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11.3.09
O pai do menino Sean diz que o encontro entre os dois presidentes, neste mês, pode ajudar sua causa

A luta do modelo americano David Goldman para obter a custódia de seu filho, Sean Bianchi Goldman, de 8 anos, deverá estar na pauta do encontro entre os presidentes Lula e Barack Obama ainda neste mês, nos Estados Unidos. Goldman diz ter esperanças que os dois chefes de governo reconheçam que sua causa é justa e o ajudem a vencer a batalha judicial que trava contra a família da mãe de Sean, Bruna, que morreu de parto no ano passado. Nesta entrevista a ÉPOCA, por telefone, Goldman diz nunca ter entendido os motivos de a brasileira ter deixado os EUA e levado seu filho. Afirma que está cansado de tanto batalhar na Justiça, mas que vai até o fim. Goldman falou sobre o breve reencontro com o filho, no mês passado, e da esperança de recuperar seu “tesouro”.


ÉPOCA – No mês passado, o senhor se encontrou com seu filho, Sean, pela primeira vez depois de quatro anos. Como foi esse encontro? David Goldman – Foi em um condomínio no Rio de Janeiro. Ele veio com uma psiquiatra e estava muito receptivo. Nós nos abraçamos e foi lindo. Eu segurei o choro; estava tão feliz em vê-lo. Vimos juntos as fotos de sua família nos Estados Unidos. Sean se lembra dos avós (americanos), das pescarias, da canoagem. É um menino maravilhoso. A conversa aconteceu em inglês. Depois de aprender a língua nos Estados Unidos, ele frequentou uma escola americana no Brasil. Em nenhum momento discutimos se ele gostaria de ficar comigo ou no Brasil. Evitei esse tipo de conversa. Só queria que meu filho soubesse quanto eu sinto saudade e quanto quero ficar com ele. Queria que soubesse que, durante quatro anos, tentei vê-lo e até trouxe comigo ao Brasil a avó dele e outras pessoas próximas. Cheguei a esperar duas semanas para vê-lo (mas sem resultados).
ÉPOCA – Por que Bruna o deixou? Como era sua relação com ela? Goldman – Sinceramente, não sei os motivos que a levaram de volta ao Brasil. Eu nunca soube que ela tivesse outra pessoa no país. Eu a amava, amava a família dela e a minha família também gostava dela. Até onde eu sei, nós tínhamos uma relação como a de qualquer outro casal. Tirávamos férias juntos, saímos para namorar. No começo, em uma conversa por telefone, até os pais de Bruna disseram que não a estavam entendendo (Bruna pediu a guarda definitiva de Sean). Ela dizia que não voltaria mais a Nova Jersey. Dizia que era no Brasil que tinha família, amigos etc. Ela ainda disse que eu era um cara maravilhoso e um ótimo pai e que estava feliz por termos um filho, mas que queria morar no Brasil.
”Não sabia nada sobre a relação de Bruna com João Paulo. A família nem me avisou da morte dela”
ÉPOCA – Por que não tentou reatar a relação? Goldman – Ela não me deu opções. Não me deixou voltar ao Brasil e tentar continuar a relação com ela.
ÉPOCA – Desde que seu filho partiu dos EUA, o senhor levou um ano para viajar para o Brasil para tentar encontrá-lo. Por quê? Goldman – Desde o primeiro momento, eles não me deixariam ver Sean a não ser que eu assinasse papéis renunciando sua custódia. Fui aconselhado pelos meus dois advogados (o dos EUA e o do Brasil) a não vir porque cairia numa batalha judicial no Brasil. Qualquer acordo sobre a custódia de meu filho deveria ser realizado no país de origem, onde nós moramos, onde nos casamos e onde Sean nasceu, ou seja, nos Estados Unidos.
ÉPOCA – Se sua relação era tão boa com a família de Bruna, por que se tornou tão ruim? E por que o senhor os acusa de mentir? Goldman – No momento em que passei a discordar deles, tornei-me um inimigo. Quando fui à Justiça dizer que queria meu filho de volta, então tudo se transformou. No primeiro ano, eles receberam os papéis dizendo que o que estavam fazendo era violação dos direitos da Convenção de Haia e que, segundo os juízes americanos, Sean deveria retornar aos Estados Unidos.
ÉPOCA – O senhor tinha conhecimento sobre a relação entre Bruna e o advogado João Paulo Lins e Silva? No processo consta que eles se conheciam havia quatro anos. Goldman – O que eu sei é que ela ficou casada com ele por dez meses antes de morrer. Não sabia nada sobre a relação deles. A família de Bruna nem me avisou da morte dela.
ÉPOCA – A família de Bruna afirma que o senhor exigiu US$ 150 mil para interromper o processo de custódia de seu filho? Goldman – É mentira! A verdade está na Justiça. O retorno de Sean aos Estados Unidos não tem nada a ver com isso. Os US$ 150 mil fizeram parte de um acordo realizado nos tribunais de Nova Jersey, onde dei entrada com o processo para obter a guarda da custódia de Sean. Esse dinheiro foi para pagar as despesas processuais e, em troca, os pais de Bruna, réus do processo, seriam excluídos (a corte americana considerou os avós maternos como réus do processo).
ÉPOCA – A que o senhor credita o fato de em agosto passado a Justiça brasileira ter dado a guarda provisória de Sean ao padrasto logo após a morte de Bruna? O senhor mencionou que a família do padrasto tem influência nos tribunais. Goldman – Não sei explicar a razão de a corte brasileira ter tomado essa decisão. Pode ser porque a família dele (o advogado João Paulo Lins e Silva) seja influente. Pode ser, não sei.
ÉPOCA – A custódia de Sean deverá estar na pauta do encontro entre o presidente Lula e o presidente Barack Obama que acontecerá ainda neste mês. O que o senhor espera desse encontro? Goldman – Espero que, pelo fato de serem os líderes dos dois países envolvidos, eles venham a reconhecer que o que está acontecendo está errado e, esperançosamente, vão me ajudar a ter o meu filho de volta.
ÉPOCA – Caso ganhe a custódia permanente, como o senhor pretende sustentar Sean? Goldman – Tenho um emprego full time como professor de navegação e estou ainda trabalhando como modelo.
ÉPOCA – Qual é o próximo passo? Goldman – O caso está nos tribunais federais e não sei quando sairá a decisão. Eu tenho de passar pela mesma briga judicial que já tive com Bruna (ele perdeu a custódia para ela). Tudo de novo. E agora esse cara novo que se casou com ela. Estou cansado, mas nunca vou desistir. Sean é meu sangue, minha carne. Ele é meu filho. Eu tenho saudade de tudo em relação a ele. De brincar de bola com ele, de andar de barco, fazer lição de casa, tudo me dá saudade. Ele é meu tesouro.
ÉPOCA – O senhor pensa em se casar novamente? Goldman – Não. Meu foco está em trazer meu filho de volta e nós nos reencontrarmos e curarmos juntos essa ferida.

Kátia Mello


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