurante do subsolo e o jardim com suas mesinhas ao ar livre são os pontos altos. O serviço também é excelente. Mas é bom ir treinando algumas palavras em francês, porque o idioma continua sendo o número um no Mille Collines. Mas para um hotel quatro estrelas, os quartos deixam a desejar - televisões antigas e camas de solteiro improvisadas no quarto de casal são os inconvenientes. No entanto, a popularidade do Mille Collines continua a atrair hóspedes e visitantes, e a lojinha de suvenires é um dos lugares mais procurados. ( leia mais sobre hospedagem em Ruanda )

Passeio ao Parque dos Vulcões leva aos gorilas-das-montanhas

Conhecer os gorilas-das-montanhas no Parque Nacional dos Vulcões, no Noroeste do país, é um investimento caro - US$ 500 para ficar apenas uma hora frente a frente com os animais. O uso de câmeras fotográficas e, principalmente, filmadoras é restrito. Mesmo assim, não volte para a casa sem esta experiência. Por medida de segurança, o guia recomenda que os visitantes mantenham três metros de distância dos gorilas. É comum que se agitem na presença dos turistas e batam no peito. Não entre em pânico: eles são pacíficos e tolerantes à presença humana. Para visitá-los é preciso uma autorização, que pode ser obtida no mesmo dia, no próprio parque. O local tem 130 quilômetros quadrados e fica na fronteira com Uganda e República Democrática do Congo. Está numa cordilheira formada por seis vulcões adormecidos e dois ativos - Nyiragongo (3.462 metros) e Nyamuragira (3.063 metros), que entraram em erupção pela última vez em 2002. O Monte Karisimbi, com 4.507 metros, é o ponto mais alto de Ruanda. O parque é um dos mais antigos da África. Foi inaugurado em 1925 e serve também para caminhadas e montanhismo - chegar ao topo do Karisimbi pode levar dois dias.
O Lago Kivu fica a três horas horas de Kigali. Com 2.700 quilômetros quadrados, ele delimita boa parte da fronteira com a República Democrática do Congo. Como quase tudo no país, o lago está entre as montanhas, a uma altitude de 1.460 metros. Suas águas são mornas e convidativas, mas é preciso ter atenção aos locais onde é proibido nadar. Como o lago fica próximo a uma região de vulcões, os gases permanecem ativos em alguns pontos. Oriente-se pelas placas ou informe-se nos hotéis. Aproveite o dia em uma das praias da margem do lago ou embarque num passeio de barco até suas ilhas virgens - empresas particulares e hotéis oferecem o serviço. Uma das mais visitadas chama-se Chapéu de Napoleão, que ganhou esse nome devido ao formato semelhante ao de um chapéu militar francês. O terreno íngreme da ilha é ideal para caminhadas e escaladas.
O Globo On Line
link do postPor anjoseguerreiros, às 17:41  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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