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26.5.09
No dia 23 de dezembro de 1995, na cidade de São Paulo (SP), Fabiana Silva saiu de casa por volta das 20h para ir a um aniversário com uma amiga da escola. “Começou a cair uma chuva forte. Fiquei preocupada e fui até a casa da aniversariante, mas minha filha já tinha ido embora. Passei na casa de outra amiga. Não a encontrei. Desesperada, procurei nas imediações, e nada. De madrugada, às 3h da manhã, fui à delegacia fazer o boletim de ocorrência. Não consegui, porque ainda não havia passado 24h. Fiz a queixa após o tempo determinado, mas nunca tive nenhuma informação concreta sobre ela. Na época, ela tinha 13 anos. Hoje, ela teria 27”, lembra emocionada a mãe de Fabiana, Ivanise Esperidião da Silva.
Essa é uma das muitas histórias de mães que têm filho desaparecido no Brasil. Apesar da dificuldade de contabilizar o número de casos, de acordo com levantamento da organização não-governamental (ONG) Mães da Sé, realizada com base em dados do Ministério da Justiça, ocorrem cerca de 10 mil casos de desaparecimento envolvendo crianças e adolescentes anualmente no país.
“Quando minha filha desapareceu fiquei desesperada. Cheguei ao meu limite da loucura. Procurei ajuda e não encontrei nenhuma organização aqui em São Paulo”, lembra Ivanise. Para divulgar a foto de sua filha, ela preencheu o cadastro do Centro Brasileiro em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, instituição localizada na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Em seguida, foi chamada para participar da novela Explode Coração, da TV Globo, que destinava um espaço para apresentar as histórias das mães da Ceilândia, no Rio de Janeiro.
Dois dias após a exibição do capítulo que veiculou o caso de Ivanise, a mãe foi procurada por duas jornalistas. No final da reportagem produzida foi colocado o número de telefone de Ivanise para que outras mães na mesma situação entrassem em contato. O telefone não parou de tocar. O pedido de ajuda de tantas mães levou Ivanise a pensar em um movimento parecido com o das Mães da Ceilândia.
“O primeiro lugar que pensei para o encontro foi a Praça da Sé, marco zero da cidade e marco também das lutas civis. Desde então, todo domingo, às 10h da manhã, reunimos as mães na escadaria da catedral”, explica Ivanise, que considera o primeiro encontro ocorrido na Sé, no dia 31 de março de 1996, a fundação da ONG Mães da Sé.
A entidade sem fins lucrativos busca unir e fortalecer as mães, oferecendo apoio psicológico e jurídico também aos familiares e amigos de pessoas desaparecidas. Uma das ações mais importantes das Mães da Sé é a campanha de divulgação das fotos dos desaparecidos na Internet, em emissoras de TV e no verso de tickets distribuídos nos pedágios das rodovias paulistas. “A divulgação é o único meio que temos de localizar quem procuramos”, afirma Ivanise.
A organização tem mais de 6 mil desaparecidos cadastrados atualmente. Para incluir um caso no cadastro da instituição, é preciso uma cópia do boletim de ocorrência, cópia do documento do desaparecido e uma autorização de uso de imagem para divulgação das fotos. Apesar da instituição estar localizada na cidade de São Paulo, casos do país inteiro podem ser cadastrados no site.

Falta de números precisos
O Brasil ainda não dispõe de um cadastro nacional de pessoas desaparecidas, o que impossibilita saber o número exato de casos. Além da precariedade dos sistemas de informação, a ausência de comunicação entre as policiais civil, militar e federal dificulta ainda mais o levantamento preciso dos dados.
A Secretaria Especial dos Direitos Humanos, órgão ligado ao Governo Federal, desenvolveu o site http://www.desaparecidos.mj.gov.br/Desaparecidos/, que reúne informações sobre desaparecimentos de crianças e adolescentes. No endereço existem 1.322 registros, mas que não abrangem todos os casos. A alimentação depende do envio de dados da polícia. No entanto, essa atualização não ocorre com frequência.
De acordo com as estatísticas do site, o número de casos solucionados é de 725 e a principal causa de desaparecimento ocorre por fuga do lar por conflitos familiares.
Diante da falta de dados, todo ano a ONG Mães da Sé realiza um levantamento a partir dos seus próprios registros. Segundo essa fonte, até 31 de março de 2008, 1.826 pessoas cadastradas foram encontradas vivas e 192 mortas no país.
Segundo Ivanise, os três principais tipos de casos solucionados são: pessoas que se perdem e são encontradas em abrigos; crianças que fogem de casa e são encontradas nas vias públicas; e adultos com problemas psicológicos que são encontrados em hospitais.

Questão dos trotes
Outro grande problema enfrentado pelas mães com filhos desaparecidos é o trote. Oportunistas se aproveitam da situação para dar informações erradas e até para extorquir dinheiro.
Francisca Ribeiro Santos sofre com o desaparecimento de seu filho Hugo Ribeiro Santos Camargo. O menino de 10 anos foi visto pela última vez pela tia em frente de casa há 1 ano e cinco meses. Logo após as divulgações da foto do garoto, Francisca começou a receber muitos trotes. Em um deles, uma mulher dizia ter sequestrado Hugo. Com a ajuda da polícia, a mãe descobriu o trote. ”O que essa mulher queria era se aproveitar da situação para ganhar dinheiro. Isso é muito triste para gente”, diz Francisca.
A mãe de Hugo faz parte da entidade da Sé. Quase todos os dias, ela vai à sede da instituição para ajudar outras pessoas com filhos desaparecidos. Essa troca tem ajudado Francisca na luta pela localização do filho. “Não podemos desistir nunca. Eu tenho esperança de reencontrar o Hugo”.

Talita Mochiute e Vivian Lobato


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