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15.5.09
Um fenômeno da física quântica previsto por Albert Einstein em 1935 e comprovado experimentalmente só na década de 1980 foi objeto agora de um estudo sobre sua ocorrência em condições reais, fora das lousas dos teóricos e dos ambientes assépticos dos laboratórios. Em artigo na revista "Science", um grupo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) descreve a dinâmica do emaranhamento, uma espécie de "telepatia" entre partículas.
De tão bizarra, a existência real do emaranhamento na verdade tinha sido descartada por Einstein, que postulou o fenômeno para tentar provar que a física quântica estava errada.
Experimentos feitos desde a década de 1980, porém, mostraram que, de fato, duas partículas podem permanecer emaranhadas, mesmo estando separadas por grandes distâncias.
O estranho do fenômeno é que, quando uma dessas partículas é observada e adota uma certa característica (velocidade ou orientação), a outra instantaneamente assume a mesma forma, como se estivesse sabendo o que aconteceu com sua companheira, mesmo que estejam a quilômetros de distância uma da outra.
Na tentativa de zombar do emaranhamento, Einstein o chamou de "ação fantasmagórica à distância", mas a teoria que o embasa se mostrou correta no fim.
O que cientistas não sabiam era como o emaranhamento se comporta na realidade. A ideia da "telepatia" foi confirmada no plano teórico e em experimentos que mostravam casos muito especiais. Não se sabia, porém, o quanto isso era válido para situações reais, nas quais o ambiente pode perturbar e destruir o estado emaranhado.
É como conhecer a lei da inércia, que prevê movimento perpétuo, mas constatar que a realidade não é bem assim. "Se você dá um peteleco numa bola, ela acaba parando por causa do atrito do chão e do ar", diz Luiz Davidovich, do Laboratório de Óptica Quântica da UFRJ, um dos autores do estudo. "Sabendo o atrito, a gente descreve a dinâmica do movimento da bola. Será que a gente conseguiria ter uma equação para o emaranhamento assim como a da dinâmica no tempo da velocidade de uma bola?"
Para lidar com essa questão, os pesquisadores elaboraram um experimento para emaranhar fótons (partículas de luz) emitidos por um aparelho de laser. Conduzindo experimentos e enquadrando --os em equações, os pesquisadores conseguiram criar uma lei mais geral para prever como um sistema de partículas emaranhado perde o emaranhamento, da mesma forma que uma bola perde seu movimento no atrito.
"Nós ampliamos uma lei que diz como processos quânticos como o emaranhamento são afetados quando existe esse tipo de ruído", diz Oscar Jiménez, autor principal do estudo.
Este é o segundo trabalho que o grupo da UFRJ publica na "Science", depois de ter emplacado também um na "Nature". As duas revistas são as mais disputadas do mundo para artigos científicos. Sem equipamentos de última geração, os brasileiros têm conseguido publicar artigos de alto impacto.
E não se pode dizer que esse campo de trabalho não tenha concorrência: o emaranhamento está na base da proposta dos chamados computadores quânticos, máquinas ainda em fase de projeto que poderão um dia realizar cálculos impraticáveis para a informática atual.
Questionado sobre o segredo desse sucesso, Davidovich diz que é preciso "ter muita imaginação". Essa criatividade, agora, está turbinada por uma nova máquina de laser, que permite experimentos mais ousados.


Folha Online
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colaboradores: carmen e maria celia

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