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9.5.09

Por Lidia Natalia Dobrianskyj Weber
(Psicóloga, professora da UFPR e coordenadora do Projeto Criança, mestre e doutora em Psicologia pela USP; membro da Comissão da Criança e do Adolescente da OAB-PR)

"Não tenho um caminho novo, o que trago de novo é o jeito de caminhar..."(Thiago de Mello)

Muitas vezes os pais perdem sua paciência e espancam seus filhos. Podem estar com medo, com ansiedade e não saber o que fazer, então pensam que estão educando ao dar uma surra em seu filho. Imagine o seguinte exemplo: a mãe está conversando com a vizinha do seu prédio e vê sua filha de 3 anos de idade debruçar-se na janela do décima andar. Nesse momento de ansiedade a mãe pode correr para a filha, tirá-la de lá, e como está muito preocupada, sem saber o que fazer, com um pouco de culpa por não ter olhado melhor para o quê a filha estava fazendo, dá-lhe uma surra. A mãe diz que a surra vai servir para que a criança lembre do momento de perigo e que, apesar de “doer mais em mim do que nela”, deve fazer isso para o “próprio bem da filha”. Veja só, na verdade, esta mãe estava sem saber o que fazer e extremamente nervosa com a situação de perigo. Com a surra, ela conseguiu somente aliviar a sua angústia e raiva, mas em nada ajudou a sua filha.
Espancar, bater, dar uma surra, pode aliviar a frustração, ansiedade, raiva ou preocupação dos pais em determinado momento e pode fazer com que momentaneamente aquele comportamento indesejado desapareça. Mas, bater, ou seja, a punição física é o método menos eficaz de disciplina. Se cada pessoa e cada vínculo afetivo são únicos, é preciso se perguntar se é realmente possível ensinar uma pessoa a educar o seu filho. Nós precisamos de licença para dirigir e para ensinar outras crianças; nós fazemos cursos para lidarmos com nosso computador novo e lemos o manual do aparelho de som repleto de botões cujas funções não sabemos para que servem. No entanto, imaginamos que temos todo o conhecimento necessário para educarmos nossos filhos, única e exclusivamente porque lhes demos a luz. Atualmente até se fala em cursos para pais que decidem adotar uma criança, mas nada se diz sobre como os pais “biológicos” devem se preparar para educar seus filhos.
É possível dizer que cada pessoa que deseja tornar-se mãe ou pai sabe o que fazer para tornar aquele recém-nascido em uma pessoa “de bem”? Será que uma pessoa transforma-se em pai e mãe no momento em que seu filho nasce? Qual é o momento exato em que incorporamos a parentalidade? Se os psicólogos estudam e trabalham com o comportamento humano, é possível ensinar aos pais as leis gerais da conduta humana e prevenir os abusos e os maus-tratos na infância? Ou ninguém deve interferir na educação dos filhos “dos outros” porque cada família sabe o que faz? Por que, até hoje, a punição física é utilizada como método educativo se a ciência psicológica, há muito tempo, mostrou que bater e dar surras não é um método eficaz e duradouro para educar uma criança?
Estamos quase na porta de um novo milênio, e a violência educativa está claramente banalizada em nosso país. " Dar uma boa palmada " como método educativo está fortemente enraizado no cotidiano das pessoas, apesar de todas as palavras que denunciam estes métodos. As pessoas gostam de afirmar que " eu sempre apanhei de meus pais e como estou bem, vou continuar a fazer isso com meus filhos ". É preciso refletir que a criança sempre foi considerada, na história da humanidade, como uma propriedade de seus pais que podiam fazer com ela o que lhes aprouvesse. A violência nos métodos educativos previam "domesticar" a criança, considerada um mini-adulto imperfeito, até que ela se tornasse um adulto. Não é possível deixar de pensar sobre o tipo de sociedade que temos hoje, feita exatamente por crianças que sofreram coerção e violência, e, portanto, aprenderam a utilizar estes mesmos métodos na construção do mundo, perpetuando uma sociedade imersa na lei do mais forte. Não está na hora de criar uma nova geração? Se não for agora, quando? Se não for você, quem será?
Os estudos psicológicos já demonstram há muitos anos que crianças maltratadas tornam-se adultos agressores. Existe uma necessidade premente, em todo o mundo, de sensibilizar a sociedade para acabar com o castigo físico como método educativo, oferecendo alternativas que não humilhem, que não agridam e que respeitem a dignidade da infância. Falar deste tema no Brasil é urgente, pois nosso país possui uma população ainda bastante jovem, pois em seu perfil demográfico, cerca de 40% da população tem menos de 17 anos. Nada é mais importante do que a atenção e o cuidado com que uma nação proporciona às crianças e aos adolescentes e é evidente que a proteção à infância e à juventude devem passar pelos canais de educação e comunicação tanto no âmbito privado quanto público. Como professora e psicóloga, acredito na educação como instrumento de mudança e como um instrumento de cidadania. Não é possível "dar" a cidadania para uma pessoa, mas deve-se "educar" para a cidadania. Quem educa uma criança senão seus pais em primeira instância? Quem deverá educar “para a não-violência” e para que essa criança seja uma cidadã digna? Os pais.Acredito que a psicologia tem muito a contribuir no aspecto da educação e das leis que regem o comportamento e, embora tenha certeza de quem não existe uma única “receita” que seja consistente para todas os famílias e todos os modos e dia, é possível estabelecer algumas reflexões e ajudar aos pais ou futuros pais as tarefas que terão pela frente no momento em que estiverem diante do seu filho. Entre as possibilidades de temas de conscientização que podem ajudar os pais a enfrentar a árdua tarefa de educar uma criança:

1.Os pais: A culpa por trabalhar fora de casa. Os brinquedos em demasia. Não quero traumatizar meu filho. Quero dar a ele tudo o que eu não tive. Sem limites e crianças inseguros. Não tenho tempo para brincar com os filhos. Chego cansado em casa e quero relaxar.

2.A construção da auto-estima: porque é importante (crianças que gostam de si mesmas, gostam de se comportar bem!).

3.O que é comportamento : aquisição e manutenção. Conseqüências: o que nos ensinam e qual sua influência sobre o comportamento? Como posso analisar o comportamento sem seu um psicólogo?

4.O que são limites afinal? Como ensinar regras e, com isso, propiciar segurança aos filhos; algumas não dá para negociar (escovar os dentes, tomar banho...).

5.O que é punição? Tipo I, tipo II. O que é punição destrutiva? Por que a punição física não deve ser usada como método educativo.

6.As relações familiares. Pai e mãe devem ter o mesmo discurso, mesmo quando separados (discordem longe dos filhos); videogames e televisão: o que fazer? Como limitar?

As alternativas à punição física: time out (retirar a criança da situação); aprendizagem de comportamento incompatível; compreensão das fases de desenvolvimento da criança etc.

Fonte:Rede Nacional da Primeira Infância
link do postPor anjoseguerreiros, às 18:31  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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