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10.3.09
RIO - O advogado Ricardo Maurício Rodrigues Alves, que representa a família de Verônica Cristina do Rego Barros, que morreu depois de ter o lado errado do cérebro operado no Hospital Getúlio Vargas , entrou com um pedido de exumação do cadáver no início da noite desta segunda-feira. Segundo ele, é preciso que o corpo seja preservado para exames complementares. ( Veja vídeo em que a irmã fala sobre por que deseja que corpo seja exumado )
Para Ricardo Maurício é necessário que seja esclarecida a data em que ocorreu a lesão do lado direito do cérebro de Verônica Cristina. O pedido só deve ser avaliado nesta quinta-feira pelo delegado Felipe Ettore, da 22ª DP (Penha), responsável pela investigação do caso.
O delegado que cuida do caso disse que ainda espera a chegada do prontuário médico do Hospital Getúlio Vargas e de outros exames do Instituto Médico Legal (IML). Só depois, ele começa a ouvir os depoimentos dos médicos envolvidos.
A policia investiga se houve engano na primeira operação e também negligência dos médicos que, mesmo após a cirurgia, não teriam tomado providências. Se comprovado, eles podem ser indiciados por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Em um dos exames do IML, há a informação de que havia um hematoma do lado direito da cabeça de Verônica, mas isso não muda a investigação. - Vai ser investigado se o procedimento foi negligente, ou seja, o médico não observou com devido cuidado de operar o paciente do lado correto. Se havia lesão nos dois lados, quem vai dizer se aquela operação era necessária daquele lado o documento médico legal, que vai ser formulado pelo IML - afirmou o delegado Felipe Ettore, ao RJTV.
Em Brasília, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, falou sobre o caso.
- Aconteceu algum problema, pelas informações que nós temos, mas, em uma situação tão delicada como essa, a gente deve aguardar as investigações. Que os médicos, se erraram, sejam punidos. Mas, primeiro, nós temos que apurar - declarou Temporão à TV Globo.
O laudo com as conclusões do IML deve ficar pronto na próxima semana. De acordo com a secretaria de Saúde, só depois do fim da sindicância no Hospital Getúlio Vargas alguma providencia será tomada em relação aos médicos.
Mais cedo, o advogado da família da vítima afirmou que a constatação da perícia sobre a existência de uma lesão no lado direito do cérebro de Veronica não anula o erro médico. Em entrevista por telefone ao telejornal Em Cima da Hora, da Globonews TV, ele afirmou que mesmo que uma lesão tenha sido encontrada no lado da cabeça operado, o exame feito pelo hospital indicava a necessidade de uma operação do lado esquerdo.
- O exame que justificou uma intervenção cirúrgica, uma tomografia computadorizada, apontava especificamente para um coágulo no lado esquerdo do cérebro. Houve imperícia, isso é cabal, não depende de exame - afirmou.
O advogado afirmou ainda que a lesão encontrada pelo exame preliminar do IML precisa de uma análise microscópica, o que significa que não seria possível o cirurgião enxergar a olho nu a lesão. A diretora de necropsia do Instituto Médico-Legal (IML), Virginia Dias, informou que a perícia constatou a existência de uma lesão no hemisfério direito, que só poderá ser identificada através de exame microscópico, que deve ficar pronto em 15 dias.
- Além disso, a negligência se fez presente no momento que um membro da equipe procurou a família dizendo que não estava conseguindo dormir com a consciência pesada. Quer dizer, eles sabiam da existência de um erro médico - disse.
Também em entrevista ao telejornal, o presidente do Cremerj, Luis Fernando Moraes, admitiu que não há como negar que o fato de trocar o lado na hora da operação é um absurdo, apesar disso, é preciso analisar os fatos antes de fazer qualquer declaração.
- Se isso aconteceu foi culposo, ninguém teve a intenção de fazer isso. Mas precisamos saber o que ocorreu de fato - disse, voltando a criticar a atitude da direção do Hospital Getúlio Vargas (HGV) e da secretaria de Saúde:
- A gente entende a família, mas as autoridades e o hospital, deveriam ter mais cautela.
Veronica, que foi enterrada no domingo pela manhã no Cemitério de Irajá , tinha um coágulo do lado esquerdo da cabeça, mas a cirurgia foi realizada, primeiramente, na parte direita. As primeiras informações apontavam que a lesão foi provocada por uma queda no banheiro. No entanto, segundo a família, há ainda um outro crime a ser investigado. Veronica teria sido vítima de agressão de seu companheiro, o que teria provocado a lesão.
Os médicos envolvidos no caso, Pedro Ricardo Mendes e Thorkil Xavier de Brito, foram afastados pela direção do HGV. O hospital abriu uma sindicância. O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) também apura se houve erro.
Segundo o advogado da família, um dos indícios do erro foi que nenhum dos neurocirurgiões que estavam de plantão quis fazer a nova cirurgia. O médico que fez a primeira cirurgia precisou ser chamado em casa.


link do postPor anjoseguerreiros, às 07:50  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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