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9.1.09
Especialistas garantem que a vacinação "é um processo cada vez mais seguro", mas há pais que duvidam dos benefícios da profilaxia.

Não é um assunto consensual, mas é uma questão de saúde pública. A vacinação não é obrigatória em Portugal, basta assinar um termo de responsabilidade para não usar o boletim de saúde. Os técnicos defendem que as vacinas são "seguras e eficazes", todavia, há movimentos antivacinas - com significativa expressão na Holanda e França - que já conquistaram "adeptos" no nosso país. Há quem desconfie dos benefícios da profilaxia, apresentando argumentos éticos, filosóficos e religiosos para justificar a decisão. Além disso, os maiores cuidados de higiene e mudança de hábitos das sociedades contemporâneas são usados para explicar a evidente redução da mortalidade infantil, verificada nos últimos anos."Vários médicos defendem que o corpo de uma criança pequena é muito frágil para suportar os anticorpos de uma vacina. Só dei a vacina da BCG [contra a tuberculose] à minha filha mais velha, porque não estava informada. Depois falei com a minha médica e comecei a recusar todas as outras", garantia, há poucos meses, uma mãe de três crianças de 10, 9 e 5 anos, em declarações à Lusa. "Instalou-se o hábito de que é obrigatória a vacinação, razão por que levo sempre um termo de responsabilidade da médica quando vou fazer a inscrição numa escola", acrescentava. O pediatra Mário Cordeiro garante que as vacinas "são seguras e eficazes". "As vacinas são produtos externos, é verdade. E alteram a imunidade, também é verdade. Só que alteram num bom sentido, ou seja, no sentido de evitar as doenças para que são dirigidas e que podem, em muitos casos, ser graves". O médico considera que a decisão de vacinar ou não compete sempre aos pais, mas, em seu entender, há questões importantes a ponderar. "Os pais são sempre as pessoas que decidirão, mas também é bom pensar que a sua decisão acarreta responsabilização. Se amanhã uma criança não é vacinada porque os pais não o desejam, e se morre ou fica com sequelas por causa de uma meningite, sarampo, tosse convulsa ou difteria, o assunto será mais complicado de gerir, do ponto de vista psicológico, moral e até jurídico."Na opinião do pediatra, a decisão tem de ser bem sustentada. "Se alguns pais não querem vacinar os filhos porque acham que tudo se resume a pressões da indústria farmacêutica, porque não querem sujeitar a criança a eventuais efeitos secundários, ou ainda porque têm medo que, a longo prazo, as vacinas possam trazer complicações graves, como cancro ou outras doenças, também é bom que ponderem o que poderá acontecer se não os vacinarem. Não há nada que seja só bom", avisa. "A ideia de que as vacinas `mexeriam' com a nossa imunidade, podendo abrir uma caixa de Pandora incontrolável, é errada. E as vacinas estão desenhadas para doenças que são ou podem ser graves", aponta. Mário Cordeiro lembra, a propósito, que a criança "se vacina todos os dias, especialmente se estiver num atendimento diurno (ama ou infantário), com muitas bactérias, vírus e outros microorganismos". "As vacinas que são administradas funcionam de modo semelhante. No fundo, é fazer contactar a criança com o micróbio, ou partes dele de modo a que se consiga obter a imunidade, ou seja, o desenvolvimento de defesas contra ele (anticorpos), mas sem os inconvenientes e perigos da doença", exemplifica. "O Plano Nacional de Vacinação (PNV) português tem constituído uma das formas mais eficazes e eficientes de medicina preventiva e muitos milhares de pessoas estão vivas e de boa saúde graças às vacinas e aos vacinadores". "Com algumas doenças a desaparecer - precisamente as que são evitáveis pela vacinação -, pode passar a ideia de que já não vale a pena vacinar. Nada de mais errado. É continuando a vacinar que se evitarão essas doenças", alerta Mário Cordeiro. Paula Ferreira, do Departamento de Imuno-Fisiologia e Farmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, não entende a decisão de não vacinar as crianças e fica preocupada com o desconhecimento que existe a este nível. "Uma criança que não é vacinada é que é um risco", comenta. "A vacinação é o melhor meio para erradicar uma doença", acrescenta. A teoria da higiene e da mudança de hábitos, habitualmente apresentada como uma espécie de substituta da vacinação, não a convence. "Isso não é suficiente". "As crianças devem ser vacinadas", reforça."A medicina tradicional chinesa nunca teve uma posição oficialmente contra as vacinas. Em qualquer intervenção da medicina convencional deve pesar-se a relação riscos/benefícios". Pedro Choy defende que a decisão de vacinar ou não uma criança é dos pais e que essa posição deve ser bem informada. "Existem vacinas indispensáveis. Se não houvesse vacinas, havia epidemias graves, que não era possível erradicar do Mundo como, por exemplo, a raiva". Em seu entender, é necessário analisar as vantagens e desvantagens. "A medicina convencional caracteriza-se por fazer mal para fazer bem, ter riscos para ter benefícios", sublinha. Pedro Choy não hesitaria em recomendar a vacina contra a tuberculose. "Mas tenho dúvidas em relação a uma criança ser vacinada contra a hepatite B". Isto porque, explica, há uma probabilidade, mesmo que seja ínfima, de "contrair a doença através da vacina". O actual Programa Nacional de Vacinação, processo que começou a ser implementado em Portugal em 1965, entrou em vigor em 2006. Foram feitas as alterações que se julgaram necessárias como, por exemplo, a introdução da vacina contra a meningite C. A subdirectora da Direcção-Geral de Saúde, Graça Freitas, esclarece, antes de tudo, que não subscreve a ideia de que há mais pais a recusar a vacinação aos filhos, sustentando que "não há estudos que confirmem" esse cenário. "Não sei se, de facto, está a aumentar, até porque o número de crianças vacinadas [cerca de 95%] tem-se mantido constante", diz. Há uma lei de 1962, que nunca foi revogada, em que apenas são obrigatórias as vacinas contra o tétano e contra a difteria", afirma Graça Freitas, acrescentando, no entanto, que "quem recuse uma vacina do PNV tem de assumir essa responsabilidade". Nos centros de saúde, os profissionais têm instruções para informar os pais da importância das vacinas. Se houver recusa, há um termo de responsabilidade para assinar. De qualquer forma, a Direcção-Geral de Saúde tem poder de tornar uma vacina obrigatória, caso haja uma doença grave que reapareça.


fonte:http://www.educare.pt/educare/Actualidade.Noticia.aspx?contentid=3965052654826A5FE04400144F16FAAE&opsel=1&channelid=0
link do postPor anjoseguerreiros, às 19:02  comentar

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