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4.2.09
Tem leitor que fica chateado quando critico a polícia no meu blog, Repórter de Crime. Mas não vejo críticas como algo negativo. Salvo exceções, críticas significam sempre que alguém está preocupado com você. Pior do que se criticar a polícia, é tirar a autoridade que, apesar de tudo, ela ainda tem e precisa ter, como detentora do monopólio do uso da força, em nome do Estado. Foi exatamente isso que fez ontem um grupo de banhistas do Posto Nove, na Praia de Ipanema.
Ontem os libertários desafiaram a polícia. Por pouco não lincharam policiais do 23o BPM (Leblon) que tentavam abordar um suspeito de usar maconha em plena praia. O usuário da erva escapou, mas cinco pessoas acabaram detidas por desacato à autoridade e lesão corporal. Há jovens de classe média, bem nascidos, entre eles. Os policiais receberam uma chuva de garrafas de água e cocos e até mesmo foram cercados pelos banhistas. Um carro da PM ficou danificado. Um absurdo.
Acho admirável tremular a bandeira da liberdade no Posto Nove. Mas a minha liberdade termina quando começa o direito do vizinho. O que os troglodistas da maconha precisam entender é que as pessoas que não usam drogas não são obrigadas a dividir a areia com quem usa. Eu mesmo considero o cheiro de maconha insuportável, pior do que o de cachimbo. E não me venham dizer que os incomodados que se mudem porque estamos falando de um espaço público, que, apesar de estar tão avacalhado no Brasil e sobretudo no Rio, é de todos e deve ser regido pelas leis e regras de comportamento em sociedade.
Como se sabe, as drogas não são liberadas no Brasil. Deve ser chato para um usário ter que conviver com essa proibição, mas é a vida. Os usuários têm todo direito de lutar por essa mudança na legislação, mas não de tentar promover desobediência civil. Houve avanços no tratamento do usuário, mas isso não significa que eles possam usar abertamente o entorpecente. É mais correto e seguro fumarem seu baseado em casa, assistindo ao seriado "Weeds" - protagonizado por aquela aparentemente inofensiva traficante de maconha, bonita e simpática e mãe de família. Se os policiais agiram com truculência sem dúvida alguma devem ser denunciados a seus superiores. O que não pode é meia dúzia de defensores da legalização das drogas enfrentarem os representantes da lei. Apesar de toda desmoralização que a polícia vive hoje no Estado do Rio, ruim com ela, pior sem ela. Afinal por quem um usuário de drogas gostaria de ser salvo se estivesse a caminho do forno de microondas numa favela, levado para acertar contas, nos dois sentidos? Se a polícia não der um choque de ordem no Posto Nove, daqui a pouco vai ter uma "estica" do Cantagalo na praia, com marketing de caipirinha grátis para quem comprar mais de um quilo da erva. E em vez de proibida, a droga será obrigatória por ali e todos os banhistas na área passarão a ser fumantes passivos de maconha. Com todo respeito aos usuários de maconha, eu quero ter o direito de ir ao Posto Nove e não sentir a brisa pesada. Prefiro o ar puro que vem do mar.



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link do postPor anjoseguerreiros, às 18:28 

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