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11.7.09

Ele é um profissional bem sucedido, reconhecido no seu meio. E se orgulha da família que construiu. Mas o passado traz lembranças muito pesadas. Esse homem prefere não se identificar, mas conta que desde criança percebeu que havia algo errado com sua família de origem.
Quando tinha nove anos, ao fugir correndo da mãe agressiva, derrubou um balde no corredor de casa. Quando voltou, na frente do pai e dos irmãos, a mãe chamou a empregada grávida e fez uma acusação ao filho.
"Ela, olhando cruelmente e friamente pra mim, falou: 'diz como ele chutou a sua barriga'. Essa empregada estava de nove meses. Enfim, eu não acreditei. Até hoje quando eu falo, vou ficando rouco e vai sumindo minha voz, você não tem o que falar. É como um louco sem loucura, você não percebe que ele é louco."
Ele lembra que a história começou muito tempo antes, com a avó. O hábito de fazer chantagens e ameaças para conseguir dinheiro foram passando de mãe pra filha.
Ele conta que sua avó, sua mãe e dois de seus irmãos têm comportamento doentio, e os exemplos de atitudes agressivas são incontáveis. Ele conta que o irmão mais próximo de sua mãe apresenta traços de psicopatia desde pequeno.
"O irmão que é psicopata, desde de os cinco anos mata bichinho, transfixa coelhinho pela boca e pelo ânus com taquara, desde cinco anos de idade. Nem andava de bicicleta ainda e fechava o corredor, soltava os pintinhos e ia com o triciclo esmagando, pra frente e pra trás. É esse irmão que está com ela até hoje."
O que antes era conhecido apenas como defeito de caráter, hoje é analisado como defeito cerebral.
O especialista em neurofisiologia do comportamento, Renato Sabbatini, explica que existe uma parte do cérebro que é responsável pelos processos de socialização.
As conexões entre alguns neurônios fazem com que tenhamos empatia com o outro ou, falando de forma mais direta, que a gente se importe com o outro.
Quem tem um transtorno de personalidade anti social não faz esse processamento cerebral normalmente.
"Imagina uma pessoa que tem um defeito de conexão no cérebro. Ela não consegue sentir emoções relacionadas ao arrependimento, relacionadas à punição por ter feito coisas erradas. Essa pessoa não se emociona com cenas de sangue, de pessoas sofrendo, ela não tem os chamados neurônios espelho, em que você sofre por procuração, por assim dizer, se você vê uma pessoa sofrendo, você também sofre."
Renato Sabbatini confirma a experiência do personagem que ouvimos no início dessa reportagem.
Os sociopatas começam a dar sinais desde a infância. Começam sendo crianças hiperativas, mais agitadas e agressivas que o normal. A violência pode aparecer primeiro com animais ou com os colegas da escola.
"O sociopata que tem tendências violentas, que vai cometer crime, quando adolescente jovem ou criança pré-adolescente, comete pequenas agressões contra animais. Gosta de arrancar asa de mosca, tacar fogo nas coisas, torturar gatos e se diverte com isso. Ou então é daquele tipo que faz o bullying, que atormenta os coleguinhas, bate neles e dá risada com isso, se diverte com isso."
A doutora em psiquiatria fosenre Hilda Morana é a maior especialista brasileira em psicopatia. Ela explica que o transtorno de personalidade é um defeito cerebral que tem um forte
componente genético.
É muito comum que as famílias consigam identificar várias pessoas que agem de forma semelhante. Só que a ciência não sabe ainda o que faz a psicopatia se manifestar ou não.
Para Hilda Morana, os psicopatas não são construídos por um ambiente violento, ainda que experiências agressivas na infância e adolescência possam fazer com que a psicopatia aflore de forma mais rápida.
"Se ela tiver tendência genética pra tal, vivendo naquele ambiente, oba, é tudo que precisa pra um psicopata se formar. Se ela não tiver a tendência, o ambiente pode ser o pior possível, ela não vai manifestar essa psicopatia."
Hilda Morana aponta que a característica principal de quem carrega um transtorno de personalidade é ter os seus interesses em primeiro lugar o tempo todo.
Como são muito individualistas, essas pessoas precisam se sentir estimuladas todo o tempo, e não se importam com as pessoas que estão ao redor.
"Então, ele só tem a individualidade e tem que ser satisfeita a todo minuto; eles são muito exagerados. Eles comem demais, sexo demais, droga, e é só festa, não tem responsabilidade, não trabalham e quando vão trabalhar é só pra sacanear os outros, só pra conseguir grana, poder, posição, é só ele, ele, ele. O outro só serve pra uso dele. E você pode bater, espancar, trancar, dar beijinho, pedir, ser legal, que não vai mudar, ele não tem cérebro pra responder. É como eu pedir pra alguém sem perna correr, não pode."
E o que diferencia um transtorno leve de um psicopata assassino é a consideração que se tem pelo outro.
"O que diferencia é o grau de consideração que a pessoa tem pelo outro. Uma pessoa que tem um defeitinho, um transtorno leve da personalidade, ele pode simplesmente ser meio enganador, meio individualista, mentir de vez em quando, sacanear um pouco, tomar umas vantagens pra ele, mas ele não vai fazer nenhuma crueldade maior com você. E isso dentro de todo um espectro, até chegar no psicopata, perverso, cruel, violento, onde ele mata os outros ou destrói a vida dos outros pra satisfazer uma necessidade própria dele."
O homem que ouvimos no início dessa reportagem é médico, mas somente há dois anos percebeu que as maldades que viu em sua família são classificadas como psicopatia.
Ele ainda receia se expor, mas está escrevendo um livro junto com a psiquiatra Hilda Morana e pretende abrir uma ong para apoiar familiares de psicopatas.
Nesse momento, ele está juntando provas do que a mãe e os irmãos já fizeram para se resguardar juridicamente ao expor os fatos.
Afastado da família há 40 anos, ele explica que resolveu falar porque se sente no dever de jogar luz sobre fatos tão difíceis.
"Isso se perpetua. A minha mãe não conviveu com a minha avó, e o comportamento dela é igualzinho. E eles não vêem nada do que fazem como um problema. Dormem bem, comem bem, se justificam com a maior frieza. Não, para eles quem os combatem é que não presta."
Para as pessoas que tem um familiar que costuma mentir com frequencia, que busca vantagens financeiras prejudicando outras pessoas sem qualquer remorso, pessoas que normalmente são descritas como "mau caráter", Hilda Morana aconselha que se procure um médico especialista em transtorno de personalidade.
Segundo ela, o defeito cerebral não tem cura, mas pode ser atenuado com o tratamento correto. E o que vamos conhecer nas reportagens desta série.

Escute a reportagem na Rádio Câmara Rádio Câmara

Colaboração: Maria Célia Ruiz
link do postPor anjoseguerreiros, às 23:24 

De VIDA FELIZ a 12 de Julho de 2009 às 19:32
Ao ler sobre transtornos de personalidade, faz com que quem é vítima ou esta em um estado de vítima, se sinta mais forte menos culpada por não saber reconhecer ou como agir quando vivência esse mundo.

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