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8.6.09
SÃO PAULO - O uso de maconha dentro do campus da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) em Perdizes, zona oeste de São Paulo, está com os dias contados. A nova reitoria da universidade, que tomou posse em novembro passado, decidiu dar um basta à liberalidade e, há dois meses, abriu guerra contra a droga orientando os 120 seguranças da Graber, empresa terceirizada que cuida da segurança dos 20 mil alunos, a iniciar uma "lista" de usuários.
- Não vamos fazer vista grossa ao problema, como alguns pais de alunos - diz o pró-reitor de Cultura e Relações Comunitárias, Hélio Roberto Deliberador.
É a primeira vez na história da universidade que o tema é tratado desse jeito. O campus da PUC, que abriga o Teatro Tuca, sempre foi uma espécie de território dos alunos.
- Minha meta é deixar a universidade livre do uso de drogas. É sempre um jogo de gato e rato. Os grupinhos saem de um lugar e vão para o outro para não serem vistos, mas nós vamos atrás para identificar todos eles e chamar para uma conversa - afirma Deliberador.
O primeiro comunicado aos 11 centros acadêmicos e aos funcionários da universidade foi encaminhado em abril, logo depois do início do ano letivo. A partir de então, os seguranças foram orientados a abordar os estudantes para anotar o nome, o curso que faz e informar da proibição. Os reincidentes são convidados para uma conversa com o próprio reitor, Dirceu de Melo. Alguns são até fotografados ao serem flagrados com maconha, para permitir que sejam identificados posteriormente
Na manhã desta segunda-feira, era perceptível o cheiro de maconha em corredores da universidade. Até mesmo no Centro Acadêmico da Faculdade de Ciências Sociais estudantes jogavam xadrez e fumavam maconha. Nenhum deles quis comentar a proibição. Era possível identificar o cheiro da maconha também no corredor do curso de Jornalismo, que fica entre a ruas Monte Alegre e a Cardoso de Almeida.
- É natural que isso aconteça aqui, onde a polícia não entra. O ambiente universitário é um pouco subversivo e as drogas estão no contexto. É hipocrisia dizer que não existe droga na universidade - disse uma aluna do quarto ano de direito, que preferiu não se identificar.
Depois que a medida de combate às drogas foi anunciada pela reitoria, os usuários passaram a evitar os lugares de maior circulação, como a Praça da Cruz, no prédio velho do campus, e a prainha, uma pequena escadaria na ligação dos prédios. Segundo os alunos, a quadra de esporte, que fica um pouco mais afastada, continua sendo utilizada pelos alunos para acender um cigarro de maconha, assim como os centros acadêmicos.
Recentemente o Centro Acadêmico 22 de Agosto fez uma pesquisa, que acabou virando uma espécie de plebiscito, sobre o uso da maconha na PUC São Paulo. A metade dos alunos entrevistados, cerca de 700 pessoas por turno, foi contra o uso na universidade. Um aluno de Ciências Sociais que também não quis se identificar diz que "a PUC, que já formou inúmeros intelectuais, não pode ficar com o estigma de uma universidade de maconheiro".
De acordo com o pró-reitor, diariamente pelo menos 10 alunos são abordados pelos seguranças.
Segundo ele, pelo menos 10% dos estudantes já tiveram algum contato com a droga dentro da PUC. A maior parte fuma maconha, mas tem um número reduzido de usuários de drogas psicoativas (cocaína, drogas sintéticas, ecstasy e ácido). Atualmente, pelo menos seis alunos e até um funcionário estão sendo observados mais de perto pela reitoria. A idéia, segundo Deliberador, é encaminhá-los para tratamento.
- Nós vamos tratar diferentemente o usuário do traficante, como diz a lei. A legislação diz que o usuário deve ser olhado como alguém que precisa de ajuda, não de privação de liberdade - afirma o pró-reitor.
Deliberador diz que o número de alunos que fumam maconha é pequeno em comparação com o total de matriculados nos cursos de graduação e pós-graduação, mas ele explica que o vício gera um impacto negativo para toda a instituição.
Segundo Deliberador, a maconha produz fumaça e um cheiro desagradável para toda a comunidade. O pré-reitor acredita que os alunos, agora que estão sendo identificados, vão se preocupar em parar com o vício, pois não querem ser denunciados aos pais e muito menos perderem uma oportunidade futura de emprego por terem sido denunciados como "usuários" dentro da universidade.
- Eu sei que comprei uma briga enorme com os alunos. Mas eles sabem que eu sou muito franco. Minha perspectiva não é moralista. Não quero fazer uma guerra, no entanto, não vou liberar geral - afirma Deliberador. Nesta segunda-feira à noite, será realizado na PUC o seminário "Drogas: legalização, descriminalização, repercussão na sociedade e efeitos no usuário". Além de representantes da PUC, participam pessoas ligadas a Organizações Não-Governamentais (ONGs) e o delegado Luiz Carlos Magno, do Departamento de Narcóticos de São Paulo. Deliberador diz que esse problema não é exclusivo da PUC e afirma que já entrou em contato com as outras universidades, inclusive a USP, para tentar montar uma ação conjunta de combate às drogas.
- Se os alunos querem continuar usando droga, que façam isso longe daqui. Universidade não é espaço para isso - afirma o pró-reitor.
A idéia é restringir a entrada de não alunos no campus para evitar que desconhecidos circulem pelo local, mas a PUC não planeja usar catracas.


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colaboradores: carmen e maria celia

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