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8.3.09

RIO - Sheila Santos dá palestras em escolas públicas sobre higiene bucal para crianças carentes e ajuda jovens a fazerem sabão e móveis reciclados. Tatiana Simioni ensina inglês para a garotada da Rocinha e ainda dá expediente numa creche na favela. Leilane Pereira arregimenta voluntários para trabalhar no Inca. Alceu Nobre Junior monta shows grátis numa praça em Laranjeiras. Rodrigo Lacerda dá aulas de reforço para moradores de comunidade que vão prestar vestibular. As histórias desses cinco cariocas revelam que há gente que faz o Rio ser uma cidade legal. Essas pessoas presenteiam o Rio dedicando parte do seu tempo ao trabalho voluntário.
Protética, Sheila, de 32 anos, conta com o apoio de dezenas de voluntários da Associação dos Professores Públicos Ativos e Inativos do Rio (Appai), no Centro. Ela diz que aprendeu a lidar com as dificuldades por causa da vida simples na casa dos pais.
- Nasci em comunidade e cresci num ambiente muito pobre. Nada foi fácil na minha vida. Fazemos o que o governo não consegue e chegamos aonde os governantes não têm acesso. Assim como falta educação, as pessoas são carentes de cuidado e atenção - aponta.
Sheila dedica ainda todos os seus sábados aos jovens das favelas de Vila Isabel. Na sede da ONG Luz do Sol, eles transformam óleo de cozinha em sabão e fazem sofás com garrafas pet.
- Não só ajudo a fazer, como lá em casa só uso o sabão reciclado. Eu e meu marido estamos fazendo um sofá com garrafas pet.
Mesmo sem saber aonde o seu trabalho poderia chegar, Sheila conta que nunca teve medo.
- Nunca dei aula na vida, nem pensei que ia dar certo, mas jamais tive medo de arriscar. No ano passado, recebemos um prêmio de reconhecimento do Unicef pelo nosso trabalho.
Já Tatiana, de 30 anos, viveu grande parte da sua vida entre celebridades e nobres, como a rainha da Inglaterra, país onde morou. Hoje, ela vive outra realidade. A carioca formada em Turismo e Hotelaria conta que vai pelo menos duas vezes por semana à Favela da Rocinha, onde ensina inglês para os jovens e ajuda a cuidar dos filhos dos moradores numa creche.
- Claro que estar num hotel cinco estrelas é muito bom, mas cheguei a um ponto na minha vida em que decidi fazer aquilo de que gosto. Descobri que minha verdadeira vocação é cuidar dos outros - conta. - Fui observada no início do meu trabalho, mas hoje há um respeito mútuo na comunidade. Sou chamada de teacher (professora, em inglês) pelas crianças e isso é um carinho enorme para o meu coração.
Tatiana disse que teve o primeiro contato com a pobreza ao viajar para o Peru para conhecer a família da mãe, quando tinha 8 anos. Ela conta que guarda na memória a imagem das pessoas carentes nas ruas.
- Minha mãe também era voluntária. Eu lembro que ia à igreja com ela, que dava aulas de alfabetização para adultos. E não há salário no mundo que pague a felicidade no rosto de um idoso que conseguiu ler o próprio nome - recorda.
Tatiana pretende, a partir do ano que vem, se dedicar ao trabalho voluntário ao redor do mundo, começando pela América Latina.
Leilane Pereira, de 49 anos, conta que há cinco anos passou a dedicar um dia da semana ao trabalho voluntário na área administrativa do Instituto Nacional do Câncer. Ela teve duas motivações. Uma foi ter conseguido parar de fumar depois de 30 anos. A segunda e mais forte razão foi a morte do pai, de câncer no pulmão.
- Deixei meu trabalho numa multinacional, onde atuava na área administrativa, para me dedicar ao voluntariado. Hoje, vejo que tenho muito mais a fazer - diz ela, que pretende recrutar mais 1.300 voluntários para somar aos 700 que atuam na instituição.
Já o professor de História Rodrigo Lacerda, de 30 anos, ajuda jovens que não podem pagar um curso preparatório para o vestibular. Há cinco anos, ele dedica quatro sábados próximos às datas de vestibular para intensificar a matéria para jovens em Jacarepaguá. Ele é professor de uma escola particular de ensino médio na Tijuca.
- O mais importante é saber em que área você pode ser útil. É ali que a sua atividade poderá se refletir de uma forma positiva - avalia.
Também professor, só que de Educação Física, Alceu Nobre Junior dedica seu tempo a outra iniciativa. Ele e mais três amigos se reúnem todo terceiro sábado do mês na Praça David Ben Gurion, conhecida como Praça do Chafariz, em Laranjeiras, com o projeto Clube da Bossa Jazz.
- Tive a inciativa de juntar uns amigos e levar cultura aos cariocas na praça. A população está muito carente e insegura, e acho que a música traz um pouco de leveza. Por causa da violência, as pessoas ficam muito trancadas em casa, e é preciso desopilar um pouco - conta.


link do postPor anjoseguerreiros, às 11:14  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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