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13.3.09
Patrícia Lamego Soares trata do caso Sean Goldman desde setembro de 2004, quando seu departamento foi notificado pelo Office of Children's Issues de Washington de que a criança estava sendo retida ilegalmente pela mãe no Brasil.
Até então não conhecia David Goldman, apenas seu advogado brasileiro. Ricardo Zamariola, do escritório paulista Tranchesi Ortiz & Andrade, advoga há seis anos no âmbito da Convenção de Haia. Ele repatriou quatro crianças desde sua formatura, em 2004 uma para a Suécia e as outras para os Estados Unidos e tem cinco outros casos pendentes.
Paulo Lins e Silva e seu filho João Paulo o padrasto de Sean são bem conhecidos em Brasília. Paulo é dono de um dos principais escritórios de advocacia na área de família, além de ex-presidente da União Internacional de Advogados, e aprecia ter reconhecida a centenária linhagem de grandes causídicos que a família Lins e Silva produziu. Ambos advogam, junto com a Advocacia Geral da União, AGU, pelo direito de um pai canadense em reaver o filho de oito anos que foi trazido ilegalmente para o Rio, também em 2004, por uma mãe também brasileira.
Para o encontro seguinte com o ministro Paulo Vannuchi, secretário especial dos Direitos Humanos, que teve de ser substituído à última hora para comparecer a um enterro, a comitiva Goldman incluía também, além da cônsul americana Joana Weinz, outra funcionária da Embaixada dos Estados Unidos, Marie d'Amour. Segundo um dos presentes, o congressista Chris Smith recebeu telefonema de um membro da equipe de Hillary Clinton pouco antes de entrar na sala. Dali, os americanos seguiram para a residência do embaixador americano no Brasil, Clifford Sobel.
David Goldman estava esperançoso e tenso. "Parece que tudo está acontecendo, mas ao mesmo tempo nada está acontecendo", ele disse. "Eu sou um cara comum, que quer o filho de volta, e me vejo entrando e saindo de gabinetes para encontros com autoridades".
Uma van da Embaixada americana veio apanhar o grupo para um encontro matinal no segundo andar do Itamaraty com Oto Agripino Maia, sub-secretário Geral Adjunto das Comunidades Brasileiras no exterior. Dias antes, Agripino Maia, que já chefiou as embaixadas do Brasil em Pretoria, junto à Santa Sé e em Estocolmo, teria feito uma visita de cortesia ao ministro Luis Felipe Salomão, do STJ, e mencionara que o caso Goldman começava a causar algum mal estar.
Do Itamaraty, a comitiva seguiu para um encontro com a ministra Ellen Gracie, solicitado pela embaixada dos Estados Unidos.
Nenhuma das partes convocadas arriscou chegar com atraso à majestosa sede do Superior Tribunal de Justiça,
David Goldman e João Paulo Lins e Silva haviam sido convocados pelo juiz Luis Felipe Salomão para uma audiência de conciliação.
A sessão a portas fechadas, com os respectivos advogados togados, durou quase seis horas. Sentados no fundo da sala, na qualidade de ouvintes, estavam a coordenadora da Autoridade Central Federal, Patrícia Lamego, o congressista Chris Smith, seu assistente parlamentar Mark Milosch e a americana Marie d'Amour, da embaixada americana, e Paulo Lins e Silva.
Foi a primeira vez que o pai e o padrasto de Sean se viam, se ouviam e se mediam diretamente. "Confesso que em alguns momentos David me pareceu até mais calmo do que eu", admitiu dias depois seu advogado, Zamariola. "No fundo, quando o cliente nada tem a esconder, ele pode falar o que quiser: não há risco de errar."
Como era de se prever, uma conciliação em torno da questão central repatriamento ou não de Sean para os Estados Unidos logo foi implodida. David Goldman, que entrou na audiência carregado de anotações feitas durante a noite anterior, não revela o conteúdo e desenrolar da sessão. Mas segundo um dos presentes, a sua argumentação teve um tom pessoal "Não consigo entender como estou aqui implorando para ficar com meu filho", ele teria dito enquanto a de João Paulo Lins e Silva manteve o tom advocatício profissional.
Segunda-feira, 9 de fevereiro, 1 698º dia desde a partida de Bruna Bianchi com o filho do aeroporto Liberty International, de Nova Jersey. Por determinação da Justiça, uma psicóloga deveria estar presente ao primeiro e subsequentes encontros de David Goldman com Sean. A visita ocorreu na área de lazer do condomínio em que moram os avós maternos do menino, e contou com outras duas testemunhas que se mantiveram à distancia: o congressista Smith e Karen Gustafson de Andrade, funcionária do consulado americano.
Às 19h30, Ricardo Zamariola, que desta vez achou desnecessário permanecer no Rio, recebeu o primeiro telefonema de seu cliente. Goldman estava extático. Empilhava frases e descrevia sensações que, transcritas, formariam um amontoado de clichês. "Eu sabia que ia ser assim, afinal, ele é meu filho", ele disse. Segundo o seu relato, a psicóloga designada por João Paulo Lins e Silva foi compreensiva, competente, discreta e agradável no acompanhamento do encontro. Quando Sean, a certa altura, perguntou ao pai, em inglês, porque ele não viera visitá-lo antes, Goldman contou que se sentiu à vontade para consultar a psicóloga se podia responder. Ela, por sua vez, o teria deixado livre para fazê-lo. O resto do dia foi passado entre uma quadra de basquete e dentro d'água, na piscina.
Como era de se esperar, parece ter havido um deslocamento de terreno e o ambiente na segunda e última visita de Goldman ao filho antes de voltar para os Estados Unidos ao final do dia, foi crispado. Segundo o americano, a psicóloga da véspera fora substituída por uma profissional que preferiu se interpor de forma mais cerrada, levando Sean a falar quase sempre em português. Apesar de ter permissão judicial para levar o filho para fora do condomínio, o menino foi chamado para almoçar em casa, enquanto o pai comeu seu sanduíche trazido do hotel, sozinho.
Em compensação, na van que o conduziu ao aeroporto do Galeão, Goldman recebeu a notícia mais promissora para o desbloqueio do nó jurídico.
Foi com essas novas no bolso que David Goldman seguiu de trem para Washington sem sequer desfazer as malas de sua viagem ao Brasil. Um encontro seu com Antonio Patriota, embaixador do Brasil na capital americana, fora agendado para aquele mesmo dia.
Uma semana depois, em Nova York, enquanto algumas dezenas de pessoas desfilavam na calçada em frente ao consulado brasileiro, com cartazes pedindo o retorno de Sean, Goldman também foi recebido com simpatia pelo ministro Frederico Arruda. Mas o encontro de 12 de fevereiro com o embaixador Patriota, realizado no gabinete do congressista Chris Smith, é o que pode ser considerado indicativo de que o caso entrou definitivamente para a agenda diplomática dos dois países. Smith é o autor da resolução número 125, pendente no Congresso, que exige a repatriação de Sean Goldman "com urgência extrema".
Até então, o caso do menino tinha ficado soterrado na maioria das redações, ora por vontade própria dos jornalistas e donos dos órgãos de imprensa, ora como resultado das liminares emitidas a pedido da família Lins e Silva para bloquear a sua divulgação, numa interpretação estreita do fato de que o processo corria sob segredo de Justiça
Coube ao jornal apresentado por Carlos Nascimento, da rede SBT, a primazia de trazer o caso Goldman para a televisão.
A reportagem do New York Times também prenunciou o que ocorreria na tarde do mesmo dia, em Washington. "O caso tornou-se uma pequena ferida nas relações entre Estados Unidos e Brasil, e pode constar da agenda do encontro (daquele dia) entre a secretária de Estado Hillary Clinton e o chanceler brasileiro Celso Amorim."
Para o Palácio do Planalto, onde o ponto alto da agenda presidencial de março é a visita oficial de Lula aos Estados s Unidos, que inclui um encontro na Casa Branca com Barack Obama, o caso Goldman está sendo visto como "uma chateação", segundo termo usado por um palaciano habilitado a traduzir os humores do presidente. Acrescentou que a comitiva brasileira não irá puxar o assunto por iniciativa própria. Nem seria preciso. A convocação de uma passeata em Washington para acompanhar os passos do presidente brasileiro prometia adesão bem mais robusta do que a que se viu diante do consulado brasileiro em Nova York, quatro meses atrás.



link do postPor anjoseguerreiros, às 11:06  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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