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12.3.09
Para quem está esperando por um transplante, uma semana é muito tempo. Por isso, Rosa Stutzel, mãe da pequena Thaís Stutzel, de 4 anos, que sofre de leucemia, insistiu até que conseguiu antecipar a colocação do cateter na filha para hoje, às 9h, no Instituto Nacional de Câncer (Inca).

- Estava tudo marcado para a próxima semana, mas não queremos atrasar. Queremos fazer logo o transplante - diz Rosa.

Thaís volta para casa com o cateter. Na próxima terça, quando o cateter já deve ter cicatrizado, a menina se interna no Inca para a primeira fase do transplante de medula - quimioterapia e radioterapia

Relembrando
Menina de 4 anos depende de transplante de medula óssea para sobreviver

RIO - No início de junho, a pequena Thaís, de 4 anos, levou um tombo na escola. A queda, aparentemente boba, representou o início do drama não só da menina, mas de toda a sua família: foi a partir do acidente que a palavra "leucemia" entrou, sem dar aviso prévio, na casa dos Stutzel. Palavra que assusta, que entristece, que machuca, mas que não é mais forte do que outra, pronunciada com muito mais ênfase: "esperança". É ela que faz com que não só a pequena niteroiense, mas também cerca de mil outros brasileiros sigam em frente. Sem ter ninguém compatível entre os parentes, eles dependem de um transplante de medula óssea de um desconhecido para sobreviver
Há mais de dois meses, Thaís faz quimioterapia para conseguir, ao menos, controlar seu quadro - que é especialmente grave por conciliar dois tipos de leucemia, a linfóide e a mielóide. Enquanto ela não encontra um doador compatível, os medicamentos com fortíssimos efeitos colaterais, que a obrigam a passar dias internada, ligada a uma máquina, compõem a única forma de mantê-la viva. As chances da menina aumentam na proporção em que cresce o número de pessoas se cadastrando no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome).

Muitos podem ajudar
Qualquer pessoa saudável, de 18 a 55 anos, pode se candidatar. Num primeiro momento, é feita só uma coleta de 10ml de sangue, que passa por um exame de histocompatibilidade (HLA) para identificar suas características genéticas. Estas são lançadas, então, num sistema informatizado, que as cruzam com as dos doentes. Só quando os perfis são 100% compatíveis é que se faz a convocação para a doação.
- A Thatá fica muito debilitada, já perdeu mais de dois quilos durante esse processo. Mas procuro não pensar nas conseqüências que podem vir. Só quero que as pessoas saibam que um exame de sangue simples que elas façam pode fazer a diferença para alguém - diz a mãe da menina, a professora Rosa Stutzel, de 37 anos.

Descoberta ao acaso
Embora vários exames não demonstrassem fraturas ou traumas em Thaís após sua queda, a menina passou os dias seguintes chorando, com dores. Outros dois tombos, também ocorridos por acaso, só tornaram maior seu sofrimento. Estranhando a reação da criança, sua pediatra desconfiou de que ela poderia ter um problema mais grave, e solicitou um hemograma - que revelou os sinais da leucemia.
Ao se constatar a necessidade do transplante, a irmã e os pais da menina fizeram o teste de HLA. Nenhum deles, entretanto, é compatível com ela.

Procedimento, seguro, é feito em vida
Assim como Thaís, cerca de mil brasileiros depositam toda a sua esperança no Redome, onde tentam encontrar um doador compatível. São pessoas - muitas delas, crianças - que sofrem não só de leucemia, mas de várias outras doenças, como anemias graves, alterações genéticas e aplasias.
Também conhecida como tutano, a medula óssea é um tecido líquido que ocupa o interior dos ossos. É nela que são produzidos os componentes do sangue: as hemácias (glóbulos vermelhos que transportam o oxigênio), os leucócitos (glóbulos brancos que agem na defesa do organismo) e as plaquetas (responsáveis pela coagulação).
Diferentemente do que ocorre em relação à maioria dos órgãos e tecidos, o transplante de medula óssea é feito em vida: o doador se interna e tem alta em 24 horas, após passar pelo procedimento, considerado extremamente seguro.

Campanhas na internet
A conscientização sobre o problema e as campanhas alertando para o tema (como as mantidas em várias comunidades do site de relacionamento Orkut e em blogs, como o http://amigosdathaiss.blogspot.com/) vêm fazendo aumentar, nos últimos anos, o número de doadores. Ainda assim, o total é só razoável, segundo o diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Luís Fernando Bouzas.
'Hoje, temos 735 mil doadores cadastrados'
Por que é tão importante as pessoas se cadastrarem no Redome?
As chances de um irmão do doente ser compatível são de 25%. Pelo menos 70% dos pacientes dependem mesmo é de um doador que vão encontrar na população em geral. Por isso é tão importante termos um registro grande.
Quantos doadores existem, hoje, no Brasil?
Até 2003, o nosso registro era muito pequeno, tinha só 30 mil pessoas. De 2004 para cá, com o aumento do número de doadores, conseguimos realizar mais de 600 transplantes. Hoje, temos cerca de 735 mil doadores cadastrados. É um número bastante razoável, mas é preciso melhorar muito.

É possível buscar doadores em outros países?
Sim, nós fazemos isso. Mas a população do Brasil tem uma característica forte de mistura de raças, por isso é praticamente impossível encontrar uma pessoa compatível com nossos pacientes em locais de raças muito selecionadas, como a Suíça.
O que acontece quando um doador é considerado compatível com um doente?
Essa pessoa passa por novos exames para checar se está em condições plenas de saúde. Então é levada para o centro cirúrgico, onde, sob anestesia, tem de 10% a 12% da medula retirada por meio de punções no osso da bacia. Essa quantidade é reconstituída em uma semana, 15 dias. O doador tem alta em 24 horas. É um procedimento extremamente seguro.

Há pessoas que desistem de doar na hora H?
Nossa grande dificuldade não é essa, mas é encontrar o doador que muda de endereço ou de telefone. É importante manter os dados atualizados. A pessoa pode ser chamada dez anos após ter se registrado. Cadastro
Toda pessoa saudável de 18 a 55 anos pode se cadastrar no Redome. No Rio, a inscrição pode ser feita no Inca e no Hemorio. Informações: 2506-6064 e 0800 2820708 (que orienta sobre unidades de outros municípios).


fonte:EXTRA ON LINE
tags:
link do postPor anjoseguerreiros, às 15:53  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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