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16.4.09
Em sua origem, a medicina ocidental era uma ciência essencialmente humanística. Suas raízes se assentavam no solo da filosofia da natureza e seu sistema teórico partia de uma visão holística que entendia o homem como ser dotado de corpo e espírito. Nesse sentido, para médicos como Hipócrates (nascido em Cós, aproximadamente no ano 460 a.C.) “as doenças não são consideradas isoladamente e como um problema especial, mas é no homem vítima da enfermidade, com toda a natureza que o rodeia, com todas as leis universais que a regem e com a qualidade individual dele, que [o médico] se fixa com segura visão”.
As causas das doenças, portanto, deveriam ser buscadas não apenas no órgão ou mesmo no organismo enfermo mas também e principalmente no que há de essencialmente humano no homem: a alma; esse componente espiritual que distingue o homem dos outros organismos vivos do planeta.
Mais do que um biólogo, mais do que um naturalista, o médico deveria ser, fundamentalmente, um humanista. Um sábio que, na formulação do seu diagnóstico, leva em conta não apenas os dados biológicos mas também os ambientais, culturais, sociológicos, familiares, psicológicos e espirituais. O médico clássico portanto é, antes de tudo, um filósofo; um conhecedor das leis da natureza e da alma humana.
Os enormes progressos alcançados graças às ciências físicas, químicas e biológicas, aliados aos desenvolvimentos tecnológicos, foram, cada vez mais, redirecionando a formação e a atuação do médico, modificando também sua escala de valores. Na medida em que o prestígio das ciências experimentais foi crescendo, o das ciências humanas esvanecia-se no meio médico.
As descobertas ainda mais surpreendentes que ocorreram nas últimas décadas, principalmente no âmbito da biologia celular e molecular, que ultimamente têm culminado nas pesquisas do genoma, parecem ter definitivamente confirmado a idéia de que a chave de todo o conhecimento médico está nas ciências experimentais.
Certamente, mesmo depois de totalmente desvendado o código genético e desenvolvidas as mais sofisticadas técnicas de diagnóstico e prognóstico clínico, os médicos continuarão enfrentando limitações e dificuldades que exigirão mais do que o conhecimento científico-tecnológico para que possam ser superadas. E isso é uma realidade que já se experimenta, muitas vezes de forma traumática e desalentadora, nos dias de hoje.
Encarar o paciente como um ser humano, ser capaz de enxergar o outro, compadecer-se de sua dor , é uma arte há muito esquecida pelos profissionais da saúde.
Quanto mais Phds, mais valoriza-se o cérebro e a razão e menos atenção é dispensada ao coração e aos sentimentos.
Antonio Carlos da Fonseca, que necessitou de terapia fonoaudiológica , após a retirada de sua laringe, descreve em seu livro "Aprenda a se conhecer", a sua experiência como paciente. Transcrevemos abaixo alguns trechos que ilustram nossa reflexão e sensibilizam para a necessidade de uma atitude mais humana frente aos pacientes, em todas as áreas.

... De que adianta uma profissional tecnicamente competente, como foi o caso de minha avaliação pré-operatória, se ele não procurou aplicar técnicas de relacionamento humano tão necessárias para o momento, que era de muita angústia e tensão.
Competente é o profissional que sabe se situar e avaliar o momento, utilizando o conhecimento das técnicas mais adequadas às circunstâncias, a fim de conseguir respostas e chegar com sucesso ao seu objetivo...

... No meu caso, no período pós-operatório, quando comecei a realizar minha sessões de fonoterapia, passei por umas sessões superficiais de consultório, sem despertar maiores interesses para o aprendizado, em que a fonoaudióloga da época metralhava com exercícios e só se preocupava em exigir a realização deles com perfeição, não enxergava o paciente e não se importava com o meu estado de espírito, fazendo questão apenas de demonstrar o seu conhecimento sobre as técnicas da recuperação da voz, de se mostrar o(a) dono(a) da situação, esquecendo-se de que na sua frente estava uma pessoa muito fragilizada em seus sentimentos, estressada, depressiva com sua nova aparência e perspectiva de vida, que necessitava muito de estímulos emocionais e psicológicos, juntamente com a aplicação da parte técnica, pois, neste momento, a sensação da perda definitiva da voz parecia-me iminente...

Fonte: Aprenda a se conhecer - Antonio Carlos da Fonseca



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colaboradores: carmen e maria celia

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