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4.6.09
Na África do Sul uma criança é vítima de abusos sexuais a cada três minutos, indica um estudo que será tornado público quinta-feira em Joanesburgo e ao qual a Lusa teve hoje acesso.

O estudo, levado a cabo pelo sindicato Solidariedade, leva em linha de conta o número de casos comunicados às autoridades, a porcentagem que os especialistas calculam que nunca chegam a ser reportados (88 %) e as opiniões de vários ativistas e assistentes sociais para concluir que o número de crimes contra as crianças está aumentando significativamente em anos recentes.

“Tendo em conta o número de casos participados à polícia e a porcentagem dos que nunca são reportados calculamos que 530 crianças são violadas diariamente, o que equivale a uma violação em cada três minutos” disse à Lusa, Mariana Kriel, porta-voz do Solidariedade.

“O ano passado foram assassinadas em todo o país 1.410 crianças, o que constitui um aumento de 22,4 % relativamente ao ano anterior”, esclareceu Kriel.

Danie Langner, responsável pelo projeto “Helping Hand” (“Mão Amiga”), que dirigiu o estudo, salienta que em 45 % dos crimes de abuso sexual participados às autoridades as vítimas são menores.

“Por mais chocantes que estas estatísticas sejam, a verdade é que elas não refletem a verdadeira extensão do problema”, concluiu Langner.

As difíceis condições em que operam as organizações oficiais e privadas de apoio às crianças são também objeto de análise.

“Algumas delas, como a Childcare South Africa, lidam com cerca de dois milhões de crianças vítimas de agressões várias todos os dias e isso significa que cada assistente social tem a seu cargo 200 casos por ano, em contraste com os 60 que são aceites como norma”, salientou aquele responsável.

O número de assistentes sociais registrados no país era 12 500 em 2007, mas o Solidariedade acusa o Estado de lhes não proporcionar condições de trabalho e remuneração condignas, o que leva muitos a seguirem outras carreiras.

O relatório inclui estudos detalhados sobre as condições sociais das famílias das vítimas e a influência de fatores como as drogas, os gangs, a pornografia infantil e o tráfico de crianças.

“Em Port Elizabeth, em 80 % dos casos de violência contra crianças processados pela Childcare South Africa o ano passado as vítimas apresentavam fraturas cranianas, o que diz muito sobre a violência empregada pelos autores”, salienta Langner.

No ato da apresentação do relatório será homenageado Piet Byleveld, um dos mais respeitados detetives dos serviços de polícia sul-africanos, pela sua contribuição para deter e condenar inúmeros autores de crimes contra crianças nos últimos anos, revelou a organização.



DN
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colaboradores: carmen e maria celia

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