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1.2.09
BRASÍLIA - Maus-tratos, estímulo ao tráfico de animais silvestres e perigo para o público são os argumentos que motivaram a elaboração de alguns projetos de lei que propõem a proibição do uso de animais em circo. O último deles, o PLS 407/08, está nas mãos da relatora da Comissão de Meio Ambiente do Senado, senadora Marina Silva (PT-AC). Ex-ministra do Meio Ambiente, Marina já se posicionou publicamente, em outras ocasiões, contrária à permanência dos animais nos circos. Mora aí a esperança de organizações protetoras dos animais. Mas, na Câmara dos Deputados, a votação de proposições de mesmo teor na Comissão de Educação e Cultura são postergadas adeternum. Por trás dos adiamentos, o Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) garante que há um forte lobby do Ministério da Cultura e de políticos que têm suas campanhas financiadas por grandes circos.
Um grupo de trabalho foi formado entre os ministérios do Meio e Ambiente e Cultura para debater a questão. Mas, até agora, não há sinal de acordo. Na próxima reunião, marcada para fevereiro, sentarão à mesa, também, os ministérios da Justiça e da Agricultura. Não existe uma regulamentação nacional para o uso de animais de circo. Estados e municípios criam suas próprias leis para proibir a prática. E os circos recorrem à Justiça para fazerem suas apresentações.
De acordo com o Ibama, além de maltratar, os circos costumam importar ilegalmente seus bichos.
– Eles conseguem uma licença para importar um animal da Europa e depois vão ao Uruguai, por exemplo, e atravessam a fronteira com outro animal da mesma espécie utilizando a mesma licença. – explica o coordenador de Fiscalização de Fauna do Ibama, Antônio Ganme. – Além da maioria das equipes de fiscalização não possuir leitor de chips de identificação dos bichos, muitos já conseguem remover os chips e reaproveitá-los.
Segundo Ganme, a Polícia Rodoviária Federal também costuma fazer vista grossa na fiscalização, “porque não teria o que fazer com um elefante”.
– O circo está no limbo da lei – afirma o coordenador. – Tentam dizer que seus bichos vivem mais. Mas como um animal que vive em lugares apertados, são mal alimentados e domados com castigos podem viver mais? Estão vivendo mais ou são os dublês ilegais?
Maus tratos
Ganme conta que é comum as equipes de fiscalização encontrarem ossos de animais pequenos nas jaulas dos felinos nos circos, “geralmente cães e gatos de rua”. Ainda segundo o coordenador, é impossível adestrar animais como leões e elefantes sem usar de violência.
O coordenador da União Brasileira de Circos Itinerantes, Wladimir Spernega, nega:
– Se o animal fosse maltratado, ele não reproduziria. Tem algumas babás que batem em criança. Tem pai que joga filho pela janela. Por isso as pessoas vão deixar de ter filhos? Não.
Spernega afirma que muitas ONGs “que se dizem protetoras dos animais” querem, na verdade, pegar os animais dos circos e colocá-los em zoológicos particulares “para beneficiar amigos”:
– Essas ONGs não querem acolher cachorros e cavalos de circos. Querem os primatas. Por que não tiram cavalos de jóquei? Touro de rodeio?
A Fundação Nacional de Artes (Funarte) faz coro:
– Não pode simplesmente proibir – diz o coordenador de circo da Funarte, Marcos Teixeira. – Não pode generalizar essa história de maus-tratos. É possível adestrar animais com processos de memorização e recompensas.
Funarte e União dos Circos garantem que os prejuízos das empresas circences serão enormes. Além do desemprego, o patrimônio perdido é considerável, uma vez que um elefante chega a custar R$ 250 mil.
Pesquisas recentes revelaram que cresce a adesão da sociedade à proibição dos animais. A Funarte e o Ibama se acusam de manipular as pesquisas. Os dois órgãos já afirmaram que não vão retroceder em suas posições. Como não existe resolução do Congresso, parece que, mais uma vez, caberá à Justiça a solução do imbróglio.




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link do postPor anjoseguerreiros, às 10:57  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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