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7.4.09
O tráfico de órgãos é uma realidade em Moçambique

Maputo -- A extracção de órgãos humanos em Moçambique está associado a "práticas tradicionais prejudiciais", em particular a feitiçaria, e não a transplantes, indica a Liga dos Direitos Humanos (LDH) de Moçambique.
Uma pesquisa feita pela LDH, terça-feira divulgada, que analisou a forma de conservação e métodos de transporte de órgãos e partes do corpo humano depois da sua extracção, constatou que nenhum dos métodos de transporte utilizados pelos supostos traficantes de órgãos humanos é condizente ao transplante.
O estudo daquela instituição de defesa dos direitos do homem em Moçambique apurou que os órgãos e partes de corpos, depois de extraídos, são transportados de diferentes formas: em sacos, embrulhados em folhas de árvores, escondidos dentro de caixas com carne, na bagageira de carros, ou dentro de panelas.
Para a organização, o objectivo do uso de partes do corpo humano "é criar uma medicina tradicional poderosa, no alcance dos seus propósitos que são, por exemplo, curar doenças, ajudar as pessoas a progredir economicamente ou prejudicar os seus inimigos".
"As pessoas tentam, desesperadamente, sair da pobreza e das frustrações e pobres condições de vida a elas associadas. Estão, portanto, susceptíveis às ofertas dos feiticeiros para melhorarem a saúde e/ou as condições financeiras", refere a LDH.
O tráfico de órgãos e partes do corpo humano "é uma realidade" em Moçambique, apesar de nunca ter sido admitida pelo Governo de Moçambique, considera aquela associação.
Aliás, o executivo de Maputo "pouco ou nada fez até aqui para controlar a situação"; pior ainda, esta barbárie é alimentada pelas estruturas do crime organizado, usando as mais variadas e sofisticadas formas de atuação", sublinha a LDH.
A instituição aponta fragilidades na legislação em vigor em Moçambique para desencorajar este tipo de práticas.
"Se alguém é encontrado na posse de uma parte do corpo humano na África do Sul ou em Moçambique, e se não houver maneira de relacionar a parte do corpo a uma vítima, é difícil que, sob a legislação actual, a polícia consiga condenar os indivíduos na posse da parte do corpo", refere.
"Devido à falta de métodos sofisticados de investigação na região, como teste de ADN, é difícil para a polícia descobrir qual a origem de uma parte de corpo. A incapacidade de descobrir a vítima a quem pertence a parte de corpo, torna a condenação difícil", refere a LDH.

Curandeiro diz que matar pessoas para tirar órgãos é comum, mas acusa feiticeiros

Segundo matéria publicada em Notícias RTP, Portugal, o assassinato de pessoas para uso dos seus órgãos em casos de feitiçaria "é comum" em Moçambique, mas os praticantes de medicina tradicional, chamados curandeiros, recusam ser conotados com esse crime.
"A gente sabe que há desmandos. Para curar alguém não é preciso tirar órgãos humanos, isso é feitiçaria e isso é comum na nossa comunidade", disse Aurélio Morais, curandeiro e membro do Conselho Científico de Etnobotânica de Moçambique.
Esta semana, na província de Manica, centro de Moçambique, foram presas cinco pessoas indiciadas no assassinato de quatro mulheres para lhe tirarem os órgãos genitais, que seriam usados depois em "práticas obscuras" por um curandeiro, também preso.
Aurélio Morais, que já foi vice-presidente e porta-voz da AMETRAMO, Associação dos Médicos Tradicionais de Moçambique, que agrega mais se sete mil curandeiros de todo o país, disse à Lusa que não conhece o detido em questão mas admite que "há médicos que não são formados e que criam esses desmandos", frisando depois que "o caso de Manica não é um caso isolado".
Os médicos tradicionais, acrescentou, curam as doenças através de plantas e ervas medicinais (existentes em abundância em todo o pais, disse), e sempre lamentam quando "um dos colegas" é associado a práticas de feitiçaria, porque "ninguém tem o direito de tirar a vida a ninguém".
A medicina tradicional é reconhecida pelo governo moçambicano mas "não existe uma lei que sancione os médicos tradicionais que praticam esse tipo de acção", disse, referindo-se a casos de práticas usando órgãos humanos.
"Denigrem a imagem da medicina tradicional, existem os charlatães, que não têm formação, e não há lei para condenar esse médico tradicional", lamentou, salientando que a feitiçaria, que usa órgãos de pessoas, "existe nas comunidades", especialmente nos meios rurais das províncias (na Zambézia por exemplo).
Aurélio Morais lamenta também que sempre que são identificados casos envolvendo órgãos humanos e alegados curandeiros ou feiticeiros a AMETRAMO não seja ouvida, porque poderia ajudar no esclarecimento dos casos, fazendo "a ponte" entre governantes e população.
"As pessoas no campo não estão escolarizadas. Enquanto o povo está enraizado, com os seus tabus, os governantes são esclarecidos, escolarizados, e há aqui um conflito", afirmou, sugerindo depois: "É preciso que haja uma vontade da parte do Estado, porque também podemos investigar e perceber o que o colega está a fazer e porque o faz".
Neto de curandeiro, médico tradicional desde 1983, Aurélio Morais garante que os órgãos humanos não fazem milagres e que as plantas medicinais sim, que curam praticamente todas as doenças e que podem também servir para, por exemplo, impedir que alguém roube uma casa.
"Posso fazer com que alguém deixe de dormir, colocando uma raiz no quarto, e há outras raízes que fazem as pessoas ficarem presas num lugar", garantiu. E isso, ao que disse, não é feitiçaria, é a utilização dos poderes das plantas.
Mas Aurélio Morais é procurado sobretudo para tratar doenças sexualmente transmissíveis e asma. Diz que o mais difícil de tratar é a coluna e que também "tem muito respeito" pelos olhos e ouvidos. Já foi hospitalizado porque a gripe é mais forte do que a sua medicina tradicional.
Questionado sobre se conhecia algum feiticeiro respondeu que na Zambézia há muitos. E não duvida dos seus poderes. Desde criança que ouve contar que os feiticeiros utilizam órgãos humanos, para matar ou para outras acções.
Carlos Serra - sociólogo
link do postPor anjoseguerreiros, às 15:43  comentar

De Carlos Serra a 7 de Abril de 2009 às 16:38
Obrigado pela referência. Força e cumprimentos.

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colaboradores: carmen e maria celia

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