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18.2.09
Nos últimos dias tenho enfrentado o desafio de cobrir de forma neutra e ponderada a história de Paula Oliveira. A primeira constatação é que existem duas abordagens completamente diferentes do assunto. Elas variam entre o silêncio conspiratório e cacofonia informativa. Isso vale para os dois países.
No Brasil esmiuça-se a vida de Paula Oliveira e revelam-se até seus mais íntimos detalhes, sejam e-mails pessoais, relatos de doenças recentes ou fotos familiares. Parentes e amigos são entrevistados e dão, sem pudor, sua ficha pessoal. Os jornalistas presentes em Zurique sitiam residências e hospitais, obrigando familiares e próximos a chamar a polícia. Afirmações são tiradas do seu contexto e reinterpretadas, fazendo com que a notícia fique do avesso. Retratações são feitas, mas a metralhadora continua a atirar em todas as direções no estilo “uma das balas vai atingir a vítima certa”.
“O Itamaraty nunca sugeriu uma fuga de Paula para o Brasil. Essa foi uma matéria infundada em equívocos”, protestou energicamente Acir Madeira contra uma nota publicada há poucos dias na imprensa tupiniquim e depois rapidamente desmentida pelo próprio jornalista. “Ele ainda nos ligou para se desculpar, mas a retratação continuou pouco clara”.
Chamado especialmente à Suíça para colocar um pouco de ordem no trabalho de imprensa do consulado, Madeira ressaltou que as relações bilaterais entre a Suíça e o Brasil nunca foram afetadas, mas admitiu que houve no início problemas entre as autoridades brasileiras e helvéticas. “A comunicação não foi adequada no início, mas agora está funcionando sem problemas”, assegurou.
Quanto às supostas críticas feitas à Suíça pelo ministro brasileiro das Relações Exteriores Celso Amorim , o diplomata deu sua interpretação dos fatos. “O chanceler sempre disse que o governo iria esperar a conclusão das investigações. No início é que ele disse que o caso dava uma aparência de ser xenofobia, mas frente aos fatos apresentados até você teria feito o mesmo.”
Na Suíça a situação é mais complicada: a política oficial de “omertà” das autoridades leva os jornalistas à loucura. Ao ligar para o hospital e perguntar se Paula Oliveira receberia alta, a informação obtida foi de que a polícia zuriquense havia centralizado as informações. Telefonei para lá e a resposta: “Nada a declarar”. Na noite de ontem (17.02) ela retornou à casa, algo que foi amplamente noticiado pela imprensa brasileira. Hoje a polícia apenas respondeu que a informação estava correta.
Talvez isso explique porque a imprensa helvética sirva-se abundantemente do noticiário brasileiro, inclusive com ajuda de intérpretes, para traduzir textos e áudios. Qualquer nova notícia é espelhada quase simultaneamente nos jornais e sites da Suíça.
Hoje o jornal gratuito “20min” reproduziu com detalhes a matéria da Época sobre as falsas imagens de ultrassom enviadas por Paula a amigos e incluiu até a reprodução de um e-mail pessoal dela. Já o “Tagesanzeiger” chegou a anunciar em letras garrafais que “Paula já está prestes a partir do país” segundo uma informação que havia sido publicada em um jornal brasileiro. Obviamente o comunicado de hoje da Procuradoria Pública de Zurique desmentiu tudo.
O jornal populista “Blick” já apela para palavras fortes. “Paula O.: expulse-a!” é o título da primeira matéria do site.

Eles revelam que dois grupos foram criados na rede social Facebook para pedir que ela seja ejetada do país. Uma das comunidades, intitulada “Expulsão para Paula Oliveira” (Ausschaffung für Paula Oliveira), já tem 1.694 membros. Sua exigência: “Quem inventa essas histórias para prejudicar partidos suíços e o país deve ser expulso!”.


Outro grupo faz as mesmas exigências.
Vocês podem ver que a brasileira ainda estará no foco da mídias durante os próximos dias.

Alexander Thoele

link do postPor anjoseguerreiros, às 16:49  comentar

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colaboradores: carmen e maria celia

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