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6.6.09
«R» tinha 14 anos quando, já este ano, desapareceu de casa durante dois meses. Não era má aluna, nem dava problemas na escola. Era uma adolescente como outra qualquer. Até que um dia não regressou. Uma amiga, a quem tinha confessado um segredo, poderá ter-lhe salvo a vida. Perante a aflição de todos contou que «R» tinha ido encontrar-se com um homem que conheceu num chat de um teletexto. Um homem entre os 30/40 anos de idade.
Esta história real foi contada ao tvi24.pt por Maria do Carmo Seixes, membro da direção da Associação de Crianças Desaparecidas, para «servir como alerta à sociedade». Esta terapeuta familiar, que acompanhou o caso desde o início, confessa que «desconhecia em absoluto» a existência de chats nas televisões, através do teletexto (página com informação diversas disponibilizada por alguns canais de televisão), e que na «altura foi complicado perceber o que tinha acontecido».

Não tinha Internet
«O perigo das novas tecnologias não é um dado novo» para a associação, mas todos os casos que conheciam tinham tido origem na Internet ou no celular. «R» vive numa zona semi-rural no norte do país e apesar de ter computador em casa, não tinha Internet. A pergunta colocava-se: «Como se conheceram?».
Após a denúncia da mãe às autoridades, quando a jovem não regressou a casa, uma amiga de acabou por contar um segredo partilhado. «R» frequentava o chat de um teletexto e, ao fim de dois meses de trocas de mensagens, resolveu encontrar-se com um «amigo».
O homem acabou por levá-la consigo para a sua própria casa, onde residia com a mãe e um padrasto, paredes meias com «uma casa de prostituição». Durante dois meses manteve relações sexuais com ela e chegou mesmo a agredi-la. «R» contou mais tarde, que ele batia no padrasto e o medo pode ter sido um dos motivos para nunca ninguém dizer nada, admite Maria do Carmo Seixas.

Jovem ligava à mãe
Todavia, «talvez para presentear ou conquistar a confiança da jovem, o homem autorizou «R» a telefonar à mãe, de quando em quando, para dizer que estava bem. Mas em todos os telefonemas ficava a ameaça: «não ligue para a polícia». Mas nenhuma chamada ficou por contar. «Pelo menos está viva», desabafava a mãe.
Ao fim de dois meses a jovem foi localizada e o homem detido. Aberto o inquérito, que ainda decorre, o suspeito foi constituído arguido «por manutenção de relação sexual com adolescente» e foi-lhe decretada a medida de coação de Termo de identidade e Residência.
Maria do Carmo Seixes ainda hoje acompanha o caso e a Associação de Crianças Desaparecidas, quer mesmo constituir-se assistente no processo. «Esta história deve servir de alerta aos pais, aos professores e até aos adolescentes».
Antes de desaparecer com este homem, «R» já tinha conhecido outro «amigo» que lhe oferecera um celular e um pen-drive repleto de filmes pornográficos.
A Associação de Crianças Desaparecidas tem feito sessões de esclarecimento em escolas espalhadas pelo país, sobre pedófilos e abusadores sexuais que usam as novas tecnologias para chegar às vítimas. «Investir na prevenção primária é o objetivo principal agora», assume ao tvi24.pt Maria do Carmo Seixes.
«Tal como eu não sabia, acredito que muita gente também não saiba da existência destes chats nos teletextos». E, foi por isso mesmo, que Maria do Carmo Seixes resolveu tornar pública a história. «O perigo, infelizmente, não se resume à Internet e aos celulares», reconhece com algum lamento na voz.


IOL Diário
Portugal
link do postPor anjoseguerreiros, às 20:00  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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