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24.3.09
O apartamento onde o crime ocorreu está à venda, mas não encontra interessados
O apartamento de número 62 do Edifício London, na Vila Isolina Mazzei, zona norte de São Paulo, está à venda há quase um ano. O imóvel, situado em um dos melhores prédios daquele bairro de classe média, é avaliado em cerca de R$ 200 mil por corretores, mas o dono, Sr. Antonio Nardoni, teria recuado o preço para R$ 150 mil, segundo informam os vizinhos. Em vão. Os poucos interessados que aparecem desistem de negociar, ao se dar conta de que dali despencou para a morte a menina Isabella Nardoni, cinco anos, em 29 de março de 2008. Reagem como se o local fosse assombrado.O jornal Zero Hora visitou o cenário da tragédia que abalou o Brasil. Crianças brincavam no gramado onde a menina foi encontrada agonizante, na parte da frente do edifício, localizado na Rua Santa Leocádia. O porteiro diz que, seguidamente, veículos param na via e tiram foto, numa lembrança macabra da morte de Isabella. Solícito e econômico nas palavras, ele permanece convicto na defesa do filho, o também advogado Alexandre, 30 anos. A Polícia Civil e o Ministério Público acreditam no inominável, o tabu dos tabus, quando o pai mata a filha. Para delegados e promotores, Alexandre Nardoni jogou Isabella do prédio para simular um acidente, após a madrasta da menina, Anna Carolina Jatobá, 24 anos, tê-la agredido com uma chave e tentado asfixiá-la. O episódio aconteceu depois de uma discussão, quando eles voltavam de um passeio. As provas são exames do sangue encontrado no carro, no quarto da menina e no corpo. O casal, que está preso à espera de julgamento, diz que nada disso ocorreu e que a menina pode ter sido jogada pela janela por um estranho que invadiu o apartamento. É nessa última versão que acredita o advogado Antônio Nardoni, que se diz magoado com a imprensa. Ao recusar intermediar entrevista com o filho, ele reclamou do pouco espaço que a mídia concedeu à versão dos réus, que chegaram a contratar um perito — George Sanguinetti, o mesmo que comprovou que PC Farias foi assassinado — para mostrar que eles não são assassinos.— Os laudos provam que a menina não foi estrangulada e que os ferimentos no pescoço ocorreram quando meu filho tentou ajudar, não foram feitos por alguém que matou. Mas a mídia preferiu a tese de assassinato — disse.O Júri deve ocorrer no segundo semestre, acredita o promotor Cembranelli, que pediu a prisão do casal . Os argumentos não têm sido muito convincentes. Foram usados 11 vezes pela defesa do casal. Os 11 pedidos de habeas-corpus e recursos diversos tentados foram recusados pelos magistrados que examinaram o caso, de tal forma que Alexandre e Anna Jatobá permanecem encarcerados em presídios de Tremembé, cidade a 147 quilômetros de São Paulo. Hoje será apreciado um novo recurso no Supremo Tribunal Federal. O promotor Francisco Cembranelli diz que, por ele, o caso já estaria julgado. — Esses recursos infindáveis atrasam o júri, que deve ocorrer só no segundo semestre — calcula. Cembranelli quer a condenação de Alexandre e Anna Jatobá por crime hediondo, um homicídio qualificado: cometido por meio cruel e com uso de recurso que impediu a defesa da vítima. Ao garantir a prisão do pai e da madrasta da vítima (sob o argumento de que trocaram de roupa e tentaram maquiar o local do assassinato, alterando provas do processo), o promotor ganhou fama súbita. Tanto que viaja o país comentando o caso. Já recusou convite para mais de 50 palestras e se diz triste com a notoriedade alcançada. — Preferia que o caso não tivesse acontecido — resume.Único contato do casal é por meio de cartasApesar de trancafiados a 10 quilômetros um do outro, em presídios vizinhos na cidade de Tremembé (a 147 quilômetros de São Paulo), Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jabobá não mantêm contato. Não se visitam. Não se tocam. Vão completar um ano sem direito a uma relação normal de marido e mulher. Ambos estão trancafiados, e a visitação íntima de um preso a detentos em outro presídio é vetada. — Demandaria escolta especial para a visita íntima, providência de segurança individual que o Estado não tem como bancar — explica o promotor Francisco Cembranelli. O casal se limita a trocar cartas semanais. Alexandre divide com quatro presos "especiais" — com escolaridade superior — uma cela na Penitenciária Dr. José Augusto Salgado, de segurança máxima. Um de seus colegas de cela é apontado como ligado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior dos presídios paulistas. Até para evitar contratempos com eles, o pai de Isabella recebe do seu próprio pai, Antônio, fartas provisões (pães, doces, cigarros) entregues semanalmente. É uma maneira de garantir convivência fácil no presídio. No mesmo prédio, estão presos alguns famosos personagens da crônica criminal, como os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos (assassinos dos pais da estudante Suzana von Richthofen) e Lindemberg Alves, que matou a namorada Eloá Pimentel num sequestro transmitido ao vivo pela TV.Anna Jatobá está na Penitenciária Feminina Santa Maria Pelletier (nome semelhante ao da existente em Porto Alegre), local onde também fica presa Suzana von Richthofen, condenada por planejar o assassinato dos pais. Tornou-se evangélica e frequenta diariamente os cultos na prisão. Alexandre e Anna Jatobá têm dois filhos, Pietro (quatro anos) e Cauã (um ano e meio), que vivem com o pai dela, Alexandre Jatobá. Viram os pais no presídio, pela primeira vez, no final de outubro. Mas as visitas são raras, porque a própria Anna Jatobá costuma dizer que "prisão não é lugar para criança".
Mãe de Isabella tenta superar a dor
O túmulo de Isabella Nardoni, no cemitério Parque dos Pinheiros, zona norte de São Paulo, virou uma espécie de santuário. A cada dia, pessoas depositam ali flores e bilhetes de pesar pela morte da criança. Tanta assiduidade à sepultura comove a mãe da menina, a bancária Ana Carolina de Oliveira, que faz visitas mensais ao túmulo. A próxima será dia 29, quando a tragédia completa um ano. A mãe de Isabella mergulha no trabalho para esquecer a dor. Logo após a morte da filha, ela suspendeu o serviço, porque não conseguia se concentrar. Passava horas em frente à TV, vendo tudo sobre a morte da menina. Sofrendo. Chorando. Na tentativa de consolá-la, parentes e amigos lhe deram mais de 20 livros com temas espíritas e religiosos. Entre as leituras, ela chora. No dia do seu aniversário de 24 anos, em 4 de abril do ano passado, Ana Carolina escreveu no Orkut um recado para a filha, em tom de consolo: "A morte não é tudo. Não é o final. Nada aconteceu. Tudo permanece exatamente como foi. Eu sou eu, você é você, e a antiga vida que vivemos tão maravilhosamente juntas permanece intocada, imutável".Carolina mora com os pais, o que ajuda a preencher o vazio noturno provocado pela ausência da filha. No quarto, a mãe de Isabella guarda uma coleção de sapatos da filha, que arruma a cada fim de semana. Como num relicário, cada objeto da menina — brinquedos e ursos de pelúcia — permanece intocado, como se ela fosse voltar. Carolina evita receber pessoalmente jornalistas, mas concordou em atender Zero Hora por telefone e por e-mail. Impôs uma condição: não falar sobre os Nardoni. Admite apenas que nunca mais foi procurada pela família do pai da menina. A entrevista foi intermediada pela advogada de Carolina, Cristina Christo Leite, que vai atuar na acusação contra Alexandre Nardoni e Anna Jatobá. Entrevista: Ana Carolina de Oliveira, mãe de Isabella A seguir, trechos da entrevista concedida pela mãe de Isabella Nardoni a Zero Hora:Zero Hora — Como foi este ano?Ana Carolina de Oliveira - Este foi um ano muito difícil e muito triste. Um ano de lembranças, saudades e emoções, diferente de todos os outros que vivi.ZH — Conseguiu voltar a trabalhar?Ana Oliveira - Estou trabalhando, sim, pois é uma forma de ocupar minha cabeça. Trabalho em um banco e moro com os meus pais.ZH — Tem conseguido dormir sem remédios? Costuma sonhar com Isabella?Ana Oliveira - Ela não sai e jamais sairá da minha cabeça, será uma lembrança eterna. Nunca dormi à base de remédios, graças a Deus. Tenho sonhado bem pouco, mas não consigo lembrar o que houve exatamente, quando acordo.ZH — O quarto de Isabella está exatamente como era?Ana Oliveira - Dormíamos juntas ali, e o quarto está com as mesmas fotos, ursos e detalhes especiais dela.ZH — A senhora visita o cemitério com que frequência?Ana Oliveira - Visito todo mês e levo sempre rosas, as flores que ela mais gostava.ZH — O que a senhora faz para diminuir a dor? Já pensou em ingressar em alguma ONG contra a violência ou criar uma?Ana Oliveira - Hoje tenho meu trabalho. Ainda não tenho um projeto sobre ONG. Isso tem de ser algo bem elaborado, estudado e sério.ZH — A senhora ainda assiste a programas e lê tudo sobre o que aconteceu com Isabella, ou já conseguiu se desligar um pouco do assunto?Ana Oliveira - Eu sempre acompanho tudo bem de perto.ZH — A senhora será testemunha de acusação contra os Nardoni?Ana Oliveira - Sobre o julgamento, não quero falar.
Relembre o caso:
1º DE ABRIL DE 2008Três dias após a morte de Isabella, exames apontam que ela teria sido asfixiada antes de cair. A suspeita recai sobre pai e madrasta, que são presos no dia seguinte.
7 DE ABRIL DE 2008 Peritos voltaram ao apartamento, encontraram sangue em vários cômodos e fizeram simulações da queda. Alexandre e Anna Jatobá pedem liberdade.
15 DE ABRIL DE 2008 A polícia paulista revela que pode pedir a prisão preventiva do casal, que estava em liberdade. Vizinhos dizem ter ouvido uma briga entre os dois antes do crime.
16 DE ABRIL DE 2008 É divulgado o depoimento da mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, que diz acreditar no envolvimento de Alexandre Nardoni e Anna Jatobá no crime. Ela relata casos de violência, por parte dele, e de ciúme, da madrasta da menina.
20 DE ABRIL DE 2008 Alexandre e Anna Jatobá concedem a primeira entrevista desde o crime, ao programa Fantástico, da Rede Globo, dizendo-se inocentes, afirmando ter relação amorosa com a menina e garantindo jamais tê-la agredido.
27 DE ABRIL DE 2008 Durante sete horas de trabalho, peritos encenaram o que acreditaram ter acontecido na noite de 29 de março, utilizando uma boneca com tamanho e peso iguais aos de Isabella. O casal, que não foi à reconstituição, continua preso.
Fonte: Diário Catarinense
link do postPor anjoseguerreiros, às 08:42 

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