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26.5.09
Clara (nome fictício), 7, sonha com uma casa “bem legal” e com muitos brinquedos. Ela deseja uma família boa, que vai proporcionar-lhe carinho, amor e, quem sabe, presentes. Além disso, imagina Clara com um sorriso no rosto, essa família vai levá-la para casa junto com sua irmãzinha, um ano mais velha. Os dois irmãos, um de pouco mais de um ano e outro de nove anos, já foram adotados. A garotinha chorou na despedida, mas disse não ter ficado triste. “Chorei só uns dias, mas depois fiquei feliz. Logo eu também vou”, diz.
A menina e sua irmã moram no Condomínio Sol Nascente, em Goiânia, a cerca de um ano e meio, mas não perdem a esperança de encontrar uma nova família. Mas o sonho das meninas, assim como o de tantas outras crianças no País, esbarra em um obstáculo: as exigências dos pais adotivos.
Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que 17.985 pessoas estão inscritas no Cadastro Nacional de Adoção (CNA). Mas, desse total, 40,62% somente aceitam crianças brancas e 0,09% somente aceitam crianças negras. Dos cadastrados, 85,09% não aceitam irmãos e, 34,87%, só querem adotar se for do sexo feminino. No que diz respeito à idade, quando mais velha a criança, menor o percentual de pessoas que querem adotar. Para se ter uma ideia disso, apenas 0,26% aceita crianças com até nove anos.
Na contramão da fila de espera dos pais, estão cadastradas no CNA 2.583 crianças, mas grande parte está fora do perfil preferido pelos candidatos a pais. Do total, 47,50% são pardas, 74,76% têm irmãos, 20,63% possuem algum problema de saúde e, a maioria, está acima dos três anos. Trinta crianças e 680 candidatos a adoção do Estado estão cadastrados no CNA.
Atualmente em Goiânia, segundo o juiz da Infância e Juventude de Goiânia, Maurício Porfírio, existem 270 crianças abrigadas. Do outro lado, 550 pessoas aguardam na fila para adotar. O magistrado diz que, apesar da distorção dos números, não existe burocracia no processo de adoção. “O que existe é o perfil que nós não temos.” Ele diz que a preferência dos candidatos é pelos recém-nascidos, do sexo feminino e de cor branca. “A consequência disso é que temos uma fila enorme e nenhuma criança nesse perfil para ser adotada”, diz.

Psicológico
Lorena Lobo, estagiária de Psicologia que trabalha no Condomínio Sol Nascente, diz que um dos questionamentos das crianças no local é sobre o porquê de não terem sido adotadas e chegam a perguntar se é por causa da idade. Segundo Lorena, das mais de 45 crianças que estão no abrigo, a maioria tem mais de oito anos.
A estagiária ressalta que todas as crianças fazem acompanhamento psicológico dentro do Condomínio e, se necessário, elas podem passar pelo procedimento fora do local. Ela observa que, para que a criança possa lidar melhor com a situação, são trabalhados projetos de vida. Nesse trabalho, é analisado com as crianças como seria a vida delas se fossem adotadas e como seria se não fossem.

Apelo
Ontem, ocasião em que se comemorou o Dia Nacional da Adoção, Porfírio fez um apelo à população que pretende adotar uma criança. “É preciso que os casais abram o coração. Adotar um recém-nascido, a pessoa ajuda mais a ela mesma do que a criança”, ressalta. O magistrado observa que o CNA, criado há um ano pelo CNJ, tem ajudado no processo de adoção, mas o que precisa mudar, segundo o juiz, é o perfil que as pessoas querem na hora de levar uma criança para casa.
O magistrado informa que, para adotar uma criança ou um adolescente, é necessário que o interessado compareça pessoalmente junto à Vara da Infância e Juventude de Goiânia (isso no caso da capital) para requerer a inscrição. É preciso levar documentos pessoais, comprovante de endereço, foto e diploma comprovando a participação em curso de preparação para adoção. Após a entrega da documentação, técnicas da Divisão Psicossocial, realizam sindicância na residência do candidato para elaboração do Estudo Social. Posteriormente, o processo será encaminhado para a promotoria e do Juiz da Infância e Juventude. Aceito o pedido, o interessado é incluído no Cadastro para Adoção.


Jornal Hoje Notícia
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colaboradores: carmen e maria celia

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