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7.1.09

RIO - Em cima de uma prancha de surfe, seu Freitas, como é conhecido no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro, desafia o tempo.
- Quando comecei a surfar, me sentia um velho de 38 anos. Hoje sou um jovem de 77 - diz o empresário Affonso Freitas.
Um dos surfistas mais velhos do Brasil, ele se orgulha, com razão, da saúde e da disposição que exibe.
- O surfe pra mim é tudo: meu remédio, meu hospital, minha inspiração. Antes, vivia à base de remédios, de estimulantes para trabalhar, para viver. O surfe me libertou - comemora.
A "libertação" não chegou exatamente cedo na vida de seu Freitas. Ele estava perto dos 40 anos quando descobriu o esporte. E mudou de vida. Mudou até de trabalho. Trocou a loja de móveis que tinha no Centro por outro ganha-pão. Há 24 anos lançou um serviço pioneiro para os surfistas no Recreio: um depósito de pranchas. No surf center do seu Freitas, quem pega onda por ali mas mora longe paga um aluguel para deixar a prancha bem guardada, sem precisar transportá-la toda vez.
" O surfe me ensinou a ser uma pessoa mais saudável, mais equilibrada, mais compreensiva, mais amiga "
- Percebi que, naquela época, muita gente vinha de longe e não tinha onde guardar a prancha. Então, tive a idéia de abrir o surf center - explica.
Frequentador da Praia da Macumba, no Recreio, seu Freitas inspira outros a surfar.
- O surfe me ensinou a ser uma pessoa mais saudável, mais equilibrada, mais compreensiva, mais amiga. E quero passar isso a todas as pessoas que eu consiga - deseja. - Essa admiração que as pessoas têm por mim é que me anima a continuar surfando e tentando ser cada vez uma pessoa melhor - completa.
Mas nem sempre foi assim. Houve tempos de preconceito também.
- Certo dia, um fornecedor de matéria-prima veio me visitar de surpresa. Quando ele chegou, a secretária disse-lhe que eu estava surfando. Ele se espantou, foi embora dizendo que surfista não merecia confiança. E cortou meu fornecimento, causando-me muitos problemas - conta o veterano surfista, lembrando um tempo em que fabricava produtos de beleza.
Seu Freitas venceu outras dificuldades. E precisou de perserverança para conseguir se equilibrar.
- Levei vários meses 'apanhando', até conseguir ficar em pé. Era um sufoco. Sem cordinha, a prancha ia parar na areia toda hora. Uma hora de surfe era como ficar 50 minutos nadando para ir buscar a prancha e só dez minutos surfando mesmo - recorda. - Ficar em pé foi uma grande vitória, a realização de um sonho. Um dia inesquecível. E foi também a abertura para uma nova vida - relata.
Para quem é sedentário e vive cansado, o surfista de quase 80 anos dá um conselho:
- Para se ter disposição, tem de se fazer o corpo trabalhar. Quando se sentir cansado, vá pedalar, andar, fazer uma trilha, rolar numa cachoeira ou surfar. Quanto mais a pessoa de exercita, mais vai desgastando a ferrugem do corpo. Os resultados serão excelentes - garante.
Com um exemplo desse, alguém duvida?



link do postPor anjoseguerreiros, às 12:50  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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