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10.3.09
RECIFE - A mãe da menina de 9 anos que interrompeu a gravidez de gêmeos na semana passada, em Recife, deve ser ouvida novamente pela polícia. Segundo o delegado Antônio Dutra, de Alagoinha, em Pernambuco, a mãe pode ser indiciada, caso seja comprovado que ela tinha conhecimento dos abusos sofridos pela filha.
O delegado encaminhou ao Fórum em Alagoinha, na manhã desta segunda, uma solicitação de prorrogação do prazo de entrega do inquérito policial.
- Precisamos de mais tempo para tomar outro depoimento da mãe. Vamos investigar a hipótese de ela ter sido negligente - diz o delegado.
Depois de receber alta do hospital na semana passada, a menina foi levada para um abrigo e deve ficar sob proteção da Secretaria Estadual da Mulher.
Segundo o padre Edson Rodrigues, pároco de Alagoinha, o arcebispo não é responsável pela punição aos médicos e à família, já que o aborto é um ato que, "por si só incorre em excomunhão":
- O bispo não excomunga ninguém. O ato do aborto, segundo o princípio da Igreja, leva à exclusão da comunhão.
A Arquidiocese do Rio vai investigar o caso do padre Evandro, que, conforme antecipou Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO, manifestou durante uma missa no Rio constrangimento com as declarações do arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho. A assessoria de imprensa da Arquidiocese informou que o padre não é pároco na cidade e celebra missas esporádicas. O arcebispo Dom José Cardoso Sobrinho disse, sobre o caso da menina de 9 anos, que aborto é mais grave que estupro. Lula considera absurdo tentarem impedir o aborto legal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a comentar na segunda-feira, durante solenidade em comemoração do Dia Internacional da Mulher, o caso da menina estuprada pelo padrasto, que foi submetida a um aborto em Recife. Lula disse que foi um absurdo tentarem impedir o aborto legal, que segundo os médicos, salvou a vida da menina.
- Vocês viram aquele problema da menina de Pernambuco, que engravidou? É mais do que absurdo. Como você pode proibir a Medicina de cuidar de uma menina que ficou grávida indevidamente? - questionou Lula
O presidente destacou que o aborto tem que ser tratado como uma questão de saúde pública.
- Como cristão, sou contra o aborto, mas como chefe de Estado tenho que tratar como uma questão de saúde pública. Não pode ser diferente. Jornal católico francês condena excomunhão
A decisão do arcebispo de Olinda e Recife de excomungar a mãe da menina de 9 anos estuprada pelo padrasto, foi condenada em editorial publicado no jornal francês católico "La Croix". Logo no início do texto, o jornalista Dominique Quinio diz: "Há certos dias em que o silêncio é a melhor saída". Para ele, a reação do arcebispo ao drama vivido pela menina é "uma rigidez legalista e vai contra a mensagem de vida que a Igreja quer passar".
Quinio reconhece a missão da Igreja, que proclama que a vida começa no momento da concepção, de defender esse direito à vida, mas pergunta: "E a vida da garota de 9 anos não deve também ser protegida? É preciso ainda punir a mãe e os médicos?". Também indaga se "é necessário punir as mulheres pelo crime dos homens?".
O jornal conservador "Le Figaro" também descreveu o drama da menina e informou que as condições previstas na legislação brasileira para realizar um aborto legal no país - em caso de estupro e risco de vida para a mulher - se aplicavam. "Sofrendo de desnutrição, com apenas 33 kg, seu corpo parece dificilmente capaz de aguentar uma gravidez", diz o "Le Figaro". Em hospital, meninas grávidas por estupro são 43% dos atendimentos
Pesquisa realizada no Hospital Pérola Byington, em São Paulo, referência no tratamento de mulheres vítimas de violência sexual, mostra que 43% dos atendimentos diários se referem a meninas com menos de 12 anos que engravidaram depois de estupro. No ano passado, cerca de 3.050 abortos previstos em lei, em mulheres de todas as idades, foram realizados no país, segundo dados do Datasus. ( Miriam Leitão: menina de Recife lembra o quanto a luta da mulher será longa )
A maioria das mulheres ouvidas pela pesquisa se diz contrária ao aborto. Mas as vítimas mudam de posição quando a gestação é fruto de estupro. Nenhuma delas afirma ter se arrependido da opção pelo aborto legal.


link do postPor anjoseguerreiros, às 07:42  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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