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11.2.09

Aluno aprovado em veterinária acabou no hospital, em coma alcoólico.
Depois de sair do coma alcoólico, o estudante Bruno César Ferreira se recupera na casa dos pais. Ele entrou no curso de medicina veterinária de uma universidade particular de Leme (SP). No primeiro dia de aula, Bruno foi parar no hospital, com marcas que mostram a violência que sofreu no trote. As imagens correram o Brasil e deixaram muita gente chocada.
“Estou com muita dor na costela. Disseram que foi uma chicotada que tomei. Uns dizem que eu estava amarrado no poste. Estou com marca no pescoço e estou constrangido”, disse o estudante. O constrangimento é o mesmo dos pais. “É muito triste. A hora que eu o vi no hospital, na maca, jogado lá... Porque ele não foi bem tratado lá. Ele entrou como indigente. Ficou molhado. Quando eu cheguei, os pés dele estavam gelados já, com muito frio”, lembra, chorando, o pai de Bruno, Paulo Sérgio Ferreira.
O estudante contou que foi levado a um bar e se recusou a beber. Ele teria sido amarrado a um poste, chutado e chicoteado. Depois que desmaiou, os veteranos tentaram reanimá-lo e, como não conseguiram, teriam deixado o rapaz na rua. Ele foi socorrido pela mãe de outra estudante.
A universidade diz que está investigando para saber se será possível expulsar algum dos participantes desse trote.

Com o início das aulas, os trotes voltam à pauta de discussão . Pesquisadores apontam que, embora existam diversas inciativas com caráter social, a ameaça de violência continua presente na recepção aos calouros, como podemos verificar nas imagens que circulam na internet.
Após meses de estudo, muitas horas de preocupação e várias noites de sono perdidas pelo vestibular, enfim chegou a hora de começar as aulas em um novo ambiente: a universidade. Essa mudança, porém, nem sempre é tranquila para todos. Uma das primeiras preocupações dos calouros é com a recepção que terão no novo ambiente, ou seja, o trote. Muitos ainda temem as tradicionais brincadeiras e, em especial, o uso da violência. Nos últimos anos, porém, muitas universidades têm lutado para mudar a imagem do trote, incentivando ações solidárias e que, de fato, sirvam para integrar os recém-chegados.
As mudanças no perfil do trote, porém, são recentes. Até meados da década de 90 o uso de violência na recepção dos calouros era o comportamento padrão dos veteranos. Foi preciso que ocorresse uma tragédia de repercussão nacional para que algo começasse a mudar na consciência dos alunos. Em fevereiro de 1999, o calouro de medicina da USP (Universidade de São Paulo), Edison Hsueh, foi encontrado morto na piscina da Associação Atlética Oswaldo Cruz - um dia após o trote da Faculdade de Medicina, nas dependências da universidade.
O trote é uma tradição tão antiga quanto as próprias universidades. Segundo o professor Zuin, os primeiros registros de trotes datam do século XIV, na Europa, quando da criação das primeiras IES. Na época, os calouros eram colocados em pequenas salas, que antecediam o local onde eram ministradas as aulas, os vestíbulos (mesma origem da palavra vestibular).
Neste local, os alunos tinham seu cabelo raspado como uma medida profilática tomada pela universidade, pois havia a necessidade de se conter a propagação de determinadas doenças. Além disso, havia ainda a "dominação" dos estudantes veteranos, que submetiam os calouros a práticas humilhantes para que estes passassem, a partir do exercício seguinte, a ser considerados veteranos.
Curioso é notar que, com o próprio trote, nascem também as iniciativas para coibir os trotes violentos. Partindo inicialmente das próprias universidades, em meados do século XV surgiria a primeira associação voltada especificamente para a formação de políticas contra o trote. Em 1831, porém, foi registrada a primeira morte durante a aplicação de um trote, de acordo com Almeida.
O trote chegaria ao Brasil em meados do século XIX, com a criação dos cursos superiores. Os responsáveis pela novidade seriam os portugueses.
A partir do incidente em 1999, grande parte das universidades do país passou a coibir o trote violento, incentivando ações solidárias. Na maioria delas, foram criadas regras para punir atitudes agressivas dos veteranos ou ações que levassem os calouros a situações vexatórias. Para alguns especialistas, porém, isso ainda é insuficiente para resolver o problema. Embora a grande maioria das instituições tenha ferramentas para punir estas atividades, poucas são as que colocam em prática as medidas disciplinares. Dessa forma, as chamadas "brincadeiras" - pichação, corte de cabelo - não são efetivamente penalizadas.
"Cortar o cabelo, que todos chamam de brincadeira, é o começo de uma violência maior. O trote nunca começa pela morte de um aluno", alerta o professor do departamento de Economia da Esalq-USP (Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"), Oriowaldo Queda.
Para Zuin, autor do livro: "O Trote na Universidade: passagens de um Rito de Iniciação", os primeiros trotes têm como marca a soberba intelectual, que permanece nos veteranos até hoje. Este se vê como o portador da formação cultural do novo aluno, o indivíduo civilizado que vai domesticar os calouros e ensiná-los a conviver no meio acadêmico, do qual os mais experientes se posicionam como guardiões. .
Neste sentido, mesmo ações que demonstrem novas tendências, que buscam mudar a imagem que o trote tem na sociedade - como o chamado "trote solidário" - são condenadas pelos pesquisadores. Embasadas no assistencialismo, essas ações são tidas como subterfúgios que ocultam as atividades violentas, que continuam se propagando no meio acadêmico. Para os organizadores de eventos que têm um caráter social, no entanto, essa é a primeira opção para se conseguir a erradicação do trote violento. Não se pode negar que o número de trotes solidários têm crescido em progressão geométrica nos últimos anos, sobretudo após 1999. "A mudança para o trote solidário é uma tendência. O número de universidades que trabalha assim aumenta ano a ano", conta uma das organizadoras do Projeto Trote da Cidadania, Talita Ferraz.
Aparentemente, porém, nem todas as campanhas voltadas para este tipo de trabalho abandonam completamente as atividades consideradas violentas. Muitas delas ainda carregam algumas atividades consideradas "inocentes", como a pichação e o corte do cabelo, já citados acima. Outras colaboram para propagar ainda mais graves preconceitos contidos em expressões como a denominação "bixo".
Uma das unanimidades entre os pesquisadores, porém, é a necessidade de se encontrar uma alternativa pacífica para a recepção dos novos alunos nas IES. A integração de maneira violenta pode provocar sérios danos ao desenvolvimento acadêmico dos estudantes. "Que tipo de médico vai ser um sujeito que está acostumado a humilhar o outro, a satirizar aspectos físicos preconceituosos? Que tipo de responsabilidade social tem alguém com esse perfil?", questiona Almeida. "Não se trata de eliminar a relação do calouro com o veterano. É possível se fazer com que os calouros sejam bem recepcionados na universidade. Novas tradições podem ser criadas, não pautadas na violência física e simbólica", conclui Zuin.
Fonte: Universia

link do postPor anjoseguerreiros, às 10:31 

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