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27.6.09

A síndrome de Munchausen é uma doença psiquiátrica em que o paciente, de forma compulsiva, deliberada e contínua, causa, provoca ou simula sintomas de doenças, sem que haja uma vantagem óbvia para tal atitude que não seja a de obter cuidados médicos e de enfermagem.
A síndrome de Munchausen "by proxi" (por procuração) ocorre quando um parente, quase sempre a mãe (85 a 95%), de forma persistente ou intermitentemente produz (fabrica, simula, inventa), de forma intencional, sintomas em seu filho, fazendo que este seja considerado doente, ou provocando ativamente a doença, colocando-a em risco e numa situação que requeira investigação e tratamento.
Às vezes existe por parte da mãe o objetivo de obter alguma vantagem para ela, por exemplo, conseguir atenção do marido para ela e a criança ou se afastar de uma casa conturbada pela violência.
A síndrome de Münchausen por procuração é uma forma de abuso infantil. Além da forma clássica em que uma ou mais doenças são simuladas, existem duas outras formas de Munchausen: as formas toxicológicas e as por asfixia em que o filho é repetidamente intoxicado com alguma substância (medicamentos, plantas etc) ou asfixiado até quase a morte.
Frequentemente, quando o caso é diagnosticado ou suspeitado, descobre-se que havia uma história com anos de evolução e os eventos, apesar de grosseiros, não foram considerados quanto a possibilidade de abuso infantil. Quando existem outros filhos, em 42% dos casos um outro filho também já sofreu o abuso (McCLURE et al, 1996). É importante não confundir simulação (como a doença simulada para se obter afastamento do trabalho, aposentar-se por invalidez, receber um seguro ou não se engajar no serviço militar).
A doença pode ser considerada uma forma de abuso infantil e pode haver superposição com outras formas de abuso infantil. À medida que a criança se torna maior há uma tendência de que ela passe a participar da fraude e a partir da adolescência se tornarem portadores da síndrome de Münchausen clássica típica em que os sintomas são inventados, simulados ou produzidos nela mesma. Ao contrário do abuso e violência clássica contra crianças, as mães portadoras da síndrome de Münchausen não são violentas nem negligentes com os filhos.
O problema, descrito a primeira vez por Meadow em 1977, é pouco conhecido pelos médicos e sua abordagem é complexa e deve envolver o médico e enfermagem, especialistas na doença simulada, psiquiatras/psicólogos, assistentes sociais e, mais tarde, advogado e diretor clínico do hospital e profissionais de proteção da criança agredida (Conselhos Tutelares e Juízes da infância).

Quando suspeitar

- Doença prolongada e inexplicável, tão extraordinária que mesmo os especialistas mais experientes garantam que "nunca viu nada parecido com isto antes".
- Quadros repetidos, cíclicos ou contínuos que não se encaixa bem em nenhuma doença, com história, evolução, resultados de exames e repostas terapêuticas estranhas, incomuns ou inconsistentes e que começam a parecer insolúveis apesar dos esforços médicos.
- Sintomas que parecem, impróprios, inverossímeis, incongruentes e que só ocorrem na presença da mãe.
- Extensa propedêutica é negativa ou dá resultados pouco consistentes.
- Os sintomas e eventos principais predominam à noite quando a supervisão é menor
- Predominam os casos gastroenterológicos mas qualquer doença pode ser simulada
- Tratamento é sempre ineficaz ou não é tolerado ou deixa de funcionar após algum tempo.
- Mãe que alega que a criança é alérgica a uma grande quantidade de drogas ou alimentos.
- A doença piora quando se cogita da alta hospitalar
- Inconsistência do tipo "sangra mas não anemia", anotações de febre sem aumento concomitante da FC e FR,
- Quando determinado evento está sendo extensamente pesquisado por exames que dão negativos, novos sintomas aparecem e as queixas mudam.
- Quando se nota uma certa expectativa e ansiedade por procedimentos mais invasivos e cirurgias

Texto: Dr. Reynaldo Gomes de Oliveira
Fonte: Munchausen Brasil
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colaboradores: carmen e maria celia

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