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9.5.09
Depois da revelação que um de seus sete filhos era homossexual a professora Edith Modesto criou uma ONG que ajuda os pais a lidar com essa situação. Em entrevista a ÉPOCA, ela conta que algumas mães pensam até em se matar quando recebem a notícia.

Há quinze anos, a filósofa e professora paulista Edith Modesto descobriu que um de seus filhos era gay. Entrou em desespero e começou a se informar sobre homossexualidade. Nesse processo de aceitação, Edith percebeu a dificuldade dos pais em aceitar ter um filho homossexual. Resolveu, então, criar uma ONG, o Grupo de Pais de Homossexuais, que atende homens e mulheres que sofrem e têm dúvidas em relação à homossexualidade de seus filhos - um trabalho único no Brasil. Ela conta que, apesar dos avanços sociais no tema diversidade sexual, quando o assunto entra nos lares, tudo muda de figura. "As mães negam, têm culpa, ficam perdidas. Algumas adoecem e até pensam em suicídio", afirma. Em seu novo livro, "Mãe sempre sabe?" (ed. Summus), a escritora fala das fases enfrentadas pelos pais em emocionantes relatos.

ENTREVISTA – EDITH MODESTO

QUEM É
Paulistana, tem 71 anos. É casada e mãe de sete filhos


O QUE FAZ
Filósofa, professora da USP e presidente da ONG Grupo de Pais de Homossexuais (GPH). Lançou os livros Vidas em Arco-Íris (Editora Record) e Mãe Sempre Sabe? (Editora Summus)

ÉPOCA – Se compararmos a aceitação da homossexualidade na sociedade e na família, onde ela mais avançou?
Edith Modesto - Dentro de casa avançou menos. Hoje já vemos homossexuais nas novelas, o assunto diversidade sexual não é mais um tabu. Mas dentro de casa tudo muda. É a velha história: e se fosse o seu filho? Conheço mulheres que durante a vida tiveram amigos íntimos homossexuais e um dia, ao se deparar com um filho gay, enlouqueceram, não aceitaram. Elas mesmas não entendem. Na semana passada, uma psicanalista especialista em sexualidade me procurou no GPH ao descobrir que a filha é lésbica.

ÉPOCA – A que você atribui essa dificuldade?
Edith - O preconceito está enraizado em todos nós, de alguma forma. Quando entra na nossa casa, mexe com as nossas expectativas em relação a um filho. É quando o nosso sentimento real, e não aquele da pesquisa feita na rua, que respondemos em tese, entra em cena.

ÉPOCA – Homossexuais ainda são expulsos de casa?
Edith - Sim, mas é mais raro. Hoje existem dois motivos de vergonha na cabeça desses pais. A de sempre: ter um filho gay ou uma filha lésbica. E uma nova: a de radicalizar a situação, expulsar o filho de casa ou bater nele, como acontecia muito no passado. Como a sociedade avançou, os pais ficam entre uma coisa e outra. Mantêm o filho em casa, mas não aceitam a homossexualidade dele. O resultado é que a pressão no lar passa a ser maior ainda.

ÉPOCA – Pais e mães reagem de forma diferente?
Edith - Sim. Como é nossa cultura? A mulher é mais afetiva, mais compreensiva. Os homens são mais frios, mais machistas - embora as mulheres também sejam e repassem este comportamento para os filhos. Quando se sabe que um filho é homossexual, de uma forma geral, a reação de ambos é ruim. Porém os homens tendem a atitudes mais agressivas ou se isolam do problema, enquanto que as mulheres enfrentam a questão que mais se aproxima de uma aceitação. Claro que há exceções.

ÉPOCA – Muda alguma coisa para os pais se é o filho ou a filha que se declara homossexual?
Edith - Eu tenho observado que para os pais é mais difícil ter um filho gay do que uma filha lésbica. Um pai, quando coloca um filho no mundo, quer que ele seja seu espelho. Quer a continuidade daquela linhagem. Somado ao machismo, fica uma situação muito difícil. Se a filha é lésbica, os pais acreditam que será mais 'disfarçável', já que ela pode ter amigas, demonstrar afeto, dormir juntas. Se o rapaz pega na mão do amigo, o mundo cai. Por isso as lésbicas jovens tendem a ficar dentro do armário por mais tempo.

ÉPOCA – Quais as fases mais comuns pelas quais passam os pais dos homossexuais?
Edith - A fase da descoberta é, naturalmente, a pior. Todas as pessoas do mundo foram criadas e se prepararam para ter filhos heterossexuais. Ninguém foi preparado para ter filho gay. Quando se vê uma mulher grávida, ninguém pergunta se é menino, menina ou homossexual. Então, a fase da descoberta é cercada, para a grande maioria, de culpa e negação.

ÉPOCA – E como é a negação?
Edith - Muitas acreditam piamente que se trata de algum problema psicológico, de uma fase de experimentação ou mesmo de safadeza. Tentam mostrar ao filho que existe um caminho melhor. Isso é o padrão e eleva o nível de sofrimento para todos. Às vezes, a aceitação demora muito tempo. Outras entram logo na fase de tentar saber tudo sobre gays e lésbicas.

ÉPOCA – Querem se aprofundar no tema?
Edith - Exato. Querem entender. Entender para tentar aceitar. Passam a ler tudo. A maioria das mães gostaria que ficasse comprovado o fator genético da homossexualidade, para terem a certeza de que não são as 'culpadas'. E também ter certeza de que o filho não é doente e nem safado. Somos ainda muito levados pela vertente da psicologia que diz que a culpa é sempre da mãe.


ÉPOCA
link do postPor anjoseguerreiros, às 13:25 

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