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8.3.09
Apesar de a doença matar 11 mil pessoas por ano no país, preocupação com o uso do preservativo ainda é pequena

Teste rápido para detecção do HIV realizado pelo Ministério da Saúde com foliões em Salvador (BA) durante o carnaval mostrou nível recorde de contaminação neste tipo de levantamento. Para quem atua na área, isso indica que, apesar de a Aids matar cerca de 11 mil pessoas por ano somente no Brasil, o uso do preservativo está longe de ser uma preocupação frequente durante uma relação sexual.
As desculpas são muitas. Há quem diga que machuca, ou incomoda, ou simplesmente que não gosta. E há quem fale ainda que é como "chupar bala com papel". Fato é que o uso da camisinha não é um hábito frequente entre os brasileiros. Uma pesquisa sobre comportamento sexual feita pelo Ministério da Saúde em 2005 mostrou que 62% dos homens entre 20 e 24 anos não usam camisinha.
Entre as mulheres da mesma faixa etária o problema é ainda mais grave: 76,6% delas não são adeptas do preservativo. A Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS) de 2006 divulgada pelo Ministério da Saúde em 2008 mostrou que a situação melhorou um pouco, ao menos nessa faixa etária. Pelo levantamento, o percentual de mulheres entre 20 e 24 anos que afirmava não usar camisinha havia caído para 39,38%, redução de 48,5% em relação à pesquisa anterior.

Idade
No entanto, a pesquisa mostrou que o uso da camisinha diminui com o aumento da idade. Pelos dados da PNDS, 79,5% das mulheres na faixa etária de 45 a 49 anos nunca usam a camisinha, e especialistas apontam que é justamente nesta faixa etária que se concentra o aumento nos casos de infecção pelo HIV. O principal motivo apontado pelas mulheres para não usar o preservativo é a confiança no parceiro.
Segundo a pesquisa, as mulheres que usam camisinha buscam apenas evitar a gravidez e o preservativo nunca é visto como meio de prevenção a Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs). Para os especialistas, é esse tipo de atitude que torna as mulheres mais vulneráveis à infecção pelo HIV.
"O uso do preservativo é muito menor entre mulheres mais velhas, o que é um dado muito preocupante. Eu acho que mulher casada, independentemente da idade e do nível socioeconômico, tem uma dificuldade enorme de negociar o uso da camisinha com o parceiro. Elas têm receio do que o companheiro vá pensar delas", comenta a demógrafa Paula Miranda Ribeiro, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), autora de pesquisa sobre o assunto em BH e Recife (PE).
A funcionária pública Márcia Luzia Silveira, de 40 anos, é um exemplo desse tipo de atitude. Casada há mais de cinco anos, ela nunca fez o teste de HIV, assim como seu marido. "Eu nunca desconfiei que ele pudesse ter algum tipo de doença sexualmente transmissível, e por isso nunca propus fazermos nenhum exame específico. Eu tomo pílula e confio muito nele, por isso não usamos camisinha em nossas relações", revela.
Para a psicóloga Sylvia Flores, as mulheres que têm relacionamentos estáveis têm dificuldade de propor o uso da camisinha ao parceiro porque apenas a proposta já daria margem para uma discussão sobre a fidelidade do casal. Ela ressalta a importância, nos casos em que a mulher confia na fidelidade do parceiro, de propor que ambos realizem o teste para detectar o HIV. Dessa forma, segundo a psicóloga, tal decisão pode resultar em uma experiência proveitosa para ambos no relacionamento.


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link do postPor anjoseguerreiros, às 12:05  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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