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8.4.09
GOIÂNIA - Nasceram na manhã desta quarta-feira no Hospital Materno-Infantil, em Goiânia, bebês siameses. Os dois meninos são unidos por tórax, abdome e bacia e compartilham fígado, bexiga, intestino e parte da pelve, segundo o cirurgião-pediatra Zacarias Calil Hamu. Os bebês pesam juntos 6 quilos.
A cesariana, feita pela obstetra Priscila Elena Rodrigues, transcorreu dentro da normalidade e demorou cerca de uma hora. Hamu deve realizar a primeira cirurgia nos bebês dentro de 24 horas, já que uma deformação impede a eliminação de fezes pelo ânus. A separação dos bebês, no entanto, terá de ser estudada no decorrer dos próximos meses e depende de avaliação e exames complementares.
Segundo Hamu, que já realizou cinco cirurgias de separação de siameses, a principal preocupação em relação aos dois nascidos em Goiânia é com o intestino, pois ainda não foi possível detectar como funciona.
Os siameses são filhos de uma professora da cidade de Botuporã, a 700 km de Salvador, na Bahia. Ela já é mãe de uma menina de um ano e oito meses. A família procurou médicos em Goiás porque o estado apresenta o segundo maior número de casos de bebês siameses do país. Segundo Hamu, foram 10 registros de 1999 para cá. O maior número de casos, de acordo com o especialista, está em Minas Gerais, onde há em curso 23 registros.
Hamu afirma que os pesquisadores atribuem a gestação de siameses ao uso de agrotóxicos, mas não há estudos conclusivos. No Vietnã, após o gás laranja, foram registrados 10 casos de siameses em um só ano, 1986. No Brasil, diz Hamu, não há pesquisa em Goiás sobre a origem dos casos, mas não houve contato de nenhuma das famílias com o Césio 137.
Os bebês viverão juntos por tempo indefinido e a decisão de separá-los depende da família ou de alguma necessidade de intervenção cirurgica. Muitos siameses morrem ainda no período de gestação e o compartilhamento de órgãos pode gerar problemas durante a fase de crescimento, obrigando os médicos a intervir. Dos 10 casos acompanhados por Hamu até hoje, 5 crianças sobreviveram. Em geral, um dos bebês siameses tem mais condições físicas de desenvolvimento do que o outro.
- Vamos fazer a cirurgia de emergência em, no máximo, 24 horas, mas a cirurgia de separação não pode ser feita rapidamente - explicou.
Se forem separados, cada um deles ficará com uma perna. Os dois nasceram com uma terceira perna, mas ela não é funcional. Por enquanto, foram submetidos a exames de ressonância magnética.
- Eles são muito viaveis, pois têm dois corações separados. A separação, porém, só é possível daqui a um ano. Já tivemos casos de três crianças unidas pelo fígado e todas sobreviveram - diz ele, acrescentando que a maior dificuldade costuma ser a pele para refazer o abdome.
A família ficou sabendo que os gêmeos eram siameses no quinto mês de gestação. A chance é de um caso para cada 100 mil partos. Os siameses mais velhos do mundo e ainda vivos moram nos Estados Unidos e têm 54 anos. Os dois continuam unidos pelo abdome e têm quatro pernas.
- A família é que decide sobre a cirurgia. Normalmente, os pais fazem a opção por separar - diz ele, que acompanha duas siamesas de Recife, que estão com cinco meses.


link do postPor anjoseguerreiros, às 13:50  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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