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16.6.09

Laudo de balística indica que fragmento de projétil encontrado no carro de engenheira é similar ao de uma das peças apreendidas

Rio - O segundo laudo de balística feito a partir do fragmento de bala encontrado no carro da engenheira Patrícia Amieiro Franco — desaparecida desde o dia 14 de junho do ano passado — indica que o projétil é compatível com o calibre de uma das armas apreendidas com os policiais suspeitos de envolvimento com o crime.
Foram entregues para análise pistolas calibres 40 e 380 e um fuzil 7.62 que os policiais que foram ao local usaram no dia do desaparecimento de Patrícia. Com base neste laudo e nos outros exames feitos por peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) a polícia decidirá se tem elementos suficientes para pedir a prisão dos PMs.
A conclusão do inquérito sobre o crime ainda vai contar com outros dois laudos, além do de balística. Em um deles, haverá medições feitas pelos peritos no Palio da engenheira e do local atingido pelo disparo. Outro exame é a conclusão feita pelos técnicos a partir da reconstituição da cena do crime, feita dia 3, às margens do Canal do Marapendi, na Barra. Os resultados das perícias estão prontos e serão entregues à Delegacia de Homicídios.

Conforme O DIA noticiou dia 7, os dois policiais que chegaram primeiro ao local do crime caíram em contradição sobre o tiro disparado contra o para-brisa do carro: um diz ter visto a perfuração e o outro, não. A divergências das informações desmontaram a versão inicial dos militares de que Patrícia teria sofrido um acidente e motivou a transferência do caso, há um mês, da 21ª Vara Criminal para um dos quatro tribunais do júri, onde são julgados crimes contra a vida.

O desaparecimento de Patrícia completou um ano domingo e ainda envolve muitos mistérios. Apesar das buscas no canal, o corpo da jovem não foi encontrado. A polícia ainda investiga como é possível a pulseira e o relógio de Patrícia terem se desprendido de seu braço durante a queda do carro no canal. Outra questão a ser esclarecida é o fato de o corpo ter saído do carro, mesmo com o cinto afivelado. Nove policiais foram ouvidos durante o inquérito, que passou por três delegacias: 16ª (Barra da Tijuca), Divisão Antissequestro e Delegacia de Homicídios.

Outro mistério investigado pelos policiais é o desaparecimento de duas testemunhas do acidente. Um casal de moradores de rua que dormia debaixo do viaduto de onde o carro despencou chegou a prestar depoimento na época, mas desapareceu em seguida. Ainda será considerado, no entanto, o relato de outra testemunha que se apresentou à polícia.

BALÍSTICA
A análise é feita a partir dos fragmentos recolhidos no veículo. Toda bala, quando é disparada, fica marcada pelas ranhuras existentes no cano da arma. Os peritos analisaram as marcas desse fragmento. Eles pegaram as armas apreendidas com os PMs e fizeram disparos. As ranhuras das balas foram comparadas às do fragmento e se mostraram similares. O laudo não garante 100% de precisão para a arma utilizada porque só foi localizada parte do projétil.

O TRABALHO DOS PERITOS

RECONSTITUIÇÃO
Os peritos refizeram a cena do crime e analisaram relatos dos PMs. Foram feitas, por exemplo, medições da ribanceira onde o carro caiu, da distância e da pedra jogada no para-brisa.

DNA
Na época, também foi feita análise de manchas encontradas na viatura dos PMs. O material coletado foi enviado para análise de DNA. A perícia não conseguiu comprovar se a mancha era de sangue, já que o carro foi lavado. As perfurações existentes na lataria do carro da engenheira só foram descobertas cerca de 10 dias depois do crime.

Mobilização para cobrar respostas
Patrícia Amieiro Franco desapareceu quando voltava de uma festa, por volta das 4h30. Na época, dois militares baseados na Autoestrada Lagoa-Barra contaram que a moça sofreu acidente e que o carro caiu do viaduto sob o Canal de Marapendi. Desde então, os pais da jovem lutam para esclarecer o caso — eles criaram página na Internet, mobilizaram artistas e fizeram, há duas semanas, manifestação que atraiu milhares de pessoas para a orla da Barra, pedindo resposta para o caso.


O DIA ONLINE
link do postPor anjoseguerreiros, às 12:54 

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