notícias atuais sobre saúde, violência,justiça,cidadania,educação, cultura,direitos humanos,ecologia, variedades,comportamento
3.4.09
Nem só de adestrar cachorro vive André Francisco Rosa.Treinador condiciona animais que irão atuar em comerciais de TV.

A maior parte dos colegas de trabalho de André Francisco Rosa, de 32 anos, é cachorro, mas, de vez em quando, surge uma galinha, um pato, um porco, um pombo e até uma borboleta. Rosa é treinador de animais e costuma condicionar os bichos para fazer alguma tarefa específica para comerciais de televisão. A galinha que corre como louca nas primeiras cenas do longa-metragem “Cidade de Deus” foi “aluna” dele, conta o treinador. Alguns gatos que aparecem em comerciais de ração também. Apesar de adorar o trabalho com animais, Rosa conta que a maior dificuldade na hora do condicionamento é o medo constante que esses bichos têm de tudo. “Os cães são animais sociais, que convivem com a gente. Já um veado-catingueiro ou uma galinha, por exemplo, são naturalmente presas e, por isso, têm como instinto de sobrevivência fugir e se proteger sempre”, conta.
Para mudar essa relação, Rosa conta que costuma começar o treinamento conquistando a confiança do animal, o que pode levar alguns dias. Só depois, ele dá início ao condicionamento. “O cliente me diz o que ele quer que o animal faça, e eu começo o treino. Pode levar dias ou semanas porque tem que respeitar o ritmo de cada um”, conta. Para uma borboleta que precisava posar na mão de uma mulher, Rosa recorreu a uma substância que atraía o animal. Depois de várias tentativas, a borboleta passou a posar no lugar certo. A mesma tática, no entanto, não servia para o pombo. “Ele não podia posar nem 10 cm para frente nem 10 cm para trás de um ponto específico.”
Um veado-catingueiro que precisava fugir de um ator vestido de índio, parar para comer e ainda caminhar em direção à câmera foi um dos que mais deram trabalho. Mas os pedidos dos clientes nem sempre são tão diferentes. “A maioria dos comerciais pede algum comportamento natural, como espirrar ou se coçar”, diz Rosa.

Bode na guia
Entre os animais treinados por Rosa, outro que exigiu bastante dedicação foi um bode, que seria a estrela de uma propaganda de cerveja. O animal precisava se acostumar a andar no meio-fio, como um cachorro, e se familiarizar com um ônibus. “Passeei com ele na guia por Pinheiros [na Zona Oeste de São Paulo] e Vila Mariana [na Zona Sul de São Paulo]. As pessoas ficavam me olhando, achando estranho. Até aluguei um ônibus para o bode dar umas voltas dentro”, conta Rosa.
No fim, relembra o adestrador, deu tudo certo. O bode se comportou bem durante as gravações do comercial, andou na guia e até subiu em um ônibus, como estava previsto. Isso tudo com muita gente ao redor e toda a parafernália de câmeras. Bode, cachorro, pombo, borboleta e porco entraram na vida de Rosa por acaso. O sonho dele era ser jogador de futebol, mas um acidente de moto o afastou da bola e, para sobreviver, ele aceitou o emprego em um canil. Logo, apareceu um serviço para domar uma labrador que convivia com um leão. “Mas era ela que mandava nele”, relembra Rosa, que atualmente tem dez cachorros em casa.
Conquistado pelos animais, Rosa fez cursos para entender o comportamento dos bichos e se tornou treinador. Anos depois, é ele quem oferece empregos no canil e na creche de cães que comanda na Zona Oeste. “Agora, eu quero oferecer oportunidade para muitos meninos que não têm perspectiva de emprego. Eles aprendem aqui e podem seguir adiante em uma profissão”.


fonte:G1
link do postPor anjoseguerreiros, às 18:16  comentar

pesquisar
 
colaboradores: carmen e maria celia

Abril 2009
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4

5
6
7
8
9





arquivos
blogs SAPO