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22.3.09
Uma caligrafia ilegível e fora do padrão pode ser sinal de problemas emocionais e disgrafia, um distúrbio no desenvolvimento do cérebro

Quem nunca tomou uma bronca da professora exigindo uma letra mais bonita no caderno da escola? Letra feia faz parte do processo de aprendizagem da escrita. E ninguém consegue escrever bonito logo no começo. Mas quando a letra continua ilegível e muito diferente do padrão mesmo depois da alfabetização, pode ser sinal de que algo não está bem no sistema motor ou no comportamento da criança. Disgrafia é o nome dado à dificuldade de escrever de forma clara e legível. Não chega a ser uma doença, mas precisa de tratamento psicológico e treinos motores para que seja superada. Para que seja considerada de fato um problema, as letras têm que ser mais do que "garranchos": além de ilegível, a grafia tem traços irregulares (alterna traços fortes ou leves e tamanhos), omissão de letras, movimentos contrários à escrita e ligação inadequada entre letras – ou muito distantes ou muito grudadas. Quem tem disgrafia costuma segurar o lápis de forma inadequada – o que dificulta ainda mais a escrita – não consegue escrever num mesmo nível, mesmo que a folha tenha linhas, e, nesse caso, pode ser que linhas sejam puladas sem critérios.

Também é comum a quem tem disgrafia a demora para escrever. E foi justamente essa demora que fez o paulista Raphael Ozanich Perez, de 14 anos, saber que era disgráfico. Ele está na nona série e, com o aumento de conteúdo e a necessidade de mais agilidade nas tarefas, percebeu que havia algo errado. “Nas tarefas em sala de aula, quando eu fazia rápido, minha letra ficava muito feia e não dava para ler. Se eu fazia com calma para ficar legível, não dava tempo de terminar”, afirma Raphael

Os motivos da disgrafia podem ser motores, psicológicos e até oftalmológicos. Este acontece quando a criança não distingue bem as letras para copiá-las. No caso das causas psicológicas, segundo a fonoaudióloga Raquel Caruso, se uma criança enfrenta problemas com a família ou os colegas, pode refleti-losna letra. Raquel tem especialização em psicomotricidade, área que cuida de disgrafia. “Letra muito pequena e clara pode significar que a criança tem vergonha de mostrar o que está escrito. Lápis muito pressionado no papel pode mostrar tensão”, diz. Outra fonoaudióloga, Abigail Muniz Caraciki, também ressalta que fatores emocionais interferem no nosso corpo. “Uma pessoa com problema psicológico é instável e seu corpo responde de forma instável também. Ela terá uma postura errada e sua letra sairá letra errada. A letra é nosso corpo: projetamos no grafismo nossos sentimentos corporais”, diz.

“Disgrafia motriz” é o nome dado quando problemas são decorrentes da falta de coordenação motora causada pela imaturidade do sistemas nervosos central e periférico, que atrasa a aquisição de habilidades como escrever, desenhar, segurar talheres e até manter o equilíbrio. Quando uma criança tem esse tipo de imaturidade, pode apresentar dificuldades para chutar uma bola, pular num pé só, amarrar cadarços e abotoar botões antes da alfabetização. “Às vezes, os pais dizem que a criança é desajeitada ou desengonçada”, diz Maria José Gugelmin de Camargo, professora da Universidade Tuiuti do Paraná e especialista em psicomotricidade e psicopedagogia. Quando começa a aprender a escrever, a questão motora afeta também a grafia. Por isso é importante prestar atenção em crianças com dificuldades motoras.

Ainda que a imaturidade do sistema nervoso possa ser resolvida com o tempo, tentar acelerar esse desenvolvimento é uma opção para evitar problemas às crianças. “A escola exige da criança uma letra legível. A repreensão de uma professora pode acarretar problemas psicológicos para o aluno, que se sente atrasado em relação aos outros, incompreendido e não consegue se expressar pelas palavras”, afirma Abigail. Raphael sabe que escrever de forma diferente pode ser um problema entre os alunos. Sua mãe, Rosely Ozanich, conta que quando ele tinha oito anos chegou a ser discriminado pelos colegas de classe porque não segurava o lápis da mesma maneira que os outros. “Os colegas diziam que Raphael era deficiente físico e ele se sentia diferente”. Mesmo com a letra ilegível, Raphael nunca tirou notas baixas ou ficou de recuperação e isso é normal entre os disgráficos. A disgrafia não está ligada à capacidade intelectual e pode ocorrer em crianças com boas notas e facilidade de se expressar com a fala. “São crianças que conhecem as letras, mas não conseguem planejar os movimentos da mão, punho e dedos necessários para o traçado da letra”, diz Maria José. Mesmo assim, a disgrafia pode gerar problemas na vida escolar. Se a professora não consegue ler, pode dar uma nota mais baixa ou o aluno pode ter problemas para desenvolver tarefas, como acontecia com Raphael. É por isso que, mesmo que a letra seja feia e as notas bonitas, é importante tratar o problema. Há um teste específico que os profissionais da área aplicam para detectar a disgrafia e a segunda etapa é encaminhar o paciente para o tratamento adequado: psicológico, fonoaudiólogo ou com psicomotricista. O tratamento visa a uma reeducação da escrita e usa atividades manuais, com escultura em argila, pinturas, desenhos e até atividades culinárias. Pode durar de um a três anos, mas, segundo a psicopedagoga Maria José, em seis ou oito meses, a letra se torna legível, melhorando a relação do aluno com a escola.

Thaís Ferreira


link do postPor anjoseguerreiros, às 13:22 

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