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14.5.09
Objeto que mede apenas 6 cm vem de caverna no sudoeste da Alemanha.Figura de marfim de mamute pode ter servido como amuleto de fertilidade.

O pessoal não estava nem aí para a ditadura da magreza no Paleolítico, a julgar pelo físico cheinho (para dizer o mínimo) das mulheres representadas pelos artistas de 40 mil anos atrás. Essa é a idade do que parece ser a mais antiga escultura feita por mãos humanas, encontrada na Alemanha, e que retrata um corpo feminino de formas volumosas e estilizadas.
O achado foi descrito por Nicholas J. Conard, da Universidade de Tübingen, em artigo na edição desta semana da revista científica britânica "Nature". Trata-se de mais um clássico golpe de sorte arqueológico: os caquinhos de marfim de mamute lanoso (seis pedaços no total) que compõem a figura foram encontrados, em parte, espalhados durante a escavação e, em parte, peneirados de sedimentos com a ajuda de água. A figura pequenina (veja a foto acima para ter uma ideia da escala) ainda está incompleta, mas Conard conseguiu remontar a estatueta com bom grau de segurança mesmo assim.
Não é a primeira vez que a caverna de Hohle Fels, na Suábia (sudoeste da Alemanha), deixa os arqueólogos de boca aberta. Em 2003, o próprio Conard, com outros colegas, tinha apresentado o que então eram as mais antigas esculturas do mundo -- animais como cavalos e aves --, com idade estimada de 33 mil anos. Agora, eles parecem ter se superado
A mera antiguidade da estatueta é importante sem dúvida, embora haja algum grau de incerteza em relação à datação, que foi feita por materiais orgânicos -- carvão, por exemplo -- associados ao objeto. O que realmente intriga qualquer um são as características da obra, que antecipam em até 10 mil anos uma "mania" dos artistas do Paleolítico Superior, a produção de pequenas "Vênus gordinhas".

Excesso de gostosura
Em comum com essas obras bem posteriores, a "Vênus de Hohle Fels" tem as características sexuais muito exageradas, como o busto volumoso "escapando" das mãos, a barriga nem um pouco sarada e a ênfase na vagina -- o escultor primitivo se deu ao trabalho de representar até os grandes lábios da vulva.
Por outro lado, fora a óbvia espessura, os membros não têm muitos detalhes, e a figura praticamente não conta com uma cabeça -- ela parece ter sido transformada num simples anel com buraco, o que leva o arqueólogo alemão a sugerir que a estatueta era carregada. Como um amuleto, talvez?
Essa é a grande questão. Muitas teorias sobre a arte do Paleolítico apostam que as "Vênus gordinhas" são "ídolos de fertilidade", formas de cultuar a figura feminina exagerando seus atributos sexuais. Como os caçadores-coletores da Idade do Gelo não sabiam escrever -- embora, sendo humanos anatomicamente modernos, certamente fossem capazes de falar --, a ideia provavelmente continuará sendo apenas um palpite bem formulado.


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link do postPor anjoseguerreiros, às 08:39  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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