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18.1.09
SÃO PAULO - As torres do World Trade Center desmoronavam em Nova York ao vivo nas TVs do mundo quando a dona-de-casa Francisca (nome fictício), então com 40 anos, chegava para a segunda consulta com o médico Roger Abdelmassih, um dos maiores especialistas em fertilização in vitro do país. Moradora de Campos, no Rio de Janeiro, e casada, Francisca optava por um dos últimos recursos para tentar engravidar do primeiro filho, já no segundo casamento.
Ela lembra que estava com a sobrinha, sentada na antessala da ampla clínica instalada num casarão na Avenida Brasil, nos Jardins, quando foi chamada para o atendimento. O médico, disse ela ao Globo, impedira a entrada da sobrinha, alegando preferir ficar a sós com a paciente. Já numa espécie de sala de reunião, Francisca conta que, depois de longa conversa sobre o tratamento, Abdelmassih se levantou:
- Ele pegou minha mão e tentou me beijar na boca, dizendo coisas que eu nem lembro mais.
Francisca diz que saiu dali correndo, puxou a sobrinha e caminhou em silêncio e sem rumo pelas ruas dos Jardins:
- Quando me recompus, já estava na (Avenida) Paulista, chorando muito. Só depois que me acalmei, contei a minha sobrinha o que aconteceu. E decidi que nunca mais voltaria à clínica.
Ela diz ter interrompido o tratamento na primeira fase, quando a paciente passa por exames laboratoriais e de ultrassonografia. O cheque de R$ 1.900 pago ao médico também ficou para trás.
- Para minha surpresa, três dias depois ele me ligou, perguntando por que eu não tinha voltado à clínica, e ainda me convidou para jantar - lembra ela, que apenas contou ao marido sobre a suposta investida de Abdelmassih meses depois, quando teria conseguido superar o trauma.
Hoje, aos 47 anos, Francisca não tem filhos.
Advogado de Abdelmassih, o criminalista Adriano Salles Vanni, alega que as acusações contra seu cliente são falsas. A defesa não teve acesso ao inquérito com os depoimentos das mais de 30 mulheres que já haviam denunciado o médico desde a semana passada, quando o caso veio à tona.
Mas, aos poucos, histórias como a de Francisca chegam aos gabinetes dos promotores do Grupo de Atuação Contra o Crime Organizado (Gaeco) do MP de São Paulo. Antônia (nome fictício), em depoimento formal, contou detalhes do suposto ataque do médico: segundo ela, Abdelmassih teria a encurralado e tentado beijá-la na boca. Clara, outra paciente, declarou que o médico teria dito que ela deveria ficar honrada por ele querer ter um caso com ela.
Além da investigação sobre suposto crime de abuso sexual, o MP apura uma polêmica técnica de inseminação artificial que teria sido utilizada na clínica de Abdelmassih. Pacientes que acusam o médico também relataram aos promotores que ele teria oferecido a elas a manipulação de óvulos, com a implantação de óvulos jovens em mulheres mais velhas. Embora regulamentada por lei e utilizada em outros países, a técnica pode gerar modificações genéticas no embrião, com misturas de DNAs, o que ocorre em 2% dos casos, segundo pesquisas.


link do postPor anjoseguerreiros, às 10:22  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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