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28.5.09

Há menores desaparecidos há dezenas de anos em Portugal. Polícia passa a ter nos carros patrulha a identidade de suspeitos e vítimas. Dados partilhados também com outros países

Jorge Manuel Duarte Lopes Sepúlveda está desaparecido desde 15 de Agosto de 1991. Um jovem de 14 anos, natural do Porto, e que até hoje nunca mais foi visto. Uma tragédia que podia ter sido solucionada. Esta segunda-feira, 13 anos depois do seu desaparecimento, foram criados mecanismos que pretendem encontrar as crianças desaparecidas de forma mais eficaz.
Um jovem que, tal como Jorge Manuel, desapareça de casa dos seus pais, em pleno dia quente de Agosto, tem agora mais possibilidades de ser encontrado. Uma base de dados internacional permite que cada agente de autoridade, em 19 países europeus, saiba as principais características de todas as crianças dadas como desaparecidas.
«Este protocolo assinado com o Instituto de Apoio à Criança (IAC) permite que todo o país e as entidades estrangeiras saibam em tempo recorde que uma criança, por exemplo, dos Açores está desaparecida. Qualquer tentativa de passar por fronteiras pode ser descoberta», explicou ao PortugalDiário o subintendente Torres Rodrigues, representante da PSP na rede nacional de combate ao fenómeno das crianças desaparecidas e exploradas sexualmente.
A comunicação por parte da PSP a todas as autoridades, incluindo ao IAC, dos desaparecimentos permite não só uma troca de informações muito abrangente, como também a actualização de estatísticas da realidade portuguesa.
Informações que podem fazer a diferença. A Polícia Judiciária é a força policial que em Portugal tem a seu cargo as investigações de crianças desaparecidas. Ao consultar a página na Internet da PJ facilmente percebemos que as crianças desaparecidas há mais tempo, são aquelas sobre as quais há menos informação. Menos pistas por onde começar uma investigação. E menos hipóteses de serem encontrados. José Manuel é um dos jovens que não beneficiou de ter o seu desaparecimento anunciado nas principais esquadras europeias.

Redes de tráfico de menores que actuam em Portugal
Um facto que muitos assumem, mas que ninguém sabe dizer ao certo onde, quando e sobretudo quem. O novo sistema de interligação de autoridades promete colmatar a falta de informações que existe.
O sistema POS, (Point Of Sale)- o terminal de informação que permite às polícias cobrar multas na hora a condutores infractores - vai também ser utilizado na caça a eventuais raptores de crianças. «Caso haja um alerta de uma criança desaparecida podemos introduzir o número do Bilhete de Identidade no POS de um indivíduo suspeito e averiguar se este é procurado», esclareceu o subintendente da PSP.
Em Portugal, a maior parte das crianças desaparecidas fogem de casa ou são «raptadas» pelo pai ou mãe desrespeitando as ordens de poder paternal dadas pelos tribunais. Os casos de exploração sexual detectados são essencialmente de crianças e jovens que, de livre vontade, se inserem em redes de prostituição. «Não deixam de ser crianças desaparecidas e exploradas sexualmente, mas aqui a principal resposta é dada pelo IAC», afirmou.
A comunicação ao IAC traz vantagens especialmente no apoio às próprias crianças e às famílias. Os poucos jovens perdidos em Portugal ou as muitas crianças fugidas de casa, vão muitas vezes parar às celas das esquadras de todo o pais. Não porque fiquem detidas, mas sim porque não têm para onde ir. Em muitos casos não têm o que comer ou vestir. O papel de apoio é feito pelos agentes que chegam a levar as crianças para dormir nas suas casas. Uma situação que agora poderá ser colmatada muito mais rapidamente através do IAC.
Também as famílias de crianças desaparecidas têm mais apoio. Dificilmente poderemos imaginar o que terão sentido os pais de José Manuel ao darem pela falta do seu filho. Hoje, já é possível às autoridades contactar um técnico do IAC para lidar com a família.

Jorge Manuel terá agora 26 anos. A troca de informações entre as autoridades poderá ainda encontrá-lo. Se o vir, já sabe. Contacte a esquadra de polícia mais próxima.


IOL Diário - Portugal
link do postPor anjoseguerreiros, às 19:55  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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