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8.1.09
Cerca de 70% de voluntários topa dar choque doloroso em desconhecido.Dados ajudariam a explicar atos desumanos cometidos 'seguindo ordens'.

Algumas coisas nunca mudam. Pesquisadores afirmam ter replicado com "sucesso" um experimento clássico no qual as pessoas obedientemente dão choques dolorosos em outras quando recebem ordens de fazê-lo vindas de alguém que parece ter autoridade. Segundo os novos dados, 70% dos voluntários continuam a administrar os choques elétricos (ou a acreditar que o faziam, uma vez que os choques não eram de verdade) mesmo quando um ator fingia que eles eram dolorosos.

É o que afirma Jerry Burger, pesquisador da Universidade de Santa Clara (Califórnia, EUA) que coordenou o estudo. "Nós validamos o mesmo argumento: se você colocar as pessoas em certas situações, elas vão agir de maneiras surpreendentes e, às vezes, perturbadoras. Trata-se de uma pesquisa que ainda é relevante."

Burger e seus colegas replicaram um experimento publicado em 1961 por Stanley Milgram, da Universidade Yale (EUA), no qual os voluntários tinham de dar choques elétricos (também falsos) em outras pessoas se elas respondessem certas perguntas de forma errada. Milgram verificou que, depois de ouvir um ator gritar de dor no nível de 150 volts, 82,5% dos participantes continuaram a dar os choques, a maioria até o nível máximo de 450 volts.
Trauma
Até hoje, ninguém tinha tentado replicar o experimento por causa do trauma sofrido por muitos dos voluntários, que acreditavam estar eletrocutando outra pessoa. "O problema é quando você chega na fase em que o ator grita 'deixe-me sair daqui, eu não consigo agüentar'. É uma experiência muito estressante para muitos dos participantes. É por isso que ninguém consegue replicar eticamente esse experimento hoje", afirma Burger. Por isso, o pesquisador modificou o experimento e parou em 150 volts para os 29 homens e as 41 mulheres da nova pesquisa. Ele mediu quantos de seus voluntários começaram a dar outro choque ao receber uma ordem do coordenador do experimento -- mas, em vez de deixá-los ir em frente, ele os deteve. Cerca de 70% topou ir além dos 150 volts. "Foi surpreendente, e fiquei desapontado", diz Burger. Segundo o especialista, o experimento, publicado na revista científica "American Psychologist", explica ao menos parcialmente fenômenos como a tortura de prisioneiros pelas tropas de americanos no Iraque ou os eventos da Segunda Guerra Mundial. "Embora precisemos de cautela ao fazer o salto de estudos de laboratório para comportamentos sociais complexos como o genocídio, entender os fatores da psicologia social que contribuem para ações inesperadas e perturbadoras é importante", escreveu ele.


fonte:G1
tags:
link do postPor anjoseguerreiros, às 19:27  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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