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17.7.09

A reconfiguração da família
*Ádima Domingues da Rosa

O trecho da famosa música Pais e Filhos, da banda de rock Legião Urbana, sintetiza, em uma ótica estética, muitas das transformações sociais pelas quais a instituição familiar contemporânea tem atravessado. "Eu moro na rua, não tenho ninguém, eu moro em qualquer lugar, já morei em tanta casa que nem me lembro mais, eu moro com meus pais". Essa mensagem demonstra com sutileza e claridade o sofrimento dos filhos que são muito afetados pela separação dos pais, fato que tem se tornado cada vez mais comum, conforme apontam os dados do IBGE .
No entanto, esse rearranjo da família atual não pode ser negado e deve, inclusive, ser celebrado como uma transformação positiva nos padrões e nas relações afetivas, rumo às vivências mais plurais e democráticas. A sua aceitação é fonte destacada de reflexão social e implica ainda a necessidade de se repensar a elaboração de políticas públicas.
Com as grandes transformações observadas nas últimas décadas no campo da sexualidade, da afetividade e das dinâmicas sociais, a família nuclear, heterossexual, não deve ser mais tida como o modelo único, ou mesmo o padrão referencial, mas apenas como mais uma forma de arranjo familiar. Afinal de contas, o número de mulheres e homens que coordenam sozinhos seus lares junto com os seus filhos é altíssimo. Além disso, cresce a percepção social de que é fundamental reconhecer o direito de casais homossexuais de constituírem uma família e terem filhos.
Neste quesito, as políticas públicas brasileiras são avançadas, pois refletem a família a partir de sua função, levando em consideração a solidariedade entre seus membros, o desencadeamento das relações entre eles e a importância no desenvolvimento que cada indivíduo exerce sobre o outro. Não há e não deve haver qualquer juízo de valor acerca de qual a orientação sexual "ideal" dos cônjuges. Ao contrário, deve existir apenas um reforço no papel da família como instituição central para a proteção social.
É fundamental reconhecer o direito de casais homossexuais de constituírem uma família e terem filhos
Essa visão de família não unilinear está substanciada tanto na realidade quanto em diversos documentos governamentais, principalmente aqueles voltados à assistência social, onde o apoio, a orientação e a manutenção da família constituem a prioridade. Mas não é aquela família "quadradinha", que muitas vezes imaginamos à luz de preconceitos e visões heteronormativas do mundo.
As políticas públicas atuais levam em consideração modelos diferenciados de famílias, partindo do pressuposto de que as mulheres ganharam não apenas a sua independência financeira, mas também a de seus destinos, passando a coordenar as suas famílias, sem receios de fracasso, porém muitas vezes enfrentando o preconceito da sociedade - situação comum também aos casais homossexuais.
Neste caso em particular, nos parece que, muitas vezes, as concepções das políticas públicas compreendem um nível avançado até de absorção de novos padrões comportamentais. Mas, no âmbito das dinâmicas cotidianas, as relações caminham a passos lentos e nem sempre percorrem o mesmo caminho das legislações. Em alguns casos, porém, a legislação parece bastante retrógrada, principalmente quando observamos a dificuldade de adoção de filhos por parte de casais homossexuais.
Quando isso ocorre, se transforma em notícia nacional, num acontecimento que "está para além desta sociedade", pois parece ofender os valores de setores conservadores da sociedade, sobretudo os religiosos. É utilizando esse tipo de exemplo que podemos perceber com mais clareza o quanto a sociedade como um todo é preconceituosa, o quanto idealizamos um tipo de família heterossexual, em que o pai exerce o papel de coordenador do lar. O enfrentamento a essa dominação masculina e heterossexual da instituição familiar serve de bandeira para diversos movimentos sociais, tais como o feminista e o GLBTT. Como bem podemos notar, a realidade social está mil anos à frente de alguns valores que ainda persistem.
O que insiste em permanecer é a sombra do preconceito que, no decorrer de nossa formação, enquadra o sexo feminino e masculino em caixinhas de titânio, vinculadas à identidade sexual heterossexual, que são quase impossíveis de serem quebradas. A formação das crianças ainda é dividida em meninos e meninas, a dominação de gênero ainda está impressa em cada brinquedo infantil, que irá, de certa forma, determinar as habilidades a serem desenvolvidas em cada um de nós. Assim, a divisão social do trabalho é naturalizada, como se homens já nascessem conhecendo matemática e a estrutura completa de um computador, enquanto as meninas nascem sabendo fazer uma deliciosa feijoada, aprendendo bem as técnicas de manejo com o fogão e com a lavadora de roupas.
É preciso, porém, compreender que a diversidade sexual, com sua pluralidade afetiva e de experiências, constitui, sobretudo, um positivo elemento de integração dos laços sociais e de vivência civilizada. A orientação sexual do indivíduo não influencia de forma negativa o seu caráter. Pelo contrário, só traz benefícios à sociedade, pois um indivíduo satisfeito no seu relacionamento afetivo-sexual será uma pessoa feliz e tranquila em todos os ambientes sociais, seja de trabalho, escola ou família. A comprovação do bem-estar social causado pela aceitação das diferentes orientações sexuais é a própria verificação do que ocorre quando ela não existe.
As pessoas podem se isolar, se destruir, ficar atormentadas. Outras podem até se suicidar por não aguentarem a pressão da sociedade, que neste caso tende a sufocar os indivíduos, fazendo que eles, muitas vezes, vivam se escondendo do grupo social. O isolamento é comum entre os indivíduos homossexuais que tentam evitar o preconceito. No entanto, os movimentos sociais já lutam de todas as formas para que os homossexuais não tenham de se isolar e possam viver sua afetividade e sexualidade como os heterossexuais, já que a ideia é sufocar o preconceito e não o indivíduo.

*Ádima Domingues da Rosa é bacharel e mestranda em Ciências Sociais na Unesp.

Fonte: Repórter Diário
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13.7.09


André (nome fictício) e sua mãe estavam tomando um lanche em uma loja do McDonald's do Rio.
Ana Paula Nogueira, a sua mãe, lhe pediu que fosse ao balcão e pedisse guardanapos. O menino foi e virou motivo de gozação dos funcionários.
André é gago. Ou, na linguagem médica, ele possui um distúrbio de linguagem chamado de disfemia.
O menino está sob tratamento. A disfemia pode ser curada ou atenuada, dependendo do caso.
Para que haja avanço no tratamento, é importante que as pessoas tenham um mínimo de respeito para com o portador de gaguez, de modo que ele possa se interagir, sem estar marcado pela discriminação. O que não houve naquela loja do Mac.
Por isso a 6º Câmara do TJ (Tribunal de Justiça) do Rio de Janeiro condenou a rede de fast food a indenizar a mãe do menino em R$ 4.000 pelo atendimento inadequado. A informação é do site do TJ.
Estima-se que 4% da população mundial tenham gagueira temporária. Dessa quantidade, em 1% a disfemia se torna definitiva.

Fonte: Blog do jornalista Paulo Lopes
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10.7.09

Mesmo admitindo que o tema deva ser abertamente debatido, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) deixou claro, nesta sexta-feira (10), que é contrário à ideia da reparação financeira a todos os brasileiros descendentes de escravos. Em Plenário, ele disse que essa forma de reparação, além de financeiramente insustentável, seria também moralmente condenável, já que não seria lícito pagar o "pecado" da escravidão com dinheiro.
- Esse não é o caminho porque, moralmente, acho que degrada uma compensação em dinheiro para comprar o sofrimento brutal em que viveram os antepassados. Além disso, não tem dinheiro que chegue - disse.
Ao abrir o pronunciamento, o senador informou que o tema da reparação foi debatido em audiência pública, nessa semana, na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). A ideia é pagar, em parcela única, pelo menos R$ 200 mil a todo brasileiro que comprovar ascendência negra. Considerando que existem no país cerca de 80 milhões de afrodescentes, a medida poderia custar aos cofres públicos valor superior a R$ 16 quatrilhões.
- Esse dinheiro não vai sair dos donos de escravos, porque eles já morreram. Vai sair do Estado; portanto, vai sair do povo, vai sair dos próprios descendentes dos escravos - criticou.
Cristovam lembrou que o país já vem pagando indenizações aos perseguidos políticos do regime militar de 1964, o que ele considera negativo. Como consequência, afirmou, os torturadores podem ficar soltos, já que o Estado "remunerou o sofrimento" dos que lutaram contra a ditadura. Agora, disse o senador, os torturadores se sentem no direito de dizer que "já pagaram o seu pecado".
- Quem lutou, quem enfrentou regime militar, quem sofreu tem que ser sim reparado com nomes de rua, com nomes na História em letras maiúsculas, com o reconhecimento público, com os aplausos pelo heroísmo- afirmou o senador, ressalvando que as indenizações são justificáveis para viúvas e órfãos dos que foram assassinados.
Como lembrou Cristovam, ainda não foi erguido no país um grande monumento em homenagem aos escravos brasileiros, pela contribuição que deram à construção do país. Em sua opinião, esse monumento, no entanto, não deve ser apenas "pedras ou uma escultura", mas também um centro de pesquisas e estudos sobre a experiência da escravidão e de políticas para a superação de seus efeitos.
Mas a verdadeira reparação, conforme o senador, só poderá ocorrer por meio de uma "visão de futuro", com a garantia de educação pública de qualidade para os descentes dos escravos - como salientou, com a vantagem de se tratar de uma política que não discriminaria nenhum outro brasileiro. O que ele disse ser inadmissível é o país continuar considerando como algo normal as grandes diferenças entre negros e brancos - citou que, na média, os negros possuem salários menores, escolaridade inferior e compõem a maior parte da população dos presos nas cadeias e dos analfabetos.
- Se tivéssemos, em 1889, começado um programa de educação para todos, com a inauguração da República, hoje não haveria no Brasil essa imoralidade; não haveria essa vergonha de escondermos, inclusive debaixo do tapete, que não somos racistas, quando o Brasil é um país que trata as raças de uma maneira diferente.

Da Redação / Agência Senado
Foto: Luis Mileu (Olhares)
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Falei no texto anterior sobre as vantagens de velhos e crianças mandarem no mundo, e muita gente não entendeu. Claro que trata-se de uma utopia.

O que eu quis dizer pode ser resumido no seguinte:

1 - Precisamos aprender mais com as crianças, provas vivas de que o ser humano é viável quando desprovido de preconceito e quando tem o coração aberto.

2 - Precisamos ouvir o que têm a dizer os idosos, pois acumularam experiência de vida e a proximidade da morte faz qualquer um passar a dar valor ao que realmente importa.

Alguns leitores argumentaram que existem crianças e velhos muito maus. Pois não é a esses que me referi, mas à grande maioria, que não é má coisa nenhuma.O que mais me choca hoje é que os adultos não ouvem as crianças.

Ou reprimem demais, ou mimam demais, dois erros de quem busca o caminho que julga mais fácil por comodismo. Converse de igual para igual com uma criança e verá que maravilha, quanto aprendizado, quanta alegria genuína e contagiante.

E me choca também que ninguém tenha saco para aprender com os mais velhos. Uma amiga minha sempre leva a tia, que já passou dos 80, ao banco. A senhora está lúcida, mas tem dificuldade de locomoção, por isso a sobrinha a ajuda. Pois, na agência bancária, os funcionários não se dirigem à anciã, só à minha amiga, que é jovem.

Ela é obrigada a dizer: "Ei, falem com ela; ela veio resolver o problema, eu só estou acompanhando!" Só pela aparência, julgam um idoso incapaz.

Por alguns comentários irados ao texto anterior, também pude medir a quantas anda o preconceito com velhos e crianças.

Vejamos as condições dos asilos onde muitos filhos até com boa situação financeira mantêm o parente idoso.

Visitei um na Zona Sul onde se paga quase R$ 3 mil por mês. Não falta nada, exceto amor. Foi o lugar mais triste em que já estive.

A foto é do asilo Legião do Bem, no Méier (Zona Norte do Rio), para idosos carentes, que recebeu há alguns dias a visita dos dóceis cães do projeto Patinhas do Bem, filantrópico e idealizado por Denizard Baldan, que não conheço. Ele leva seus cães para divertir e dar afeto a pessoas de idade avançada e crianças enfermas.

Para muitos anciãos, a única manifestação de carinho que recebem em anos são as desses animais.

E os abrigos públicos para menores desamparados?

Sempre foram grandes cadeias formadoras de adultos marginais.

O futuro que semeamos negando atenção às crianças e desprezando a experiência dos velhos é o presente caótico em que vivemos.

Talvez por isso cometamos tantos erros...
Marcelo Miggliaccio
Rio Acima
JBlog
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5.7.09

Governo espanhol dá apoio a iniciativas para acabar com homofobia.
Festa, considerada um grande sucesso, parou o centro da cidade.
Mais de 1 milhão de pessoas participaram da Parada do Orgulho Gay de Madri, em um dia de festa em que os participantes apontaram a educação como elemento básico para acabar com a homofobia no país.


Os participantes, chegados de todas as partes da Espanha, lotaram as principais ruas da capital e superaram as previsões dos organizadores. O desfile foi aberto com um imenso cartaz com o lema "Escola sem armários", seguido por 30 carros enfeitados com as cores do arco-íris. Entre os que seguravam o cartaz estavam a ministra da Igualdade espanhola, Bibiana Aído, dirigentes políticos e sindicais e representantes da sociedade civil.
"Temos muitos motivos para ter orgulho. Somos um país aberto que fez uma aposta clara na ampliação dos direitos", disse Aído, que explicou que todos os gays, lésbicas, transexuais, e bissexuais "têm o governo a seu lado". A ministra lamentou, no entanto, que 50% dos adolescentes homossexuais sofram violência na escola e nos centros educativos. "Todos temos de ajudar para que a escola seja um espaço seguro para a diversidade, porque o que se aprende desde pequenos fica para sempre", comentou.
Vestidos com plumas, lantejoulas, saltos e roupas de couro, grupos de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais desfilaram em uma maré humana que obrigou as autoridades a bloquear o tráfego no centro de Madri. Os organizadores declararam 2009o Ano da Diversidade Afetivo/Sexual na Educação, ao longo do qual reivindicarão um sistema educacional em que a diversidade sexual "tenha o reconhecimento de que precisa".

Fonte: G1
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4.7.09

A Polícia norte-irlandesa (PSNI) revistou várias casas no sul de Belfast e deteve nesta sexta-feira dois adolescentes supostamente envolvidos nos ataques racistas que provocaram a fuga de mais de 20 famílias romenas de etnia cigana de suas casas nessa região da cidade.
Os suspeitos, de 15 e 16 anos, foram detidos depois que as forças de segurança fizeram uma operação no distrito popular The Village, uma região de maioria protestante na capital da Irlanda do Norte.
"Os agentes que averiguam a intimidação de cidadãos romenos cometida entre os dias 11 e 15 de junho efetuaram duas operações de busca. Um dos detidos está ajudando a Polícia em suas investigações", explicou uma porta-voz da PSNI.
No último final de semana, vários indivíduos atacaram duas casas de romenos, o que fez com que 115 pessoas de origem romena cigana abandonassem suas casas para se refugiar nesta quarta-feira em uma igreja protestante da região.
No mesmo dia, as autoridades acomodaram temporariamente as 20 famílias em um bairro com casas agora abandonadas perto de uma universidade.
O êxodo das famílias mobilizou toda a classe política norte-irlandesa, assim como representantes comunitários e organizações humanitárias, que trabalham agora para reforçar sua segurança e evitar a volta delas à Romênia.
A porta-voz da PSNI comunicou que as forças de segurança também trabalham para identificar os responsáveis por outro ataque racista cometido contra uma residência de romenos nesta quinta-feira no leste de Belfast, ao mesmo tempo em que descartou o envolvimento de grupos paramilitares protestantes, cujos líderes condenaram os incidentes.
Uma onda de violência racista cresceu nos últimos anos na cidade, coincidido com o declínio do tradicional conflito entre grupos paramilitares de distritos católicos e protestantes.
Parte da violência tem sido atribuída a jovens protestantes, alguns dos quais anteriormente voltavam sua revolta contra católicos ou aderiam a grupos paramilitares ilegais pró-britânicos.
A violência entre grupos católicos que lutavam pela independência da Irlanda do Norte em relação ao Reino Unido e os unionistas protestantes caiu drasticamente no início da década de 90, quando o IRA (Exército Republicano Irlandês) começou a diminuir a ênfase em ações armadas e atentados contra o domínio britânico. Em 1998, foi assinado o Acordo da Sexta-feira Santa entre o Sinn Fein, braço político do IRA, e os grupos paramilitares protestantes, que abriu caminho para um governo de união.
Em maio de 2007, dois adversários históricos --o líder do Partido Unionista Democrático (DUP, sigla em inglês), Ian Paisley, e o líder do católico Sinn Féin, Martin McGuinness-- dividiram o poder na Irlanda do Norte, como primeiro-ministro e vice-primeiro-ministro, respectivamente, após o fim de cinco anos de governo direto britânico. Alguns grupos radicais ainda contestam os acordos, e no início deste ano houve atentados que mataram dois soldados britânicos e um policial.

Folha Online
Com Efe e Associated Press
link do postPor anjoseguerreiros, às 20:56  comentar

2.7.09

Apesar de conviver com o preconceito e internações constantes, eles se fortaleceram e hoje encaram a Aids como uma doença crônica que exige cuidados, mas que não os impede de aproveitar a vida e fazer planos
A primeira geração de bebês infectados pelo HIV por transmissão vertical (de mãe para filho) nos anos 80 chegou à juventude. Quase todos passaram a infância enfrentando doenças oportunistas e tiveram de se acostumar com termos técnicos como carga viral, linfócitos CD4 ou genotipagem. Mas, apesar dos problemas como enfrentar o preconceito e conviver com internações constantes, eles dizem que se fortaleceram com as dificuldades e hoje encaram a Aids como uma doença crônica, que exige cuidados, mas que não os impede de aproveitar a vida e fazer planos. A assistente social Luciana Basile notou essa característica ao ouvir alguns desses jovens para seu mestrado, defendido em março, na Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUC-RS). “Eles não pensam muito na morte nem têm a autoestima abalada. A expectativa de vida é grande”, destaca. Segundo o sanitarista do Departamento de DST e Aids do Ministério da Saúde, Marcelo de Freitas, a infecção do HIV em crianças é mais agressiva. Porém, com o advento de novas drogas, elas tiveram a vida prolongada. A partir de 1996, foi implantada no País a política de profilaxia da transmissão vertical, que inclui oferecer antirretrovirais (remédios que impedem a multiplicação do vírus) para a gestante e o bebê. A chance de contaminação, que era de 25%, hoje é de 1% ou menos. Para Freitas, a Aids tem padrão de doença crônica, mas só quando há boa adesão ao tratamento. Sidnei Pimentel, infectologista do Centro Estadual de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo, diz que alguns deles ficam desmotivados para seguirem adiante com o tratamento, por tomarem medicamento desde novos e não apresentarem sintomas. À medida que essas crianças crescem, surgem novas questões a serem enfrentadas, como a transição entre o setor pediátrico e o de adultos no hospital. No centro, foi criado há um ano um ambulatório de transição, que prepara o jovem para a mudança de setor. “Na pediatria, eles são mais protegidos. O setor de adultos tem mais pacientes, pode ser chocante mudar”, afirma Pimentel. Conforme dados do Ministério da Saúde, casos de transmissão vertical de Aids foram registrados no Brasil de 1980 a junho de 2008.

[Folha de S. Paulo (SP), Flávia Mantovani – 02/07/2009]
link do postPor anjoseguerreiros, às 22:43  comentar

28.6.09

INGLATERRA: FECHA AS PORTAS AGÊNCIA DE ADOÇÃO CATÓLICA

Westminster, 27 jun (RV) - A agência católica para as adoções da arquidiocese de Westminster encerrou as suas atividades. O motivo é a lei contra as discriminações e seus regulamentos de atuação que, desde o último mês de janeiro, proíbem a todas as agências do setor no Reino Unido rejeitar a adoção de crianças a casais homossexuais. “Se tivéssemos que continuar nessa nossa atividade – explica a Westminster Catholic Children’s Society em um comunicado – seríamos obrigados a tratar também os pedidos de casais homossexuais, em contraste com os nossos critérios segundo os quais os casais que requerem uma adoção devem ser um homem e uma mulher casados. Os nossos membros – precisa o comunicado – estão convencidos de que essa seja a melhor coisa para uma criança, como, por sua vez, foi demonstrado por pesquisas, mas também em linha com os ensinamentos da Igreja”.
A agência tinha suspendido a sua atividade no dia 1º de janeiro último, na expectativa da sentença de um tribunal de Leeds chamado a decidir sobre um apelo da agência diocesana para as adoções que tinha pedido para poder continuar a sua atividade segundo os ensinamentos da Igreja católica. O apelo foi rejeitado. A agência da arquidiocese de Westminster é a segunda agência católica de adoção a ter optado pelo fechamento. A maior parte das agências católicas de adoção britânicas ao invés decidiu renunciar ao próprio status de agência diocesana. (SP)

Fonte:Radio Vaticano
link do postPor anjoseguerreiros, às 11:08  comentar

24.6.09
Sou branco. Minha mulher é branca. Adotamos 3 crianças negras. Ninguém é capaz de imaginar as situações pelas quais passamos. Só quem as viveu, conscientemente, pode avaliar.

Quando entramos na fila de adoção, a assistente social (negra) tentou nos dissuadir da idéia de adotarmos crianças negras, alegando que “isso não dá certo”.

Na padaria do bairro (chiquezinha) se as crianças corressem na frente (frequentemente vestindo o uniforme da escola), logo eram barradas pelo segurança (precisei dar alguns “esporros” até que parassem com isso).

Voltando de férias da Bahia, avião com overbooking; o atendente da cia. aérea nos colocou num canto, de pé, ao lado da cabine do piloto. Várias pessoas (todas brancas) entravam e nós esperando. Perdi a paciência e juntei o sujeito pelo colarinho. “Tá me achando com cara de palhaço?”. Os lugares apareceram milagrosamente.

Na livraria do aeroporto a mulher à minha frente, na fila do caixa, protege a bolsa quando minha filha se aproxima (minha filha é linda e estava vestida como uma bonequinha, laço de fita no cabelo e tudo mais). Pensei: vale a pena estragar a viagem prá discutir com essa idiota? Deixei prá lá.

Festa de aniversário no kartódromo. Fila de meninos para entrar nos carros. Deixo meu filho na fila e vou fazer outra coisa. Volto meia hora depois e ele ainda está na fila. Pergunto: o que houve? Ele: vários meninos entraram e o tio manda eu esperar. Olho pro “Tio” e ameaço: se ele não entrar na próxima, chamo a polícia. Rapidinho aparece um kart.

Na escola (classe média alta, mensalidade cara), qualquer encrenca envolvendo vários meninos, logo sobrava para os “pretinhos”. Chamei o diretor às falas, ameacei processar e levar o assunto para a mídia. Resultado: a perseguição aberta cessou, mas nasceu a perseguição institucional (na prova de matemática, ainda que todos os cálculos estivessem corretos, perdiam pontos por erros de português). Troquei de escola e adotei definitivamente o estilo low profile.

Desisti? Não! Apenas decidi criar meus filhos para saberem driblar tais situações. Estudem mais, sejam os melhores da classe, comportem-se mais que seus colegas, sejam mais educados, enfim, tenham mais paciência que seu pai. Provem para vocês mesmos que são os melhores, não pelo fato de serem negros (e nem apesar de serem negros) Sejam melhores, pelo prazer de serem melhores, por méritos próprios. E só!

E se, no futuro, nosso país não tiver passado por uma mudança radical, que lhes permita viver em paz, que tenham estudado o bastante para encontrar uma vida melhor em qualquer outro lugar do mundo, onde as pessoas sejam valorizadas por seus dotes e qualidades, não importando a cor ou a origem. E onde haja menos idiotas. Em todos os sentidos.

P.S.: eu vivo repetindo: cachorro pode ter raça; gato pode ter raça; gente pode, no máximo, ter cor diferente. Raça? Somos todos da RAÇA HUMANA (ainda que muita gente se esforce para me convencer do contrário)!!!



Luis Nassif
link do postPor anjoseguerreiros, às 15:11  comentar

Sou branco. Minha mulher é branca. Adotamos 3 crianças negras. Ninguém é capaz de imaginar as situações pelas quais passamos. Só quem as viveu, conscientemente, pode avaliar.

Quando entramos na fila de adoção, a assistente social (negra) tentou nos dissuadir da idéia de adotarmos crianças negras, alegando que “isso não dá certo”.

Na padaria do bairro (chiquezinha) se as crianças corressem na frente (frequentemente vestindo o uniforme da escola), logo eram barradas pelo segurança (precisei dar alguns “esporros” até que parassem com isso).

Voltando de férias da Bahia, avião com overbooking; o atendente da cia. aérea nos colocou num canto, de pé, ao lado da cabine do piloto. Várias pessoas (todas brancas) entravam e nós esperando. Perdi a paciência e juntei o sujeito pelo colarinho. “Tá me achando com cara de palhaço?”. Os lugares apareceram milagrosamente.

Na livraria do aeroporto a mulher à minha frente, na fila do caixa, protege a bolsa quando minha filha se aproxima (minha filha é linda e estava vestida como uma bonequinha, laço de fita no cabelo e tudo mais). Pensei: vale a pena estragar a viagem prá discutir com essa idiota? Deixei prá lá.

Festa de aniversário no kartódromo. Fila de meninos para entrar nos carros. Deixo meu filho na fila e vou fazer outra coisa. Volto meia hora depois e ele ainda está na fila. Pergunto: o que houve? Ele: vários meninos entraram e o tio manda eu esperar. Olho pro “Tio” e ameaço: se ele não entrar na próxima, chamo a polícia. Rapidinho aparece um kart.

Na escola (classe média alta, mensalidade cara), qualquer encrenca envolvendo vários meninos, logo sobrava para os “pretinhos”. Chamei o diretor às falas, ameacei processar e levar o assunto para a mídia. Resultado: a perseguição aberta cessou, mas nasceu a perseguição institucional (na prova de matemática, ainda que todos os cálculos estivessem corretos, perdiam pontos por erros de português). Troquei de escola e adotei definitivamente o estilo low profile.

Desisti? Não! Apenas decidi criar meus filhos para saberem driblar tais situações. Estudem mais, sejam os melhores da classe, comportem-se mais que seus colegas, sejam mais educados, enfim, tenham mais paciência que seu pai. Provem para vocês mesmos que são os melhores, não pelo fato de serem negros (e nem apesar de serem negros) Sejam melhores, pelo prazer de serem melhores, por méritos próprios. E só!

E se, no futuro, nosso país não tiver passado por uma mudança radical, que lhes permita viver em paz, que tenham estudado o bastante para encontrar uma vida melhor em qualquer outro lugar do mundo, onde as pessoas sejam valorizadas por seus dotes e qualidades, não importando a cor ou a origem. E onde haja menos idiotas. Em todos os sentidos.

P.S.: eu vivo repetindo: cachorro pode ter raça; gato pode ter raça; gente pode, no máximo, ter cor diferente. Raça? Somos todos da RAÇA HUMANA (ainda que muita gente se esforce para me convencer do contrário)!!!



Luis Nassif
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colaboradores: carmen e maria celia

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