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29.1.09
Em 24 de janeiro de 1984 a Apple lançou comercialmente o Macintosh, após uma campanha publicitária inovadora que teve o seu auge na exibição do famoso anúncio 1984 (dirigido por Ridley Scott), num dos intervalos da transmissão da final do campeonato de futebol americano, o Superbowl, daquele ano. O mundo, como vivemos hoje, tem muito a ver com esta data. Pense em interfaces gráficas, o mouse, ergonomia de produto, design, qualidade de impressão, cinema, música, mobilidade, facilidade de uso, tocadores de mídia, iPhone e você está pensando na Apple e seu legado, que começou justamente com o Macintosh lá atrás, em janeiro de 1984.
A primeira vez que vi um Macintosh foi na casa do meu amigo e colega de faculdade Fred D'Orey. Cursávamos jornalismo na PUC do Rio de Janeiro e lembro bem quando Fritz, pai de Fred, mostrou a máquina que fora instalada em cima de uma prancheta de arquiteto na sala do apartamento de Ipanema em que eles moravam na época. Incrivelmente, a beleza daquele aparelho conseguia competir de igual para igual com a deslumbrante vista da praia, que também podia ser apreciada naquele ambiente. Estávamos com cerca de 20 anos, Fred também era um surfista premiado em competições e foi com aquele Mac que ele iniciou a sua carreira empresarial, não como o bem-sucedido designer de moda que é hoje, mas como editor de um dos primeiros jornais (se não o primeiro) especializado em surf no país. Era o Surf News, que depois tornou-se Staff, do qual fiz parte da equipe editorial como colunista de música e cinema. O Surf News era totalmente redigido e diagramado (êita palavra esquisita de se falar hoje em dia) no Mac, um milagre para quem tinha que utilizar fotocomposição e past-ups para criar um lay-out. Fred é um excelente jornalista e editor e, se a Totem, sua grife, não fosse também tão bacana, inovadora e original, seria mais difícil de aceitar que ele tivesse feito este cutback tão radical em sua carreira. Ainda bem que ele continua escrevendo colunas, sobre o universo do surf, e recentemente lançou Outras Ondas, uma coletânea com as melhores destas.
Pouco tempo depois de Fred lançar o Brasil Surf, eu e meu irmão Ricardo (Kiko), jornalista recém-formado e crítico de cinema do Jornal do Brasil à época, decidimos criar o nosso próprio jornal, o Hit,sobre arte e cultura.
Ter um Mac naquela época definitivamente não era para qualquer um. O primeiro Mac da família Largman foi comprado pelo meu irmão Rogério, engenheiro aeroespacial que fazia mestrado em Aerodinâmica na Universidade de San Diego, em 1988. Ele tinha um SE e, durante uma visita à casa dele, pude curtir um Mac por mais tempo. Eram noites intermináveis jogando Dark Castle, meu primeiro, digamos, macvício.
Foi na volta da viagem aos EUA que meu irmão e eu decidimos juntar nossas suadas economias para comprar um Mac. Usávamos os serviços de bureaus gráficos como a Mergulhar (no Rio) e ficávamos na fissura de poder operá-los. Aproveitávamos quando os funcionários iam ao banheiro e, enquanto um vigiava se a barra estava limpa, o outro tentava aprender a mexer com o computador. Finalmente, em 1990 adquirimos um Mac LC (funciona até hoje), o meu (nosso) primeiro computador. Usamos e abusamos do Aldus PageMaker, Photoshop e Word, e, para diversão, Apache Strike e Shufflepuck Café. Ser usuário de Mac naqueles tempos não era nada fácil. Éramos poucos, ilhados em um mundo de PCs que crescia exponencialmente e que nos rejeitava e dificultava o trabalho. Como era difícil passar e receber arquivos de Word para clientes! Eles nunca conseguiam abri-los direito, pois na conversão para o PC os textos ficavam, invariavelmente, incompreensíveis. E, obviamente, as trocas não aconteciam via internet, eram através de disquetes mesmo, que quase sempre vinham contaminados com vírus - graças a Deus, totalmente inofensivos contra o meu LC.
Eu era um evangelista da Apple: colocava o decalque da maçã no carro, tentava arrebanhar o máximo de pessoas para a comunidade macintosheira, assinei a Macmania (hoje Mac Mais) desde os primeiros números. Não me conformava com o fato de o mundo estar caminhando na direção do domínio de um sistema operacional pior - naqueles tempos, então, muito pior - do que o Mac OS. Nessa época constatei a minha incorrigível tendência a ser minoria - além de usar Macs, torço para o Fluminense e gosto de Toddy...
Depois do LC, tive um Performa 6400 (não sinto a menor saudade) e dois G3 233 MHz desktop. Com estes consegui gravar e mixar as minhas primeiras produções musicais, utilizando o Digital Performer. A sensação de ter um estúdio em casa e poder gravar o que quisesse, na hora que quisesse, com qualidade digital, foi um marco em minha vida e, com certeza, na de todos os músicos. Com estes programas começou uma revolução no mundo da música, revolução que ainda estamos vivendo - e que ainda reserva muitas surpresas.
Em 2000 tive a oportunidade de, como diretor e editor do Jornal Metro, montar a primeira redação de um jornal brasileiro totalmente equipada com Macs. Infelizmente, o grupo sueco não conseguiu superar os obstáculos que impediam grupos estrangeiros de serem donos de publicações no Brasil e a operação foi cancelada, apesar de a redação ter produzido diariamente, durante três meses, o jornal (o grupo voltou ao Brasil em 2007 e o jornal foi finalmente lançado em São Paulo, em uma parceria com o Grupo Bandeirantes).
Em 2001, pude realizar, totalmente por acaso, o sonho de visitar a Apple. Eu voltava de Carmel, na Califórnia, com a minha mulher, em direção a São Francisco, quando avistei a placa Cupertino - Next Exit. Após quase ter uma síncope, pedi encarecidamente para que ela permitisse um ligeiro desvio de percurso no nosso roteiro para que eu tentasse visitar o tão famoso pomar. Ela não somente concordou como também ficou bastante entusiasmada com a possibilidade. Lembro-me de parar em um café e me dirigir a um grupo que - minha intuição dizia com toda a certeza - era de funcionários da empresa. Apresentei-me como um macmaníaco brazuca em busca da fábrica dos sonhos criada por Steve Jobs e, de imediato, pude constatar que os caras trabalhavam, sim, na Apple. Eu me despedi, agradecendo as informações sem esquecer de gravar para sempre na memória a imagem de um crachá de funcionário da Apple. Cheguei ao Infinite Loop, onde fica o quartel-general da Apple, e, com a minha tradicional cara-de-pau, fui para a recepção tentar jogar um "agá" e entrar no campus. Joguei de H a Z e nada feito: a única maneira de entrarmos seria como convidados de algum funcionário da empresa. Ahá! Eu me encaminhei para a primeira pessoa que estava na minha frente, contei a minha saga e, sem pestanejar, um simpático casal pediu para as recepcionistas deixarem que eu e Marcia entrássemos, sob a responsabilidade deles. Com a maior boa vontade (mesmo que já estivessem de saída para casa), eles nos mostraram todo o campus, e ao final do passeio apontaram para a sala de Jobs.
- Ele trabalha ali e está na sala agora.
Eu não pude vê-lo, mas a memória do dia que estive na Apple, vi a sala de Jobs, mesmo que de longe - com a certeza dele estar lá dentro -, é sempre uma grande emoção.
Continua na parte II, em breve...


link do postPor anjoseguerreiros, às 18:37  comentar

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