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11.4.09
Fundação Dorina Nowill e Estação Santa Cecília do Metrô têm os seus

Um projeto desenvolvido pela Fundação Dorina Nowill para Cegos em parceria com o Complexo Educacional Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) pretende facilitar a vida dos deficientes visuais paulistanos. Na quarta-feira foi lançado, na sede da fundação (Rua Dr. Diogo de Faria, 558, Vila Clementino), um mapa tátil com os principais pontos da região.Graças aos desenhos em relevo e às informações em código braile, os frequentadores da instituição conseguem identificar nele as ruas e os principais estabelecimentos do bairro, como hospitais, igrejas, restaurantes e a Estação Santa Cruz do Metrô. Os dados também estão impressos em tinta, com alto contraste, para ajudar pessoas com pouca visão.Deficiente visual desde 2002, a professora Diana Ferreira Rocha de Oliveira testou e aprovou o mapa, que mede 1,2 m por 1,2 m. "Facilita muito, porque com ele temos uma boa noção da distância e sabemos onde estão os semáforos", exemplifica. Ela mora em Caieiras, município da Região Metropolitana de São Paulo e uma vez por semana toma, sozinha, ônibus, trem e metrô para ser atendida pela Fundação Dorina Nowill.

MAIS MAPAS
Esse não é o único mapa para cegos da cidade. Há uma semana, o Metrô inaugurou um guia parecido, medindo 0,8 m por 0,8 m, na Estação Santa Cecília. "Queremos facilitar a circulação nos arredores da estação e auxiliar a compreensão do espaço urbano", explica Maria Beatriz Barbosa, chefe do Departamento de Relacionamento com o Cliente da companhia.
Ambos os projetos foram desenvolvidos em parceria com o Departamento de Arquitetura da FIAM/FAAM, que integra o complexo FMU. De acordo com a coordenadora do curso de Arquitetura, Paula Katakura, um mapa assim leva cerca de dois meses para ser produzido. "Fazemos uma revisão do que existe nas ruas e procuramos indicar os equipamentos urbanos mais utilizados pelos deficientes, como hospitais e centros de atendimento", conta. Vinte profissionais estiveram envolvidos na confecção do mapa da Fundação Dorina Nowill, entre professores e alunos da universidade e técnicos da fundação.
O projeto não deve parar por aí. "Iremos desenvolver um manual para o Metrô, a fim de que nas novas licitações de estações já sejam previstos mapas táteis", antecipa Paula. A companhia confirma ter interesse em implantar os guias, gradativamente, em todas as estações da cidade. "Ainda não definimos onde ficará o próximo, mas é possível que seja o da (Estação) Santa Cruz, justamente por causa da proximidade com a Fundação (Dorina Nowill)", diz Maria Beatriz
No que depender da fundação, aliás, o cumprimento da promessa será cobrado. "Eles (do Metrô) têm um compromisso com a gente de colocar (os mapas táteis) em todas as estações", frisa a diretora executiva responsável pelo voluntariado da Fundação Dorina Nowill, Ika Fleury. "Na semana que vem mesmo quero marcar uma reunião com eles para definirmos as próximas estações (a receber os mapas) e os prazos."

INDEPENDÊNCIA
Para a pedagoga especializada em deficiência visual Maria Glicélia Alves, professora de orientação e mobilidade da fundação, o mapa se transformou em uma útil ferramenta de trabalho. "É uma contribuição valiosa. Com ele, consigo trabalhar no concreto. As pessoas reconhecem as ruas e se orientam melhor", explica. "O que a gente quer é a independência desse deficiente", completa a diretora Ika.
Um "efeito colateral" da implantação dos mapas táteis vislumbrado pela diretora é que os futuros profissionais de engenharia e arquitetura eduquem seu olhar para a causa dos deficientes. "Quando os alunos da universidade veem esses projetos, eles podem imaginar novas aplicações do que se pode fazer em termos de acessibilidade."
Ika ressalta que iniciativas assim são importantes naquela região por causa do grande número de entidades assistenciais situadas ali. Desde o final de 2007, 35 instituições dos bairros da Vila Clementino, Vila Mariana, Aclimação, Paraíso e Bela Vista formam o Projeto Conexão. Além da fundação, ficam na região entidades como a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) e o Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (Graacc).

LOCALIZAÇÃO INTERNA
O Centro Cultural São Paulo, no Paraíso, oferece desde janeiro aos seus visitantes nove mapas táteis com a disposição de suas dependências.

FRASES

Diana Rocha de Oliveira - Deficiente visual
"Facilita muito, porque com o mapa temos uma boa noção da distância e sabemos onde estão os semáforos"

Ika Fleury - Diretora executiva da Fundação Dorina Nowill
"O que a gente quer é a independência desse deficiente"

Paula Katakura - Professora de arquitetura
"Iremos desenvolver um manual para o Metrô, a fim de que nas novas licitações de estações já sejam previstos mapas táteis"

Edison Veiga


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