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28.2.09

O norte-americano David Goldman visitou Sean duas vezes no Rio de Janeiro

Segurando as lágrimas que vinha acumulando há mais de 4 anos e meio, David Goldman, residente em Tinton Falls, New Jersey, tentou descrever as emoções que sentiu ao finalmente ser capaz de abraçar seu filho e dizer-lhe o quanto o ama.
“Foi a coisa mais bonita que já vi desde o seu nascimento. Foi incrível. Fantástico. Consegui ver o meu filho”, disse David à apresentadora Meredith Vieira, do programa Today, via telefone do Rio de Janeiro.
O dia anterior, acompanhado pela representante do Governo norte-americano Chris Smith, Goldman finalmente acordou do pesadelo que começou em junho de 2004, quando sua esposa, Bruna Bianchi Carneiro Ribeiro, deixou os Estados Unidos com seu filho, Sean Goldman, durante uma viagem de férias de 2 semanas para visitar familiares no Brasil. Ela nunca retornou.
Desde então, David já viajou várias vezes ao Rio de Janeiro na tentativa de rever o filho, mas todo o contato que lhe foi permitido consistiu de breves ligações telefônicas.
A Corte em New Jersey determinou que Bruna deveria ir para uma audiência sobre a custódia da criança, mas, apesar dos tratados internacionais e acordos entre o Brasil e Estados Unidos, ela recusou-se a retornar aos EUA e conceder a custódia de Sean.
Ao invés disso, Bruna divorciou-se de David através de um procedimento legal que viola as leis internacionais e casou-se com um influente advogado brasileiro (João Paulo Lins e Silva). Entretanto, em agosto do ano passado, ela faleceu em virtude de complicações após o parto de seu segundo filho (uma menina). Após sua morte, o padrasto de Sean apresentou uma petição à Corte brasileira para tirar o nome de Goldman da certidão de nascimento da criança.
Embora a justiça parecesse estar contra ele, David nunca desistiu de lutar pela custódia do filho. Finalmente, com a ajuda de Smith e um congressista de New Jersey que acompanhou Goldman ao Brasil, pai e filho encontraram-se para uma visita na última segunda-feira, 9 de fevereiro.
“Depois de todo esse tempo, consegui vê-lo, abraça-lo e dizer-lhe o quanto o amo e o quanto senti saudades e como era bom estar com ele”, disse Goldman.
Ele não tinha a mínima idéia se Sean lembrava-se dele e como o receberia, revelou David.
“Estava esperando o pior e, quando nossos braços se cruzaram, foi completamente diferente. Foi lindo”, disse ele à Vieira, tentando conter as lágrimas durante todo o tempo que falou.
Sean perguntou a seu pai por que demorou tanto para que ele o visitasse. “Isso foi doloroso”, disse Goldman. “Vi a angústia em seu rosto”.
O que dizer ao menino? Goldman estava relutante em contar a Sean como sua mãe o deixou e, então, recusou-se a deixar vê-lo.
“Não quis magoá-lo contando-lhe toda a verdade, então, disse-lhe que as leis estavam fazendo as coisas muito difíceis”, disse Goldman. “Eu disse: Sean, eu estive aqui muitas, muitas vezes para tentar estar com você. A última vez que estive aqui, fiquei 10 dias e mesmo assim não consegui estar com você”.
Smith disse à Associated Press que David jogou basquete e nadou com Sean durante a visita de segunda-feira. Goldman se encontraria com o filho também na terça-feira (10). Vieira perguntou qual eram os planos para a visita de terça-feira.
“Farei tudo que puder com ele. Tudo depende das restrições”, respondeu ele.
Durante uma entrevista com Amy Robach, correspondente do Today, e Susan Filan, analista legal sênior da NBC, ela disse que eventualmente David conseguirá a custódia legal do filho, cujo quarto em Tinton Falls (NJ) permanece do mesmo jeito que no dia em que ele e sua mãe foram ao Brasil há mais de 4 anos atrás. Filan acrescentou que as leis internacionais e os acordos entre o Brasil e Estados Unidos determinam claramente os direitos paternos de Goldman.
“Você não pode tirar uma criança de um país e esconder no outro e dizer que está tudo bem”, comentou Filan. “Não há dúvidas que esse caso deva ser decidido na Corte de New Jersey”.
Filan disse que analisou o caso de todos os ângulos e não encontrou nenhuma justificação legal ou explicação para como a justiça brasileira ter agido desse jeito.
Conforme todas as leis, o homem que casou-se com a ex-mulher de Goldman “não possui nenhum direito sobre essa criança”.

Ela também comentou que a mudança de administração em Washington – DC e o envolvimento pessoal da Representante Smith claramente ajudaram a pressionar o caso. A atenção pública dedicada ao caso deveria envergonhar o governo brasileiro por ceder aos parâmetros da lei, disse ela.
“Uma vez que um governo acusa outro governo de violar um tratado, é vergonhoso”, comentou ela.
Filan alertou que talvez demore algum tempo para que Sean finalmente venha morar com seu pai em New Jersey. “Não acho que será tão rápido como todo mundo quer, mas penso que finalmente isso irá acontecer”, concluiu Smith.
Leonardo Ferreira - 14/02/2009

link do postPor anjoseguerreiros, às 13:26  comentar

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