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7.1.09
Calcanhar-de-aquiles das animações brasileiras, o roteiro é o trunfo que garante a "O Grilo Feliz e os insetos gigantes", de Walbercy Ribas, sua eficácia como entretenimento da melhor qualidade nesta temporada de férias. É nos diálogos que Ribas, um veterano da publicidade, mostra sua maturidade como contador de histórias, amparado por seu filho, Rafael Ribas, que assina com ele o cargo de diretor. Orçado em R$ 4,8 milhões, o projeto é uma seqüência desenvolvida em computação gráfica do desenho animado lançado em 2001. O novo mostra um progresso narrativo inegável em relação ao original, no traço, na direção de arte, mas, acima de tudo, no fraseado que pula de boca em bico, de antena em asa.
A excessiva ingenuidade vista há oito anos em "Grilo Feliz" se diluiu na opção por uma ambientação mais urbana, sem as amarras ecológicas da aventura inaugural do simpático inseto cantor. Ao escolher propor um debate (crítico) sobre as formas corruptas de sobrevivência numa cidade grande, em especial a pirataria, Ribas encontra meios de exercitar melhor via verve bem humorada. Enquanto o desenho de 2001 se perdia entre núcleos de subtramas, nesta modernosa animação os diferentes núcleos de personagens se encaixam no enredo central com plena afinação. Um se destaca dos demais: a favela onde vive um trio de sapos rappers (Netão, Sinistro e Caradura) com ares de Racionais MC.
Rivais dos insetos da floresta, Netão e seus anfíbios canoros aumentam sua rixa com o Grilo Feliz e seus parceiros artrópodes depois que seqüestram a grilinha Pétala, cuja voz e beleza seduzem a todos os animais. Mas o menor dos problemas do Grilo e dos sapões é o sumiço de Pétala. Uma poderosa chefona chamada Trambika, com pinta de Jabba The Hut, acirra as diferença entre todos os bichos da fauna de Ribas ao criar uma rede de exploração de menores e de contrabando de CDs piratas.
O acerto de Ribas, na estruturação de "O Grilo Feliz e os insetos gigantes" é a administração precisa das diferentes viradas e surpresas que se desenvolvem a partir da premissa essencial do filme: o embate entre a honestidade e a malandragem. Esse capricho se amplia para o plano formal, no cuidado que Ribas tem em explorar o multiperspectivismo oferecido pelas ferramentas animadas da computação.
Seguindo uma trilha aberta há três anos por "Wood & Stock - Sexo, orégano e rock'n'roll", de Otto Guerra, o longa de Ribas também cultiva a excelência na dublagem. Ao contrário do que acontece com filmes dublados em São Paulo pós-BKS, o elenco de vozes adotado pelo cineasta dosa bem o uso das gírias paulistas e evita erros de sincronia. Agora, é torcer para Ribas ter sorte no embate contra "Bolt - Supercão", "Madagascar 2" e afins.


link do postPor anjoseguerreiros, às 07:31 

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