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15.3.09


.....Cheguei em casa numa noite, mais bêbado do que de costume, tirei a roupa tropeçando ..... tentando disfarçar.........impossível, por mais que eu tentasse. Mas, a gente pensa que em o controle e não tem nada, vive à mercê de qualquer acidente, de qualquer desgraça, eu podia ter morrido............contando para mim mesmo as mesmas mentiras que contava para minha mulher. Essas eram as piores, ou as mais perigosas, as que eu inventava para mim mesmo e em que acreditava como se as ouvisse de outro, de alguém que se apossava de mim quando bebia demais. Era isso que eu sentia às vezes, quando acordava de noite, ainda sob o efeito da bebida. Estava deitado no escuro, ao lado de minha mulher e sentia que tinha outra pessoa no quarto e me dava pânico...........o outro continuava ali..............Outras vezes esquecia das coisas, que desapareciam por horas, até por noites inteiras, e dei para pensar, que quando isso acontecia, era o outro que tinha se apossado de mim por completo e me roubava até as lembranças..........Nesta noite, a última de todas, eu estava tão bêbado que não tinha me atrevido a dirigir, e , além do mais nem me lembrava onde tinha deixado o carro.....e também não sei como consegui chegar em casa.......Parei duas ou três vezes para urinar em qualquer lugar, dessas mijadas longas dos bêbados que fedem a álcool. Cheguei ao portão do meu prédio, olhei para cima para ver se a luz do meu apartamento ainda estava acesa, e então, perdi equilíbrio e caí. Não sei quanto tempo fiquei no chão, de bruços, sem se mexer, felizmente protegido da chuva pela marquise. estava caído, consciente, como o rosto contra o piso gelado, imagine se naquele momento chegasse algum vizinho, penso nisso e ainda sinto vergonha só de lembrar. Eu estava gostando de ficar ali deitado, não tinha a menor vontade de me levantar e entrar em casa, e naquele momento entendi esses bêbados que dormem na rua, largados na calçada. Impossível cair mais baixo, e é verdade, literalmente, a gente tem a tranquilidade de ter chegado ao chão, de não estar sujeito a quedas nem vertigens......Só me levantei porque comecei a sentir muito frio....Consegui chegar ao banheiro, sentei na privada e então comecei a vomitar, sem forças até para virar o rosto para que o vômito caísse no chão. Vomitei em mim mesmo, na camisa do pijama, nas calças arriadas e nos joelhos, e o cheiro do vômito provocava mais ânsias e me fazia vomitar mais. Ficava com a cabeça baixa e a boca aberta e babando e olhava o que tinha saído e o que voltava a sair dela como um idiota, como se não fosse eu que estivesse vomitando.....

Procure ajuda, visite o site dos Alcoólicos Anônimos!

Trecho extraído do livro "Lua Cheia" de Antonio Muñoz Molina
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link do postPor anjoseguerreiros, às 15:37 

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