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21.1.09

SÃO PAULO - A Igreja Renascer em Cristo ignorou recomendações do engenheiro responsável pela reforma do templo em 1999 e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para garantir a segurança do prédio no bairro do Cambuci, zona sul, onde nove pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas no último domingo, após o teto desabar.
Em 1999, o parecer técnico do engenheiro Carlos Freire de Andrade Lopes apontava que, mesmo após a reforma realizada naquele ano, seriam necessárias inspeções a cada dois anos na estrutura do imóvel - o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) recomenda vistorias deste tipo a cada cinco anos. Contudo, desde então, a Prefeitura não recebeu nenhuma nova avaliação do estado de conservação do teto feita por engenheiros contratados pela Renascer.
" A Igreja Renascer afirma que cumpriu as cinco orientações apontadas pelo engenheiro para que o teto não caísse "
A empresa contratada para trocar o telhado, a Etersul, não possui engenheiro nem registro no Crea. O serviço foi feito sem um projeto de engenharia. Mesmo assim, o alvará de funcionamento da igreja foi renovado em julho de 2008, após ter vencido em outubro de 2007. O Ministério Público pediu explicações sobre o fato.
Leia também: Renascer pede doações a fiéis para reconstrução do templo
A Igreja Renascer afirma que cumpriu as cinco orientações apontadas pelo engenheiro para que o teto não caísse, como tratamento de madeiras contra cupins, limpeza de calhas, evitando umidade, e restauro do forro, que "em hipótese alguma pode servir de depósito".
As atividades para conservação foram feitas anualmente por funcionários da igreja, diz a Renascer. A congregação promete apresentar um plano de demolição até às 15h desta quarta. A medida é necessária para o retorno da perícia ao local.
Reforma em 1999 não previa a instalação de ar-condicionado
Responsável pela reforma do teto do templo da Renascer, o engenheiro civil Carlos Freire de Andrade Lopes diz que finalizou a obra em 1999 com a cobertura suportando cerca de 90 quilos por metro quadrado, conforme as necessidades da época. Segundo ele, a estrutura estava no limite.
- Eu recebi o prédio com fungos, a madeira estava apodrecendo e com cupins nas 14 tesouras (estruturas de sustentação). Determinei a troca das madeiras e a retirada do forro de pinho e do gesso velho. É completamente estranho o teto desabar dez anos depois - diz.
Conforme o engenheiro, o projeto não previa a instalação de um ar-condicionado, o que ocorreu, segundo a Renascer, durante as obras daquele ano.
- A cobertura era uma estrutura de madeira reforçada por uma estrutura de metal, de aço. Ela ficou aguentando o peso necessário na época - afirma.
A Renascer afirmou que o ar-condicionado central estava instalado em uma torre de alvenaria e que a ventilação era desdobrada pelo imóvel através de dutos que foram afixados na estrutura metálica. A Defesa Civil avaliou que o excesso de peso no teto - provocado pelos aparelhos e por outros acessórios de iluminação colocados na cobertura - pode ser uma das causas da tragédia, que deixou nove mortos.
Nesta terça, o engenheiro esteve no palco da tragédia atrás de explicações sobre as causas do desmoronamento. Foi impedido de entrar no local. Ele diz que não teve acesso ao prédio após a reforma que coordenou em 1999 e que, depois disso, eram necessárias inspeções para verificar danos causados à estrutura de madeira, como "fadiga, desgaste físico, biodeterioração e eventual sobrecarga não prevista".
A polícia promete concluir o inquérito rapidamente para evitar que o crime prescreva como aconteceu com a igreja Universal. Um acidente semelhante aconteceu no templo de Osasco, matando 25 pessoas em 1998, mas ninguém foi punido.


link do postPor anjoseguerreiros, às 17:47 

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