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26.5.09

“Fala-se tanto da necessidade de deixarmos um planeta melhor para nossos filhos, quando deveríamos nos ocupar em deixar filhos melhores para nosso planeta.”

A frase, de autor desconhecido, incomodou tanto que a mãe ficou se perguntando: de que filhos o mundo precisa? Com certeza ,não mais de super-homens que vão nos salvar de nós mesmos, do caos externo e, pior ainda, do interno, da nossa normose, como denominou o pensador Jean-Yves Leloup, para explicar a doença da normalidade, caracterizada pela adaptação a um sistema dominantemente patológico e corrupto e pela estagnação evolutiva.

“O normótico é aquela pessoa que não escuta , que pensa só em si, que não se dá conta de que tudo está ligado a tudo; que pára num semáforo, vê um bando de crianças miseráveis e acha que isso não tem nada a ver com ele. O normótico não se preocupa quando ouve falar de problemas atmosféricos, como o El Niño. Nunca assume a responsabilidade.” Como dizia Jung: “Só aspira à normalidade o medíocre”.

A mãe ficou pensando que filhos não são recicláveis e não podem ser jogados no lixo como garrafas PET. Mas que filhos são ecologicamente corretos. A natureza deles é de folhas verdes. Muitos têm raízes fortes, outros caminham pelo terreno movediço da falta de oportunidades. Os filhos pertencem às florestas, às cachoeiras, aos rios, às profundezas do mar. São seres em construção, que precisam de terra fértil, de vento, de água, de sol para crescerem saudáveis. Filhos levam anos para se decomporem meio à sujeira do mundo adulto, que não tem mais credenciais ou bons exemplos a oferecer aos jovens em formação.

Um mundo adulto que não cumpriu suas promessas, que devastou as matas da esperança, que danificou o DNA da vida, que não escutou o murmúrio da floresta, os devas que moram nas árvores. De que filhos o mundo precisa? Não mais de técnicos, mas de pensadores que possam imaginar um novo mundo, aguçar o pensamento crítico ,rever os preconceitos de todos os tipos que contaminam a atitude dos jovens.

Como disse a educadora Arminda Mata Machado: “Nossos filhos precisam estudar e conhecer a fundo as questões contemporâneas, aprender a pesquisar, a buscar respostas, a não se contentar com meias verdades, a conviver lado a lado com os semelhantes, a respeitar as diferenças de pensamento, cor, sexo, religião; e aprender a incluir e não a segregar, a desenvolver a criatividade, a valorizar a arte, a inventividade”. Essa é a única receita para deixar filhos melhores para o planeta.

A tarefa não é nada fácil para pais e educadores, que têm que conviver com afirmações constantes de aprender a competir, da preparação para o mercado de trabalho ou ainda do valorfundamental da informação. “É duro, mas devemos continuar reafirmando que nada disso existe, que não passam de frases que mascaram uma realidade econômica que pode e deve ser reformulada, que os seres humanos necessitam, ao contrário, comportar-se cooperativamente e viverem em busca da concretização de um mundo mais estável e pacífico, mais equilibrado.

Mas é desse tipo de sonho que a educação se nutre. Esse é o tipo de educação que todos os alunosdevem receber, sejam eles ricos, pobres, remediados, das escolas públicas ou privadas. Fora desse sonho, não há educação. Apenas treinamento”, ensina Arminda. Que filhos vamos deixar para o planeta? Se não limparmos as ervas daninhas do caminho, se não adubarmos o caráter deles com valores menos materialistas e consumistas?

Senão abrirmos os braços e dermos sombra para que eles possam crescer sem devastação, sem queimar seus sonhos e projetos de vida? Que mundo é esse que vamos deixar para nossos filhos? De almas desertas, de corações congelados, assépticos?A mãe acha que uma atitude não existe sem a outra. Deixar um planeta melhor para nossos filhos é devolver a centelha divina a eles. É dar o altar para que eles possam pôr as melhores oferendas cultivadas pelo mundo adulto.

Com um planeta melhor, os filhos terão o mesmo viço, a mesma vitalidade e energia das matas intactas, porque filhos não são recicláveis. Não podem ser jogados fora no meio de um planeta sem vida."


Jornal Estado de Minas
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colaboradores: carmen e maria celia

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