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28.5.09
O governo da cidade de Buenos Aires contratou ex-prostitutas como parte de um projeto para ajudar no combate à prostituição infantil.

O projeto da Secretaria de Desenvolvimento Social de Buenos Aires começou em novembro, com uma equipe que inclui dez ex-prostitutas com salário mensal de 1,8 mil pesos (cerca de R$ 1 mil), pago pelo governo de Buenos Aires.
Segundo Miguel Sorbello, coordenador do projeto e assistente social da divisão de Infância e Adolescência da secretaria, "com a ajuda das prostitutas já conseguimos retirar cerca de 110 jovens das ruas, que se prostituíam ou vinham sendo explorados sexualmente".
A previsão é que outras dez mulheres e cinco travestis sejam contratados nos próximos dias para se integrar à equipe.
"Como elas conhecem os códigos (da prostituição e da exploração sexual) melhor do que um assistente social, tivemos a ideia de contratá-las. O resultado tem sido positivo. Elas se aproximam dos jovens e afirmam, por exemplo, que agora que têm 30 ou 40 anos veem que não valeu a pena seguir por aquele caminho. Ao contrário", afirmou Sorbello à BBC Brasil.
Segundo ele, muitas das mulheres contratadas para o trabalho também foram exploradas sexualmente quando ainda tinham 12 ou 13 anos de idade.
Até o ano passado, algumas delas ainda exerciam a prostituição, mas segundo Sorbello, agora optaram pelo trabalho com o governo.
Os 110 jovens que deixaram as ruas com a ajuda do projeto estão hoje divididos em centros de recuperação contra as drogas, por terem mostrados sinais de dependência, ou em locais que incluem cursos profissionalizantes.
"Nosso objetivo é que deixem as ruas, mas que tenham logo uma ocupação, para que tenham alternativas na vida", afirmou Sorbello.
Ele reconheceu que a exploração sexual é caso de polícia e por isso existe cuidado com a proteção dos que vinham sendo explorados, deixaram as ruas e aceitaram a proposta do governo.
Estima-se que entre 400 e 500 adolescentes e jovens de até 21 de idade estejam sendo prostituídos na cidade.
Desse total, disse Sorbello, a maioria (cerca de 70%) tem entre 15 e 17 anos. E 30% do total são homens.
O trabalho do governo de Buenos Aires limita-se aos locais públicos e conta ainda com apoio da Associação de Mulheres Meretrizes da Argentina, com sede em Buenos Aires.
"Não servimos apenas para estar numa esquina. Também podemos ajudar a combater a prostituição (infantil) quando nos dão apoio", disse Graciela Collantes, da Associação que reúne cerca de 30 mulheres.


BBC Brasil
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colaboradores: carmen e maria celia

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