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12.3.09
RECIFE - Ao comemorar 472 anos nesta quinta-feira, a cidade de Recife relembra que boa parte de seu desenvolvimento, ao longo da história, se deve ao povo judeu. A cidade recebeu a primeira leva desses imigrantes ainda no século XVI. Na época, a Inquisição forçou a saída dos judeus chamados sefarditas, que viviam na Península Ibérica. Eles vieram na condição de cristãos-novos, com suas identidades disfarçadas.
Os judeus se integraram e transformaram a paisagem pernambucana. A primeira ponte construída no Recife e no Brasil, a Maurício de Nassau, teve como engenheiro um judeu, Baltazar da Fonseca. A rua do Bom Jesus, no Recife Antigo, um dos pontos mais visitados pelos turistas, foi aberta também por judeus. A primeira sinagoga das Américas, a Kahal Zur Israel, fica no Recife.
Eles também trouxeram costumes que se incorporaram ao cotidiano dos pernambucanos. Varrer a casa da porta para dentro, contar as estrelas e fazer faxina na sexta-feira, por exemplo, são alguns deles.
O surgimento da primeira estrela marca o início de um novo dia pelo calendário judaico e por isso elas são contadas.
- Sexta-feira é considerado dia de faxina provavelmente por um costume de origem judaica. A limpeza é feita para receber o Shabat (dia do Descanso) não só espiritualmente, mas também preparando a atmosfera da casa para essa chegada - explica a historiadora Tânia Kaufman.

Varrer a casa de frente para trás é outro legado dos judeus.
- Eu varro começando da frente para trás. Porque dizem que, se for ao contrário, a gente está botando as pessoas para fora de casa - diz a estudante Maria Giane de Barros, moradora de Salgueiro, no Sertão pernambucano.
- Esse é um costume que é um respeito à mezuzá, uma caixinha onde há um dos mandamentos do judaísmo. A mezuzá é colocada no umbral direito da porta de entrada. É considerado desrespeito varrer a casa levando o lixo e passar por ela. Mas há uma outra explicação: o morto sai pela porta da frente da casa e é em respeito a essa passagem que o lixo não deve passar pela porta da frente - explica Tânia Kaufman.
Judeus foram donos de engenhos de açúcar
O período em que Maurício de Nassau esteve no Recife (entre 1637 e 1644), quando aceitou o convite da Companhia das Índias Ocidentais para assumir o governo no Brasil, foi o mais significativo. Na indústria açucareira, 30% dos engenhos de Pernambuco chegaram a pertencer a judeus ou cristãos-novos. Nassau ofereceu empréstimos para a recuperação desses engenhos de açúcar e respeitou as diferentes crenças religiosas.
- Esses cristãos-novos eram senhores de engenho, mas, principalmente, financiadores. Eles já estavam envolvidos com o comércio do açúcar na ilha da Madeira, e tinham uma renda - explica a pesquisadora Janaína Guimarães.
Segundo ela, o engenho Camaragibe, que deu origem à cidade de Camaragibe, o engenho Guerra, que hoje está situado ao lado da Refinaria, o engenho Apipucos, o engenho Torre, o engenho Madalena, todos pertenceram a cristãos-novos em algum momento. Isso está registrado em documentos históricos do período, incluindo também engenhos da Paraíba e Alagoas.
- O Recife, antes dos holandeses, era meramente o porto dos portugueses. Um porto com poucos armazéns e algumas casas de pescadores. Durante o período holandês, a área urbana da cidade foi expandida pelo menos cinco vezes. E desta expansão, pelo menos 20% das casas construídas nos aterros feitos no Recife foram feitas por mãos judias - afirma o pesquisador Daniel Breda.
Três séculos depois da primeira imigração, Pernambuco voltou a receber judeus. A partir de 1880, o Recife se tornou o porto de entrada para mais de 1,5 milhão de judeus que deixavam para trás suas casas na Romênia, Polônia e Rússia, fugindo da perseguição nazista na Europa Oriental.
- Várias aldeias judias foram incendiadas na Rússia apenas por diversão. Em países como Polônia e Áustria o anti-semitismo também vinha crescendo já no final do século XIX e início do século XX. Uma parte importante desses judeus que imigraram desses países termina no porto do Recife, onde constituem uma comunidade importante. Essa foi a segunda grande imigração de judeus para Pernambuco no Nordeste - diz a pesquisadora Cecília Legarda.


link do postPor anjoseguerreiros, às 08:11  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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