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6.4.09
Gêmeas dividiam sistema circulatório, mas só uma tinha coração e podia sobreviver. Cirurgia de alto risco, no útero da mãe, salvou o bebê

Rio - Maria Clara se põe a agitar pés e mãos minúsculos assim que Cirlene chega perto da incubadora. Aos 40 dias de vida, ela já reconhece, feliz, a mãe. A mulher suspira profundamente e sorri: está diante de um milagre — de Deus e da Ciência. Com 890 gramas de peso, e nascido três meses antes do tempo, aquele pequeno ser humano tem a força de um gigante.
A gravidez de Cirlene Miranda, 37 anos, dona de salão de beleza, foi de altíssimo risco. Eram duas meninas em seu ventre, dividindo o mesmo sistema circulatório. Somente Maria Clara tinha coração, que precisava trabalhar por dois para ela ter alguma chance de sobreviver. Ele bombeava o sangue para seu próprio corpo e o da irmã, que era maior, e não teria como sobreviver fora do útero. “Desde que foi gerada ela já mostrava sua força... Já ensinava o que é a superação, a vontade de viver”, emociona-se a mãe.
Diagnosticado o problema, equipe da Clínica Perinatal, em Laranjeiras, realizou cirurgia, dentro do útero, em que um ‘tiro de laser’ destruiu o vaso sanguíneo que unia os bebês. “A cirurgia é delicada porque o ‘bebê-bomba’ — que bombeia o sangue — tem 50% de chances de viver. Guiados por imagem de ultrassom, injetamos agulha na barriga da paciente, que serviu de passagem para a fibra ótica. Com o tiro, coagulamos o vaso de ligação na região do abdome do feto sem coração”, explica o cirurgião Renato Sá.
Na Terça-feira de Carnaval, 24 de fevereiro, logo após ser separada da irmã, Maria Clara nasceu, com 710 gramas. Seu peso caiu para 505 gramas, até chegar ao atual. Durante a cirurgia — cerca de 40 minutos — Cirlene ficou acordada. “Eu não tive medo. Só rezava. Me agarrei na fé e me sinto mais fortalecida hoje.
Aprendi com minha filha a ser resistente. Em meus sonhos, eu já desejava a Maria Clara. Deus tornou isso uma realidade de carne e osso para mim. Acreditei muito na competência dos médicos”, conta ela.“Eu tive que correr esse risco e faria tudo novamente. Enfrentei a cirurgia com a mesma força que minha filha teve para sobreviver”, revela.
Segundo Sá, já houve dois mil nascimentos de bebês com a gestação atrelada a um feto sem coração no País, mas o número real pode ser bem maior. “Diversas mortes de ‘bebês-bomba’ poderiam ser evitadas se houvesse melhor acompanhamento no pré-natal. Se o problema for detectado antes, com uma ultrassonografia detalhada, aumentam em 80% as chances de sobrevivência da criança”, diz. A própria Cirlene só descobriu o problema no sexto mês de gestação.
“Trabalho mais de 12 horas por dia e optei pela maternidade tardia. Valeu a pena cada superação desses meses. É impressionante pegar no colo um prematuro. No início foi assustador. Mas agora me sinto forte para cuidar da minha filha. Ela me ensinou a ser forte”, conta. O tempo de agonia deu lugar à espera ansiosa pelo dia em que a menina sairá da UTI Neonatal para ir para casa. Cada grama que a filha ganha é comemorada por Cirlene. Quando Maria Clara chegar a 2,2 kg, terá alta. E finalmente poderá conhecer o quarto lilás que a mãe está preparando para ela.

Gravidez descoberta durante um assalto
Cirlene descobriu a gravidez durante assalto na Barra, onde mora. Ela foi jogada para fora do carro pelos criminosos, que fugiram com o veículo. Deitada no chão, começou a passar mal. Reuniu forças e conseguiu ligar para o marido pedindo socorro. No Hospital Barra D’Or, soube que o sonho de ser mãe enfim seria realizado: estaria por volta do segundo mês de gestação, e de gêmeos. “Fiquei radiante! Eu pedia para todo mundo tirar fotos da minha barriga, me senti muito abençoada naquele momento! Nem me lembrava mais do assalto”, conta a mulher, que só descobriria o problema na gestação 4 meses depois.


link do postPor anjoseguerreiros, às 07:20  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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